Porque “HáConversa.com” pressupõe um diálogo rico e com assunto, em que o jornalista Jorge Reis procura junto dos seus “companheiros de conversa” os assuntos que estes possam conhecer como poucos, uma vez mais foi esse o propósito da entrevista a António Vieira Coelho, administrador da Estoril Sol S.A, isto quando estamos a menos de dois anos da conclusão da actual concessão da área de jogo do Estoril. O diálogo com o LusoNotícias, mantido com Vieira Coelho no seu gabinete, no Casino Estoril, só poderia por isso começar por abordar a realidade de uma casa com muita história, escrita ao longos dos 60 anos completados em 2018 pela Estoril Sol.

Com uma gargalhada fácil, claramente bem disposto e com um discurso fluído sobre a sua função, dando conta da paixão que mantém em relação à sua actividade profissional mas também do conhecimento que possui de tudo o que a ela diz respeito, António Vieira Coelho, engenheiro de formação, conduziu-nos assim numa viagem ao longo da história do Casino Estoril, mas também do Casino Lisboa e da Estoril Sol S.A., esta última a entidade que possui a concessão daquele que, no Estoril, já foi outrora o maior Casino da Europa, e que continua a ser o maior Casino em termos de dimensão e em número de máquinas: “Os outros casinos europeus são todos ‘salas de jogos com serviços anexos’, enquanto que este conceito de Casino mais glamouroso, mais Las Vegas, é algo que não há muito na Europa. Mesmo o Mónaco, que as pessoas consideram como uma referência, não o é tanto assim.”

Foi assim possível manter com António Vieira Coelho uma conversa sobre os 60 anos de história que o próprio considera terem sido “sempre muito intensos, muito ligados às artes e aos espectáculos”. Dotado de Sala de Espectáculos, Cine-Teatro, Galeria de Arte, Restaurantes, o Casino Estoril apresenta assim um conceito mais próximo à realidade de Las Vegas, algo que o nosso interlocutor destaque com indisfarçável orgulho, tal como o faz em relação à aposta constante feita nas artes e nos espectáculos de qualidade que o Casino Estoril sempre acolheu ao longo das seis décadas de existência. O jogo, actividade que surge como porventura “o propósito” de qualquer Casino, é assim integrado no Estoril como apenas mais uma parte do entretenimento permitido.

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“O Casino Estoril assinalou no ano passado 60 anos, vividos sempre de um modo muito intenso, muito ligados às artes e aos espectáculos!”

Manter o mais possível o jogo como uma actividade “saudável”, procurando mesmo afastar os jogadores com comportamentos aditivos dos seus espaços, é também um propósito dos responsáveis pelo Casino Estoril e Casino Lisboa. Este rumo começou a ser trilhado de uma forma mais visível em 1987, quando, sob a Direcção de Mário Assis Ferreira, começou a ser conduzida a mudança do conceito até então vigente no Casino Estoril, mudança que em termos efectivos começou a ser determinada por Stanley Ho em 1984.

Com Mário Assis Ferreira, o Casino Estoril passou a ser a casa de espectáculos grandiosos que marcaram a realidade daqueles ventos a nível nacional mas também além fronteiras. “Os Heróis e o Mar”, “Dali”, “Viva Mozart” – este espectáculo chegou a “exportado”, tendo estado em Madrid durante quase um ano, em cena no Teatro Calderón, onde foi um grande êxito apesar de se tratar de uma produção portuguesa em Espanha –, foram, entre outros espectáculos que ficaram na história do Casino mas também dos eventos culturais. Depois disso, os tempos mudaram, as receitas caíram de forma acentuada, nomeadamente a partir de 2008, e chegou-se à realidade actual em que se continua a apostar em bons espectáculos e no apoio à actividade cultural mas de uma forma mais diversificada em termos de acções e eventos. Actualmente, os espectáculos com a grandiosidade “À Las Vegas” deixaram de acontecer, passando a ser realizados espectáculos diversos, semanais, ainda assim com grandes nomes nacionais mas também internacionais.

Destacando a qualidade do Salão Preto e Prata, um espaço tão versátil onde é possível servir 800 refeições sentadas mas onde é igualmente possível eventos tão improváveis como um torneio de Padel, António Vieira Coelho traz à conversa a versatilidade dos espaços do Casino Estoril onde acredita ser ainda possível ter mais espaços e mais actividades através das quais possam “chamar” mais e mais pessoas ao Casino. Naturalmente que o jogo surge também como actividade em destaque, lembrando este responsável que “uma slot-machine permite um retorno para o jogador d cerca de 94 a 95 porcento daquilo que lá entra, um valor que resulta da própria homologação dos serviços de Inspecção de Jogos”.

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“Uma slot-machine permite um retorno para o jogador de cerca de 94 a 95 por cento daquilo que lá entra...”

O futuro é uma incógnita

Com um passado recente (e a realidade presente) assente numa pujante actividade cultural, mas também numa presença muitas vezes benemérita junto da sociedade em que os Casinos do Estoril e de Lisboa se inserem, como António Vieira Coelho foi destacando ao longo da conversa com Jorge Reis, o futuro apresenta-se ainda assim mergulhado numa enorme incógnita, quando apenas se sabe que a actual concessão que a Estoril Sol S.A. possui para a exploração destes dois Casinos termina no final de 2020, a pouco mais de ano e meio de distância temporal.

António Vieira Coelho assume em relação a este tema um discurso cauteloso, consciente de que um concurso internacional, como é obrigatório por lei, pode simplesmente colocar espaços como os Casinos Estoril e Lisboa à mercê de entidades que pouco ou nenhum interesse tenham em manter o rumo cultural e social que até hoje tem sido trilhado pela Estoril Sol. A acontecer tal desfecho, estaria em causa a continuidade de toda uma actividade que tem permitido evidentes benefícios para as comunidades em que aqueles Casinos estão inseridos, uma realidade que pode ser esquecida se os referidos concursos forem geridos pelo Governo e as entidades estatais de uma forma cega e meramente legalista.

O LusoNotícias sabe que uma das possibilidades colocadas em cima da mesa será o prolongar da actual concessão na posse da Estoril Sol por mais três anos, para que possa ser possível nessa altura, em 2024, a atribuição de novas concessões de jogo no Estoril e em Lisboa, mas também em outras zonas como a Póvoa de Varzim e Figueira da Foz. Ainda assim, este caminho surge apenas como uma possibilidade, nada estando ainda anunciado como decidido relativamente a este tema.

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A Estoril-Sol S.A. estará na corrida pela continuidade à frnte da concessão do jogo nos Casinos do Estoril e de Lisboa

Com o final do período de concessão cada vez mais perto, a Estoril Sol, pelo menos a julgar pelas palavras de António Vieira Coelho, vai continuar a trilhar o seu caminho, permitindo uma dinâmica cultural ímpar mas também uma intervenção social assinalável. Isso mesmo fica frisado nesta conversa que focou tantos outros temas como a realidade do Casino Lisboa, que ainda recentemente celebrou mais um aniversário, mas também os caminhos que o futuro pode trazer à realidade dos Casinos, temas que enriqueceram toda a conversa que convidamos a que acompanhe na íntegra através do registo em vídeo aqui partilhado a partir do Canal LusoSaberTV no Youtube, referente a mais um episódio em que... “Há conversa com Jorge Reis!”

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