O Salão Preto e Prata do Casino Estoril continua com a capacidade de alinhar os astros para noites ímpares e eventos únicos mesmo em tempos de pandemia, procurando sempre cumprir a sua missão de ter na defesa da Cultura uma das máximas a ter em conta. Desta feita, na última quinta-feira, no mesmo dia em que se assinalou o Dia Mundial da Música mas também o Dia da Água, um nome conhecido por muitos senão mesmo por todos avançou para um espectáculo que foi aliás uma reunião de amigos, onde a música foi uma constante e a água, essa, também esteve presente, ou não tivesse o nosso protagonista na origens uma terra distante lá longe no meio do mar.

Falamos de Carlos Alberto Moniz, açoriano de 72 anos, natural da ilha Terceira, mas sem dúvida um cidadão do Mundo que nesta quinta-feira subiu ao palco do Salão Preto e Prata, do Casino Estoril, para receber muitos dos seus amigos de sempre para uma noite em que se celebrou a música, uma carreira, sem dúvida a amizade e, afinal a Cultura ao longo daquele meio século em que foram surgindo as músicas de Carlos Alberto Moniz, com sons e mensagens que garantiram um espaço no nosso imaginário musical e cultural de cinquenta anos, sem dúvida uma vida. O percurso foi feito em uma noite e dele damos conta por entre títulos e notas visuais.

...na plateia do Salão Preto e Prata

Por entre todas as contingências das necessárias fintas ao Covid-19, máscaras e afastamento social não foram capazes de impedir a união de vozes ímpares como a anfitrião Carlos Alberto Moniz e a da sua filha Lucia Moniz, mas também de outros nomes da musica como Silvestre Fonseca e Inês Fonseca, também Vitorino, ainda o cabo-verdiano Dany Silva, ou outros nomes como os de Carlos Araújo, Hugo Carvalhais e Tico, ou Luís Ruvina, Inês Fonseca, Carlos Alberto e Rui Veloso, nomes que não carecem de grandes apresentações, valendo cada um por si mesmo para uma noite ímpar de música e em português ainda que por vezes insular.

Ao fim de 50 anos, Carlos Alberto Moniz mantém um registo melodioso que permitiu para o palco do Preto e Prata uma noite de memórias da juventude de muitos e de tempos que se diz por aí que já não voltam. “Charamba”, “Olhos Pretos”, “Pastor? Lira” (com Vitorino em palco “à capela”) e “Saudades, Açores, Cabo Verde” (com Dany Silva), permitiram o início de um rolar de sentimentos e nostalgia, continuado com o “Fado de Coimbra” e a “Confissão”, talvez porque “O Amor Virá Mais Tarde”.

Carlos Alberto Moniz e convidados

Recordando os amores da juventude, Carlos Alberto Moniz lembra-nos que “Era Linda” (com Lúcia Moniz e Inês Fonseca em palco), quem sabe aquela que um qualquer “Cupido” tentou “Para Ti” e acabou por originar um “Perco-me” (com Rui Veloso) no olhar do “Espelho” do tempo. Afinal, ouvir e sentir a música neste dia da música é também recordar “O Amor” numa viagem “À Descoberta do Amor” que nos faz olhar o “Retrato” (de novo com Lúcia Moniz), sentir “O Beijo” e acreditar que “Tu Voltas” (uma vez mais com Rui Veloso em palco).

Aberto o caminho para a terceira parte deste espectáculo, a viagem da noite prossegue “A Oriente” (com Luís Ruvina), com “Patxi” e aquele que afinal terá sido um reconhecimento feito muito cedo... “Eu Tenho de Fazer Uma Canção”.

A noite estava a chegar ao fim e em todos os que preencheram a lotação agora limitada do Salão Preto e Prata ficou a certeza de que aquele que estava em palco “Era um Homem de Sucesso”, um indivíduo humilde que sempre cantou “O Amor”, que recordou neste assinalar dos 50 anos de uma carreira que marcou muitos... e também a nós. Venham mais 50!

Carlos Alberto Moniz e convidados

LusoCultura/Jorge Reis
fotos: Casino Estoril/Conceição Alves

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