burrosÉ certo que “todo o burro come palha, a questão é saber dar-lha”. Igualmente certo que os provérbios se ajustam à esquerda e à direita, conforme a conveniência do momento, mas a sabedoria popular, no que toca a burros, dita “leis” que se vão mantendo, teimosamente, actuais através dos tempos.

Nos tempos que correm, pós-modernos (se considerarmos que a modernidade nasceu com Tempos Modernos, de Chaplin), tudo se resume, ou quase, à arte de saber servir a palha. É assim, com arte e algum engenho, que se vende gato por lebre, que se promete felicidade e se serve austeridade, que se anunciam reformas e se provocam colapsos, que se promovem cursos vocacionais e se rebaixa a escola pública. Da promessa à realidade, vai todo um mundo de ficção, tecnologicamente pimba e intelectualmente obscena.

Na Justiça, para justificar o encerramento de Tribunais no interior, lançou-se uma reforma que colapsou o sistema informático, na Educação programou-se uma delirante colocação de professores, onde a sucessão de “zeros” e “uns” foi dando cabo dos nervos a docentes, encarregados de educação e alunos. Acresce o que já foi sendo alertado por especialistas – os sistemas informáticos das Finanças e da Saúde estão à beira da exaustão.

Como um doente que não morre da doença mas fica irremediavelmente envenenado com a cura, o País está à beira do colapso.

O quadro começou a ser pincelado há três anos e meio e, ainda por acabar, entre riscos e rabiscos, já se percebe a falta de arte dos artistas principais. E, um quadro destes, até um burro com chapéu de palha faria melhor.

Do desemprego e das suas consequências

A reportagem da RR sobre ‘call centers’ é mais um dos retratos deste país que condena uma parte da população a trabalho mal pago. O que resta das ofertas de emprego aponta a funções de ‘grande responsabilidade e altamente stressantes’, executadas em horários variáveis, a troco de 2,5 euros/hora.

Um dedo vale mais do que mil palavras

Aos 85 anos, Frank Gehry, arquitecto consagrado, quando convidado a comentar as críticas que alguns lhe apontam por praticar ‘arquitetura-espetáculo’, respondeu usando o dedo, logo o do meio…

gehry.dedo

A foto de José Luís Cereijido, da agência Efe, correu mundo.

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