elvas.rondao.mocinha1Um Coliseu, um bairro, uma avenida e as inúmeras placas que assinalam inaugurações fazem de Rondão Almeida uma referência de Elvas. Foi presidente da Câmara (1993-2013) e foi vereador com estatuto especial (Outubro 2013 a Julho de 2014), hoje mantém-se vereador mas sem pelouros e, talvez pela primeira vez no seu longo percurso de autarca elvense, perdeu um “combate” político.

Solucionada a crise que parecia não ter solução, Nuno Mocinha recompôs o executivo de maioria socialista na CM Elvas, fazendo regressar Vitória Branco, primeiro, e Manuel Valério e Tiago Afonso, numa segunda fase. A Câmara até já tem um vice-presidente, Manuel Valério, algo impensável há semanas atrás quando estalou o verniz entre o presidente Nuno Mocinha e os vereadores Elsa Grilo e Rondão Almeida, também do PS.

O PS assumiu, em Julho e Agosto, no executivo, o duplo papel de partido do poder e de oposição, deixando isolado o presidente Nuno Mocinha e colocando na “oposição” Elsa Grilo, Rondão Almeida, Manuel Valério, Vitória Branco e Tiago Afonso.

No centro da crise, Rondão Almeida poderá ter chegado ao fim de uma longa carreira política. Ainda em 2013, já com o título de comendador (Ordem do Infante D. Henrique), criou uma lista do PS para a câmara liderada por Nuno Mocinha, seguido de Elsa Grilo e dele próprio, que também figurou, na primeira posição, na lista à Assembleia Municipal. Impedido por lei de voltar a recandidatar-se à presidência da câmara, viu o PS voltar a “esmagar” os adversários – os socialistas conquistam seis mandatos e o CDS-PP apenas um. Mas cedo se percebeu que Mocinha perdia em protagonismo com Elsa Grilo e com o comendador Rondão, que muitos continuavam a ver como o ‘verdadeiro’ presidente. Cansado de uma autarquia com “duas câmaras”, no dia 15 de Julho, Mocinha retirou pelouros aos vereadores Rondão Almeida e Elsa Grilo. E começou aqui a crise política, prolongada com episódios de grande agitação e apontando a uma queda do executivo.

Tiago Abreu (CDS-PP) era então o único vereador que apoiava Nuno Mocinha. “Isto parece uma república das bananas (…) Começa a cair um regime que está podre e que tem prejudicado muito a cidade”, disse, em declarações ao jornal Linhas de Elvas.

Elsa Grilo e Rondão Almeida acabariam, contudo, por ficar isolados, com o regresso dos restantes três vereadores ao executivo.

Rondão Almeida, de presidente a vereador sem pelouros

Figura incontornável da vida autárquica elvense, Rondão Almeida – presidiu à CM Elvas entre 1993 e 2013 – deixou a sua marca na cidade. Só o impedimento legal o impediu de se recandidatar a novo mandato.

“Nasceu para mandar”. Em editorial, o director do jornal Linhas de Elvas, João Alves e Almeida, sintetizou desta forma o perfil do homem que liderou os destinos de Elvas durante duas décadas.

Figura carismática e controversa, Rondão Almeida nasceu em 1965 na Freguesia de Caia e São Pedro, Elvas. Presidiu à CM Elvas entre 1993 e 2013. A carreira política no PS começou em Évora - vereador da Câmara entre 1983 e 1989 – e incluiu vários cargos de nomeação política: delegado regional do Alentejo do FAOJ, de Janeiro de 1983 e Dezembro de 1988; delegado Regional do Alentejo do Instituto da Juventude, de Dezembro de 1988 e Dezembro de 1993.

De regresso a Elvas, em Dezembro de 1993 foi eleito presidente da Câmara. Foi reeleito em 1997, 2002, 2005 e 2009. A sua marca como autarca está directamente relacionada com obras realizadas, uma delas a transformação da praça de touros em espaço multiusos e a que foi dado o nome de Coliseu Rondão Almeida.

Hoje, num cenário que ele próprio desenhou, experimentou o travo amargo da derrota, a que não estava habituado. É vereador sem pelouros.

CarlosTrigo

Carlos Trigo

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