Em Valongo, quando perguntaram ao comandante que falava em nome da Autoridade Nacional da Protecção Civil se o alerta para o acidente com o helicóptero do INEM, dado na hora em que a aeronave caiu, às 18h30, e não duas horas depois como de facto aconteceu, teria permitido encontrar com vida algum dos tripulantes do helicóptero, a resposta foi evasiva, referindo que confirmar isso seria especulativo!

É claro que seria especulativo, mas o certo é que o alerta chegou à Protecção Civil duas horas depois do acidente, ficando claro que a comunicação entre o INEM e a ANPC é, senão nula, pelo menos altamente deficiente.

Só a possibilidade deixada em aberto, ainda que ínfima, de que um alerta atempado poderia permitir resgatar algumas das vítimas deste acidente ainda com vida, só isso OBRIGA a que se apurem responsabilidades sobre este atraso de duas horas no alerta, mas também as responsabilidade em termos gerais para o estado em que se encontram os serviços de Protecção Civil do Estado... que somos todos nós!

A menos de uma semana de um dia que promete reunir pela primeira vez em Portugal os “coletes amarelos” que por cá temos, os motivos para protesto e indignação são mais do que muitos num país em que os banqueiros, mesmo condenados a vários anos de prisão, continuam em liberdade a viver de forma luxuosa como ainda esta semana a revista Sábado dava conta, ou em que há vítimas dos incêndios de 2017 que continuam sem as suas casas enquanto outros indivíduos ganharam novas casas a que nem tinham direito, ou onde armas desaparecem de instituições militares sem que nada se saiba em termos de culpados nem ninguém seja punido, neste país em que o Estado somos mesmo todos nós, devemos exigir responsabilidades! Temos esse dever!

Jorge Reis

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