Por cá no Brasil tem uma música cujo nome é, “Do Lado de Cá”! Em um trecho da canção do grupo Chimarruts diz:

“Do lado de cá
A vista é bonita
A maré é boa de provar
Do lado de cá
Eu vivo tranquila
E o meu corpo dança sem parar
Do lado de cá
Tem música, amigos
E alguém para amar
Do lado de cá”

Parece uma oração porque esse é o desejo, não somente dos brasileiros, mas da população mundial. Quem não quer ter uma vida tranquila, sem problemas pessoais, financeiros, psicológicos, empresariais e até amorosos? Mas a vida é feita de fatos meus amigos que consequentemente se tornarão históricos.

Como disse o escritor português Eça de Queirós: Não há nada novo sob o Sol, e a eterna repetição das coisas é a eterna repetição dos males. Quanto mais se sabe mais se pena. E o justo como o perverso, nascidos do pó, em pó se tornam.” Eu também tenho essa sensação de que em alguma época, em algum lugar desse imenso mundo, até mesmo em cidades, países, locais que já não existem mais, as coisas estão somente se repetindo.

Premonição? Não.

Acredito que Queirós tinha o mesmo pensamento, ou sentimento que nós brasileiros, portugueses, enfim, a população mundial almeja. Lutamos para termos boas notícias, ou vivermos, no mínimo, com um pouco de alegria. Essa tal busca pela felicidade que é formada pela união de fragmentos em uma batalha diária, é ligada pelas juntas e medulas do tempo que se recusa a nos dar fôlego para entendermos com um olhar clínico, o que de fato está a acontecer.

Mas continuemos... Vamos falar do “lado de cá”, o Brasil.

Salvo os privilegiados, mesmo com o COVID-19, o inimigo invisível, com o início desse período pré-apocalíptico, alguns ainda estão a dizer que todos estão no mesmo barco. Não. Alguns estão em seu iate comendo lagostas e desfrutando de bons momentos, agindo como Nero, vendo de longe o fogo pegar na Nova Roma, o Brasil. Outros estão em navios, acompanhados de algumas pessoas, e que tem o privilégio de viver o lado bom da vida sem se preocupar com o dia de amanhã. E existem aqueles, na realidade um número significativo, que está em canoas lotadas e furadas. Estão tirando água de dentro delas à espera de um milagre; e enquanto ele não chega ficam com as mãos estendidas pedindo ajuda ao governo actual que é totalmente bipolar.

Querem saber como está o Brasil meus amigos? Em um total dilema. 

E os brasileiros? Lutando bravamente. 

No mundo, nós brasileiros somos conhecidos como, “o povo que não desiste nunca” e “os que fazem piadas das tristezas”.

Não vou negar porque essa é uma verdade incontestável. Não somos debochados, não é essa a razão do porquê agimos de tal forma. Mas pensamos: “se for para cair, caímos; contudo, nos levantamos do tombo com elegância e sorrindo do vexame”. E para falar a verdade, ou escrever aqui a ‘minha’ sinceridade, começamos a usar esse modo de defesa com mais frequência depois que iniciou a política actual e quando surgiu o negacionismo da existência da pandemia, pela maioria das pessoas e dos políticos, em especial, o presidente da república. A política está intragável, eles abrem suas bocas que são como um túmulo aberto; usam suas línguas para ludibriar, enquanto, debaixo dos seus lábios está o veneno da serpente.

Quer saber como está o Brasil? Escolha uma emissora de TV. Diante da sua opção, se o dono for “amiguinho” e compactuar com o conceito político do Brasil, o percentual a respeito dos números de desempregados, de pessoas que morreram na pandemia,  de pessoas que estão passando fome, do progresso dos programas governamentais que à priori são para ajudar a população, mas não funcionam; todas as notícias serão positivas e vocês verão somente um lindo cenário do Brasil.  

No final de tudo, a pessoa decide qual a realidade que deseja viver; a virtual ou a verdadeira.

Tenho o meu posicionamento, mas isso é assunto para uma outra escrita em “À Direita depois do Equador!”. Contudo, tenho um alerta de spoiler, o nome direita está somente no título da minha coluna, aqui no Portal Luso Notícias.

Como jornalista e pesquisadora observei que o mundo também enxerga os brasileiros como os que gostam de uma baderna porque, agindo assim, ela nos tira da ansiedade da luta. Ou seja, quando há uma crise, uma catástrofe nacional, fechamos os olhos. Mas não é bem assim. Desde o ano de 1889, quando o Brasil se tornou uma República, parecia que tudo seria diferente para o povo, ele seria ouvido e a ajuda viria rapidamente, mas até hoje, é claro que um pouquinho pior, essa assistência está a passos curtos. 

“Do lado de cá”, em pleno século XXI, o que existe é uma prática já conhecida, a patrimonialista tipicamente brasileira, denominada coronelismo. O presidente por ter o poder na ponta de uma caneta, está dia a dia lutando para transformar os brasileiros em suas marionetes. Fato.

Para o ano de 2022, no qual será decidido quem governará o Brasil, os candidatos estão com facas entre os dentes e sangue nos olhos e percebo que as pessoas estão apreensivas como nunca acontecera. Mas, para aliviar a tensão, o governo prefere somente colocar boas notícias para a população. Afinal de contas estamos perto do Natal, do Ano-Novo, o Carnaval de 2022 está à porta e o governo não quer ficar estressado porque a crise, a catástrofe tem um sabor de “revolução”. Uma tempestade está eclodindo, mas depois de tudo arrasado quem sofrerá será a população que ficará num beco sem saída e querendo ou não terá que se torna uma Fênix... renascer das cinzas. 

Enfim, o que nos resta é esperar e usar nossa inteligência porque não podemos cair no Conto do Vigário.

Como diz aqui no Brasil: “Entendedores... entenderão”. 

Feliz-Natal e um próspero Ano-Novo, queridos amigos. 

E que Deus nos ajude nessa jornada da vida!

SuzanaDantas

por Suzana Dantas

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