Entre abril e outubro de 2020, a Cáritas Portuguesa apoiou perto de 6.000 pessoas em dificuldades devido à Covid-19, um número que acresce aos pedidos recebidos pela Cáritas num contexto anterior ao da pandemia. O apoio financeiro de emergência e os vales alimentares são os principais pedidos de ajuda das famílias como dá conta a Cáritas Portuguesa que, por ocasião do Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza, volta a apelar à ajuda e participação de todos os portugueses.

Devido à atual situação de pandemia, foram inúmeros os novos pedidos de apoio por parte das famílias, tendo a rede nacional Cáritas, entre abril e outubro deste ano, ajudado perto de 6.000 pessoas, no âmbito do programa “Inverter a Curva da Pobreza em Portugal” de resposta direta às vítimas do COVID. Note-se que este apoio não representa a totalidade do trabalho de cada Cáritas Diocesana que, em todo o país, continuam a prestar apoio no atendimento social e a trabalhar nos seus projetos locais de desenvolvimento social.

Apesar das necessidades ao nível alimentar, a Cáritas é cada vez mais a principal organização na resposta financeira a pedidos concretos, destacando-se o apoio ao pagamento de despesas de rendas para habitação (61%), de despesas relacionadas com a saúde, como a aquisição de medicamentos e realização de exames médicos (17%) e ao pagamento de despesas relacionadas com a eletricidade (11%).

O apoio através de alimentos continua a ser uma das formas de ajudar as famílias que devido à pandemia estão ainda mais vulneráveis, sendo que a complementar os cabazes de bens que são entregues pelas Cáritas Diocesanas é atribuído um valor em vales de aquisição, que permite que as famílias, de forma autónoma, possam adquirir produtos que habitualmente não é possível receberem de outra forma, nomeadamente, carne, peixe, legumes e vegetais.

“Acreditamos que através do recurso a esta forma de apoio estamos a contribuir para que cada família mantenha alguma autonomia, bem como a proteger a dignidade de quem se vê confrontado com a necessidade de recorrer à ajuda das Instituições”, refere Eugénio Fonseca, Presidente da Cáritas Portuguesa.

“Vivemos tempos muito difíceis e a verdade é que tendo em conta os indicadores públicos, as dificuldades podem vir a ser muito maiores a partir do último trimestre deste ano, com agravamento no primeiro trimestre de 2021. Por este motivo é tão importante a ajuda e união de todos nós”, acrescenta.

Neste momento, os pedidos de ajuda surgem essencialmente devido à perda do posto de trabalho (61%) ou à redução significativa dos rendimentos (13%). A grande maioria vem de cidadãos portugueses, mas há também muitos cidadãos de outras nacionalidades a viver os efeitos desta pandemia e a necessitar de ajuda: Brasil, Angola, India, S. Tomé, Cabo Verde e Guiné Bissau.

A nível europeu, a Cáritas assinala esta efeméride apelando à emissão de uma diretiva da União Europeia juridicamente vinculativa sobre os regimes de rendimento mínimo adequados em todos os Estados-Membros. A Cáritas Europa saúda ainda a recente adoção das conclusões do Conselho da UE sobre o reforço da proteção do rendimento mínimo para combater a pobreza e a exclusão social na pandemia do COVID-19 e além disto, a criação de medidas necessárias para a inclusão das pessoas e a sua plena participação na sociedade.

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