O magnifico Salão Preto e Prata do Casino Estoril teve a honra de receber o cantor Paulo de Carvalho para mais um fabuloso concerto. Memórias, emoções e muita empatia foram os pontos fortes deste evento realizado no último dia de Abrilem que o cantor deliciou o público num espetáculo único, revivalista e minimalista com o certificado da M80.

Com casa cheia no icónico Salão Preto e Prata, o público ouviu, participou e cantou muitos dos êxitos que marcaram a história da música portuguesa, com o canal de Cultura do portal LusoNoticias presente no registo deste evento, lado a lado com muitas figuras públicas da sociedade portuguesa que fizeram questão igualmente de ali estarem presentes. Nomes como os de Tó Zé Brito, Lili Caneças, o engenheiro Vieira Coelho, Eládio Clímaco ou a cantora Dora, entre outros conhecidos do grande público, distribuíram-se por uma plateia que vibrou em uníssono com o cantor.

Paulo de Carvalho, com 70 anos de idade e 55 de carreira, começou o seu percurso na música como baterista. Em 1963 foi um dos fundadores dos "Sheiks" e fez parte de vários grupos, entre eles a Banda 4, o projeto "Fluído" e o "Thilo´s Combo" de Thilo Krasmann. Nos anos 70 iniciou uma carreira a solo, tendo em 1971 ficado em segundo lugar no festival RTP da Canção. E se nesse ano não venceu, a vitória surgiu em 1974, culminando um longo e distinto percurso musical, triunfando no festival RTP da canção nesse com “E Depois do Adeus”, a música que viria a ser uma das senhas para a Revolução dos Cravos em 25 de Abril desse ano.

Em 1976, Paulo de Carvalho inicia uma parceria com Júlio Pereira e estreia-se como compositor com a canção “Lisboa, Menina e Moça”, tema celebrizado por Carlos do Carmo.

Estes temas foram percorridos no concerto do Salão Preto e Prata, com Paulo de Carvalho a dar conta de muito e uma voz inconfundível com a qual presenteou o público com temas incontornáveis. “Maria Vida Fria", "Dez Anos", "Abracadabra" e "Executivo" surgiram assim no alinhamento de um espectáculo em que o público foi agradecendo de pé com enormes ovações, transmitindo emoção e saudosismo.

A noite prosseguia por esta altura com temas como os "Putos" e "Lisboa Menina e Moça", avançando Paulo de Carvalho para uma homenagem a Ary dos Santos. Depois, e após cantar o tema "Beijo à Lua",  fez um agradecimento especial a Bernardo, conhecido por muitos apenas como "Agir”, o filho de Paulo de Carvalho que subiu ao palco e ofereceu ao pai um troféu comemorativo do lançamento do disco "Duetos".

O concerto aproximava-se do final, ultrapassadas duas horas de um espectáculo que terminou com os êxitos "Mãe Negra Meninos Do Huambo", "Gostava de Vos Ver Aqui", "Nini" e " E Depois Do Adeus".

Agir e Paulo de Carvalho partilharam o palco oferecendo ao seu público a canção "O Meu Mundo Inteiro", da autoria de Paulo de Carvalho, porque quando não temos ninguém, pai e filho estarão sempre presentes.

Sem nunca poder dizer “adeus”, sobretudo porque deu voz ao canções que ficaram registadas na identidade de gerações e que se colam à Historia, servindo de banda sonora a revoluções e a vidas inteiras, Paulo de Carvalho também não disse adeus no final deste espectáculo, até porque, "Depois do Adeus" vem sempre uma nova caminhada, logo depois deste que foi um espectáculo sensacional de memórias, empatia e muita partilha de emoções.

reportagem: Glória Resende e Tito de Sousa (fotos)

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