Quando, a meio do concerto do último domingo no bem composto Altice Arena, com mais de 80 por cento da lotação preenchida, os Roupa Nova disseram que iriam voltar àquela sala no próximo domingo, mais de metade do público ali presente aplaudiu com a secreta esperança de que tal fosse verdade.

Era apenas uma brincadeira, mas a qualidade da banda que mantém a garra dos tempos da sua formação, nos anos 80 do século passado, justificava a vontade de muitos de que tal fosse verdade. Não o sendo, restava assim continuar a acompanhar um concerto que agarrou o público no Altice Arena desde o primeiro tema, o “imortal” “Linda”, que colocou logo ali milhares de vozes a cantar em coro um tema que desde há muito virou um dos “hinos” desta banda brasileira.

Na memória de muitos os que foram até ao Altice Arena na noite chuvosa de domingo estava ainda a última passagem dos Roupa Nova por Lisboa, há um ano, quando subiram ao palco do Campo Pequeno e do Coliseu de Lisboa, para dois concertos em que arrasaram. Desta feita, sem ninguém a surgir para uma primeira parte — em 2018 essa responsabilidade coube ao jovem Luiz Cruz —, e com a formação original — no ano passado Kiko Pereira não viajou com a banda até Portugal tendo dado o seu lugar ao jovem Felipe Milanio —, os Roupa Nova voltaram a brilhar de igual modo com os seus temas de sempre mas também, aqui e ali com alguns originais.

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Paulinho (voz e percussão), Serginho Herval (bateria e voz), Nando (baixo e voz), Kiko Pereira (guitarra, violão e voz), Ricardo Feghali (piano, teclado, guitarra, violão e voz) e Cleberson Horsth (piano, teclado e voz) fizeram passar por aquele que é actualmente um dos palcos mais importantes dos espectáculos de Lisboa temas como o já referido “Linda”, mas também “Trem Azul”, “Volta para mim”, “Dona” ou “Whisky Go Go”, procurando sempre a melhor interacção com o público que não regateou aplausos às músicas.

Os aplausos surgiram também perante as diversas mensagens que a banda foi passando, nomeadamente quando foi pedido um gesto pela paz global, com o acender das lanternas dos telemóveis em toda a plateia, ou quando se pediu para o Rio de Janeiro a paz que Lisboa conhece e pela qual os cariocas e os brasileiros em geral aspiram.

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Sendo certo que os Roupa Nova não irão estar de novo entre nós já no próximo domingo, ficou a certeza de que a garra e a energia desta banda continua em pleno, disponível por certo para regressar porventura em 2020 até junto do público português e aos muitos brasileiros que vivendo entre nós não perdem a oportunidade de recordar a sua terra com o recurso a uma banda que é hoje embaixadora permanente do seu país.

Desta noite de domingo fica na memória mais uma boa actuação dos Roupa Nova e a certeza de que cá estaremos de novo quando voltarem, ainda que a “roupagem” musical desta banda seja cada vez mais conhecida e tendencialmente menos nova. Até à próxima Roupa Nova!

reportagem: Jorge Reis

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