charlie3Quando uma caricatura incomoda, o que poderá dizer-se de um jornal satírico recheado de ilustrações, intencionais e assumidamente polémicas, onde o humor é uma arma? Que incomoda muito mais, é certo. Talvez por isso, dois fundamentalistas islâmicos, para quem nem a arte nem a liberdade de expressão têm qualquer significado, tenham eliminado quatro cartoonistas e um jornalista do semanário Charlie Hebdo.

Na sua insanidade, revelada a tiro de Kalashnikov, os dois fundamentalistas islâmicos mataram 12 pessoas e causaram ferimentos em 20. Pela sua cabecinha confusa, inebriada pela perspectiva de um paraíso repleto de virgens, terá passado a ideia de resolver uma questão sagrada. Mas mais não fizeram do que replicar as caricaturas de Maomé e a crítica mordaz à irracionalidade dos transviados seguidores de uma versão certamente impura dos mandamentos do profeta.

Por cá, o Sindicato dos Jornalistas repudiou o atentado e prestou homenagem à "resistência e coragem" dos que "amam até aos limites a liberdade de expressão". Num comunicado na página na internet do sindicato afirma-se também a solidariedade para com a dor e revolta dos camaradas e familiares das vítimas do atentado, 12 até ao momento, 10 trabalhadores do semanário satírico e dois polícias: "Tendo-se distinguido pelos seus desenhos satíricos, frequentemente polémicos, sobre diversas realidades políticas e religiosas, o ´Charlie Hebdo´ pagou um preço muito caro, profundamente injusto e completamente intolerável pelas suas opções".

Por todo o mundo vão surgindo mensagens de indignação. Com o sangue que fizeram correr na redacção do semanário, os insanos fundamentalistas não apagaram as caricaturas polémicas, potenciaram a sua réplica e afiaram os lápis para novos “retratos” dos déspotas deste mundo.

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D.R. | Observer

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Carlos Trigo

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