Esteve em cena, no Teatro da Trindade até ao passado dia 18 de novembro a ópera cómica “A canção do bandido”, com música e direção musical de Nuno Côrte-Real, libreto de Pedro Mexia e encenação de Ricardo Neves-Neves, numa coprodução com o Teatro Nacional de São Carlos e a Orquestra Sinfónica Portuguesa. O cenário foi de Henrique Ralheta, os figurinos de Rafaela Mapril e o desenho de luz de Luís Duarte, tudo para um espectáculo notável que acompanhámos no penúltimo dia em palco.

Partindo do conto tradicional O Macaco de Rabo Cortado, Canção do Bandido imagina uma personagem que não é um macaco mas um advogado, Casanova dos tempos modernos, homem que acumula conquistas e as vai trocando por novas conquistas, sem pensar muito nas consequências dos seus atos. O “casanovismo” e o “donjuanismo” são revisitados numa época em que as guerras dos sexos (ou dos géneros) já não são o que eram, ou têm pelo menos discursos e legitimidades diferentes.

Coros gregos e essencialismos em tempos digitais e de #MeToo... em quem devemos acreditar? No libreto, nos protagonistas, nos antagonistas, ou nas personagens que, falando em vez de cantar, contestam estes diálogos, estes tipos, esta dialética?

De Don Giovanni à música pop, dos bordões linguísticos aos jogos nonsense, as personagens de Canção do Bandido trazem para o palco tudo o que lhes ocorre, tudo o que sirva as suas estratégias ou ilustra as suas dúvidas. E os espectadores, certamente, tomam partido.

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A Canção Do Bandido contou com as presenças de André Henriques (Macaco), Bárbara Barradas (Bruna), Cátia Moreso (Severa), Inês Simões (Esmeralda), Marco Alves dos Santos (Oponente), e Sónia Alcobaça (Selvagem), a parte instrumental está a cargo da Orquestra Sinfónica Portuguesa, dirigida pela Maestrina titular Joana Carneiro, e o Coro do Teatro Nacional de São Carlos é dirigido pelo Maestro titular Giovanni Andreoli e pelo Maestro assistente Kodo Yamagishi.

Pedro Mexia brincou com a sedução neste conto, repleto de humor e de alguns momentos nonsense, destacam-se as personagens femininas, que ocupam o espaço em termos musicais, num espectáculo com exuberância e dinamismo, colocando a ópera no seu esplendor total, tudo sem qualquer dúvida para uma experiência diferente que no dia em que acompanhámos este espectáculo contou com a presença atenta de Pedro Mexia, num espectáculo que registámos de forma muito positiva.

reportagem: Ana Cristina Augusto

Teatro da Trindade

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