fechado.obras1O sistema informático da Justiça não funciona, o da Educação dá erro. Há hospitais à beira da ruptura por falta de enfermeiros, a emergência médica tem falhas… O País entrou em obras e já não sabe se a normalidade segue dentro de momentos.

Sem oposição, já que o principal partido à esquerda do governo anda entretido e absorvido em questões primárias, quem governa vai passando ao lado das inoperacionalidades, que, afinal, castigam apenas os cidadãos. Ficasse o sistema informático da Justiça parado até novas ordens e noutras circunstâncias e já teríamos inflamadas intervenções a exigir consequências. E por menos do que os erros que esta Educação tem cometido já vimos manifestações de encher o olho e a Avenida da Liberdade. Mas, o País está assim, anestesiado, fechado para obras.

Uma parte emigrou, outra caiu no desemprego ou no receio de para lá escorregar. Talvez por isso, o cidadão olhe para o BES com a indiferença de quem encolhe os ombros, estranhe que um tribunal tenha mão pesada no caso Face Oculta e ache normal que os sistemas informáticos da Justiça e da Educação bloqueiem no final do Verão. Bem vistas as coisas, se fecham tribunais, se encerram escolas, talvez nem seja preciso voltar a reinicializar os sistemas informáticos.

O País fechou para obras em Setembro. Regressará, um destes dias, a funcionar como de costume.

Do Facebook

“Caso ainda não tenham reparado, Portugal estoirou em setembro. Citius, tribunais, ensino, enfermeiros, hospitais, serviços de manutenção, organizações de solidariedade social — está tudo para lá de esgotado. A bolha do turismo disfarça o estoiro, mas que ele se deu, deu. Pum.” – Paulo Querido

“Os grandes conquistadores do poder conquistam-no pelo dinheiro com que compram poder, pelas honrarias como que distribuem vaidades ou pelos desleixos que fomentam nos serviçais. Há muitas chaves para outras tantas fechaduras dos vários circuitos e interstícios do mesmo poder, tanto nos corredores e saguões como nas portarias e vãos de escada. Onde cada homem tem sempre um preço que não é necessariamente o dinheiro. Infelizmente, certas cedências podem subverter os valores essenciais em que assentam as democracias e as pátrias.” – Adelino Maltez

Dos jornais

“Este “ano” vai ser particularmente estranho, bizarro, confuso, caótico. Pode utilizar-se um só factor explicativo – é um ano pré-eleitoral, logo o eleitoralismo é o principal factor explicativo do que acontece, dissolvendo todos os outros. Ele não os faz desaparecer, mas dilui-os num ácido muito especial, a demanda pelos votos” – Pacheco Pereira, no Público

“Três horas após ter dado entrada nas Urgências do Hospital de Santa Maria da Feira, Laurinda Gomes Ferreira acabou por morrer nos braços da irmã sem que tivesse sido atendida, apesar dos pedidos de ajuda da mulher. A família avançou com um processo-crime contra o hospital e garante que irá até às últimas consequências. O conselho de administração da unidade de saúde instaurou um processo de averiguações” – Correio da Manhã

CarlosTrigo

Carlos Trigo

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