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Ao celebrar duas décadas sobre a criação do Zé Manel Taxista, Maria Rueff transporta agora este “boneco“ para os palcos com “Zé Manel Taxista, uma comédia com brilhantina”, um espectáculo a não perder nomeadamente se gosta da cidade de Lisboa e acompanhou a sua transformação das duas últimas décadas, afinal como a acompanhou o próprio Zé Manel, os demais taxistas e todos os lisboetas.

Em cena desde a presente semana, de quinta a domingo no Auditório dos Oceanos, no Casino Lisboa, também nós fomos acompanhar a prestação de Maria Rueff lado a lado com FF, Rafael Barreto, Ruben Madureira, Sissi Martins, Filipe Rico, Marta Mota, Sara Martins e Tiago Coelho, todos a darem-nos conta da realidade de uma cidade de Lisboa que hoje já não é dos lisboetas, mas em muitos casos de empreendedores que esquecem aqueles permitem a alma à capital cada vez mais orfã dos seus habitantes naturais.

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Com textos escritos por Filipe Homem Fonseca, Rui Cardoso Martins, Maria João Cruz e Mário Botequilha, para um espectáculo encenado por António Pires aqui e ali ao jeito de um musical, ganha ainda maior qualidade com temas assinados por Jorge Palma, Xutos & Pontapés, Paulo de Carvalho, Sérgio Godinho, João Gil, Herman José ou Fernando Tordo, entre outros, tocados por uma banda composta por André Galvão, Artur Guimarães e Tom Neiva. Acabou assim por ser natural que esta estreia permitisse a presença no agradável auditório do Casino Lisboa de alguns dos “resposánveis” pelos conteúdos de um espectáculo “desenhado” há 90 dias, como confessou no final Paulo Dias, o director geral da UAU, empresa que permitiu a produção do regresso do Zé Manel, taxista mas também benfiquista, bom chefe de família e, principalmente, lisboeta de gema, 20 anos depois da sua criação.

Acaba assim por ser a mudança registada em Lisboa nos últimos 20 anos que permite o mote para contar a história do que se passa em palco. Quase sem se dar conta da nova realidade da capital, Zé Manel Taxista é um crítico natural da chegada dos eléctricos 'tuc-tucs', mas também das plataformas de transporte como a Uber, que vê como um rival directo do seu negócio do táxi que conduz diariamente, colocando assim os uber em relação ao seu táxi como o hiper-rival Sporting em relação ao seu Benfica.

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Sem se dar conta, as rivalidades acabam mesmo por bater à porta do Zé Manel quando o seu filho, Eusébio, batizado em homenagem ao “Pantera Negra”, revela ser ele também sportinguista e, porventura pior do que isso, motorista da Uber, durante uma mudança em que ele próprio, Zé Manel, se vê usado e “engolido” por uma Lisboa cosmopolita e internacional, onde o bairrismo é atirado para a margem sul do Tejo, expulso de uma cidade que não tem mais espaço para as tradições nem para os seus naturais.

Usado por um empreendedor que só pensa no sucesso imobiliário à custa de tudo e todos, Zé Manel Taxista acaba assim por ser empurrado para fora de casa mas também para fora da sua Lisboa, numa história que reflecte afinal uma realidade da capital hoje cada vez mais incaracterística e impessoal, contada ainda assim com um humor fino que nos provoca boas gargalhadas, ao jeito do “boneco” a que Maria Rueff deu corpo e voz nos últimos 20 anos.

Fica assim a recomendação de um espectáculo sem dúvida a acompanhar, no Casino Lisboa, com bilhetes de €18 a €22.

reportagem: Jorge Reis

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