“Camané canta Alfredo Marceneiro”, o nome do último álbum de fado de Camané, deu o nome ao espectáculo que este fadista levou ao palco do Salão Preto e Prata no Casino Estoril, no passado sábado. Com fados daquele nome ímpar que foi Marceneiro, mas também com temas em nome próprio, bem como de outros poetas como David Mourão Ferreira, Camané preencheu assim cerca de duas horas em palco, cativando o público com a sua voz particularmente timbrada e o sorriso que nunca desfez, mesmo nos temas em que as emoções chegavam a motivar uma lágrima ao espectador mais emotivo.

Temas como “Bêbado pintor”, “Quadras soltas” e “Olhos fatais”, na abertura do concerto, permitiram criar desde logo uma agradável ligação com o público que permitiu uma boa assistência no Salão Preto e Prata mesmo sem ter esgotado. “Ironia”, “O louco” e “Lucinda camareira” permitiram a continuidade do espectáculo, com Camané a passar por alguns dos clássicos de Alfredo Marceneiro, chegando a temas incontornáveis como “Lembro-me de ti”, “Mocita dos Caracóis” ou a “Casa da Mariquinhas”, estes dois temas que permitiram mesmo os primeiros singles retirados do álbum “Camané Canta Marceneiro”.

Depois, em jeito mais descontraído, chegaram as histórias divertidas assentes no fado como a “Amiga Maria” ou a “Guerra das rosas”. A noite, porém, afirma-se assente sobre o mais recente trabalho de Camané, editado no passado dia 6 de Outubro, álbum que ocupou o topo da tabela dos mais vendidos em Portugal durante três semanas consecutivas, e que permitiu concretizar uma vontade antiga de Camané de poder homenagear Alfredo Marceneiro.

A noite ainda estava longe de chegar ao fim e havia ainda tempo para fados sentidos como “Abandono” ou “Sei de um rio”, numa noite em que o nome do último tema dava conta do que tinha acabado de suceder no palco do Casino Estoril, uma noite que prendeu o público como sempre pode acontecer... “Quando o fado acontece”.

Pelo meio, o Fado Cravo e o Fado Bailado, entre tantos outros, permitiram a incontornável homenagem a Alfredo Marceneiro, um nome que é apontado pelo próprio Camané como a sua maior referência desde a infância, quando tinha apenas sete anos como recordou.

Acompanhado por José Manuel Neto na guitarra portuguesa, Carlos Manuel Proença na viola e Paulo Paz no contrabaixo, Camané pôde assim desfilar emoções e bom fado numa noite de qualidade a merecer em absoluto a ovação com que o público o brindou por diversas vezes e ao longo da actuação e, naturalmente, no final do espectáculo, encerrado com o Fado Cravo para a “Despedida”.

reportagem: Jorge Reis

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