Passos-PortasO liberalismo (ou neo) que se usa para adjectivar este Governo é uma das maiores mistificações que tem sido produzida por estes tempos. Uns por pensarem que rende eleitoralmente, outros por pura ignorância, encontraram assim um chavão tipo lobo mau que nos tenta colocar a todos nós, portugueses, no lugar do capuchinho vermelho.

Só que olhando para os factos notamos que o Estado está com um apetite fiscal insaciável quando o liberalismo significa menor quota de apropriação dos rendimentos pelo Estado, que a transferência para mãos privadas de monopólios base tem sido, muito mais que uma obrigação, um desejo, enquanto liberal significa livre concorrência e mercado perfeito, que a teia burocrática e o novelo administrativo não recuaram um milímetro na sua camisa-de-forças e liberal será menor carga administrativa/licenciadora.

Podemos ser ideologicamente mais próximos de Hayek ou de Keynes (ou mesmo Marx), concordar mais ou menos com a escola austríaca, o que me parece abusivo é chamar liberal a este serviço a interesses, que até são fáceis de identificar, a um Estado ao dispor de alguns.

Não sendo liberal, este poder não é também europeu no seu modelo social, como ficou amplamente demonstrado com a claramente ideológica tentativa de transferir o custo da taxa social única dos empregadores para os trabalhadores.

Fascista ou socialista também não, não tem dinheiro para o folclore associado.

Chamar-lhe de direita é um insulto a toda a história da democracia cristã, do nacionalismo ou até mesmo de uma certa monarquia.

Deixo duas hipóteses de tipologia a considerar: ou pós-soviética, no serviço a interesses bem instalados, ou sul-americana, enquanto república das bananas.

Talvez quando classificarmos estes meninos com os modelos que efectivamente têm vindo a servir se perceba o vazio de conteúdo que representam. E o perigo que constituem.

DiogoACorreia

Diogo A. Correia

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