elvas.rondao.mocinha1A história do presidente que recusou ser vereador e do vereador que queria continuar presidente começou, finalmente, a incomodar o PS, um partido demasiado ocupado na questão nacional e sem tempo para atentar numa ‘guerra’ local. Antes tarde do que nunca, a Federação socialista de Portalegre acordou para um problema que de tão ridículo só serve para incomodar a vida autárquica de Elvas e para manchar a imagem de um partido que ambiciona regressar ao governo do país.

O problema em Elvas é simples, mas na política há sempre quem desdenhe a simplicidade e torne complexas (será confusas?) as coisas simples. Nuno Mocinha, presidente eleito, fartou-se dos comportamentos de dois vereadores – Rondão Almeida, ex-presidente, comendador e homem forte do PS local, e Elsa Grilo, braço direito do primeiro – e retirou-lhes os pelouros atribuídos. E uma ‘guerra’ interna que poderia (e deveria) ter terminado onde começou estendeu-se a uma câmara que desde há quase duas semanas ficou em modo ingovernável.

Diz agora a Federação socialista de Portalegre que “tem estado particularmente atenta à crise institucional que se instalou, nos últimos dias, na Câmara Municipal de Elvas” e até explica que entendeu, numa primeira fase, ficar sossegada para não ser “contraproducente relativamente à resolução do problema” e por recear, percebe-se no comunicado divulgado hoje, o rótulo de “ingerência no órgão institucional livre e democraticamente escolhido pelos elvenses”.

Todos, dentro e fora de Elvas, conhecem Rondão Almeida, personagem a que se poderia chamar DDT (Dono Daquilo Tudo), tal a sua influência política a nível local. Fácil seria perceber que aquele que foi presidente da autarquia entre 1993 e 2013 dificilmente se aconchegaria no estatuto normalmente concedido a um vereador. É, decididamente, pouco fato para tamanha personagem.

Diz agora o PS distrital que importa “avaliar a possibilidade da nulidade de deliberações que retirem poderes de atuação ao Presidente da Câmara Municipal, porque o seu poder advém da legitimidade democrática conferida pelos eleitores em Eleições Autárquicas, ou das deliberações de concelhias que retirem uma confiança política que foi dada apenas pelo Secretário-Geral do Partido Socialista”.

Em Elvas, como no País, é preciso clarificar posições para que fique em cena quem é de cena. A audiência está ficar saturada.

elvas.infog

CarlosTrigo

Carlos Trigo

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