oftalmologia.opinaTerminou a 12ª e última avaliação da troika, o que deixou Paulo Portas e o resto do governo com a sensação de “missão cumprida”. Aos olhos de quem governa, o país está melhor nas contas públicas e numa série infindável de itens. Independentemente da argumentação proveniente das sedes de PSD e CDS-PP ou das críticas arquitectadas pelos aparelhos de PS, PCP e BE, será que os portugueses estão realmente melhor?

Na rua, no café, no mercado ou no centro de saúde à espera de médico, os rostos dos portugueses não espelham felicidade, nem os seus poros transpiram confiança. O sentimento geral é, podemos dizer, de insegurança, pelo que sentiram na pele nos últimos três anos, em que viram degradados os rendimentos familiares e desprezada a ideia de um Estado com função social.

Em três anos, além de uma carga fiscal reconhecidamente incomportável, de cortes em salários e pensões, de desemprego real assustador, os portugueses suportaram ainda as consequências do abandalho do Estado social.

Escolas sem recursos humanos suficientes, hospitais sem macas nas urgências, viaturas de emergência paradas por falta de médico, medicamentos em falta nos hospitais constam numa longa lista de títulos dos jornais que ao longo de três anos fizeram o retrato de um país “entroikado” e que caminha para condenar o interior à desertificação, retirando-lhe tribunais e repartições de finanças. Reforma do Estado ainda não há, nem se sabe quando surgirá a luz ao fundo desse túnel, mas temos menos Estado nos sectores onde ele é mais preciso, na saúde, na educação e na justiça.

Por isso, quando a troika se prepara para sair, os olhos de cada um veem o que cada qual quer ver. Mas, fora dos corredores dos poderes e das lógicas partidárias, os olhos da plebe estão focados na lista de espera para a consulta de oftalmologia ou noutras coisas tão banais como vislumbrar o fim do mês sem pensar na carteira vazia.

De certo, sobra um 2015 diferente – o IVA passa a ser taxado a 23,25% e a taxa social única de quem trabalha a 11,2%. E aos olhos de alguns não haverá nem aumento de impostos nem cortes nos salários…

farto de coelhoDomingo qualquer que seja a decisão do governo sobre o pós-troika, sabemos que nos vão falar em saída limpa, mesmo que inclua uma qualquer espécie de programa cautelar.

Mas, limpinho, limpinho, só no futebol e não é sempre…

Do Facebook…

O Facebook e as restantes redes sociais afinal não são apenas aqueles sítios por onde os desempregados se perdem. Afinal não há só tiradas de mau gosto, também por lá cabe a possibilidade de disfrutar momentos de humor e que demonstram grande criatividade e vontade de dar alma aos negócios mesmo em períodos, como que vivemos, de políticas sem alma. E como diz o anúncio, se está farto de coelho procure um suculento bife num restaurante perto de si…

Do futebol…

juve.slb2Os êxitos do futebol fora de portas sempre foram acompanhados de manifestações patrioteiras, do tipo no “chuto na canela” ninguém nos ganha, mas vão servindo de escape em tempo de crise.

Deixando de lado as considerações sobre o custo-benefício de o país ter pelo menos um sector de grande sucesso, o futebol, cumpre render homenagem a um Benfica, que tem tanto de artista como de trabalhador, e que esta semana deixou a arrogante Juventus em estado de choque. E, acrescente-se, que este clube filho do povo deu mais uma alegria a uma grande parte dos portugueses. 

CarlosTrigo

Carlos Trigo

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