No dia em que o recinto do NOS Alive deu conta do menor fluxo de público comparativamente com os restantes dias do festival no Passeio Marítimo de Algés, os cabeças de cartaz eram os Vampire Weekend, banda que voltou a Portugal seis decorridos desde a sua última passagem por terras lusas. Num dia em que pelo palco principal passaram nomes como os Greta Van Fleet, que se estrearam em terras portuguesas, o público foi-se esquecendo de passar pela zonta frontal ao Palco NOS, deixando quase a sensação por vezes de estarmos no Alive... mas pouco!

Oriundos de Frankenmuth, no Michigan, os Greta Van Fleet são, por definição, uma banda rock ocupa que veio animar o festival neste dia 12 de Julho. Em palco apresentaram-se bastante empenhados, um quarteto que fez questão de ir ao encontro do 'velho' rock do passado. Talvez assombrados pela sua parecença com Led Zeppelin, nem por isso esta banda se inibiu de cantar e mostrar a sua garra de rock.

Formado pelos três irmãos Kiszka, nomeadamente Josh e Jake (gémos), na voz e na guitarra, e ainda Sam, o mais novo, a quem se juntou Danny Wagner, encontraram o nome da banda no nome de uma mulher que, aos 88 anos, tocava violino na igreja de Frankenmut, uma remota cidade com menos de 5.000 habitantes no estado americano de Michigan, onde tocou também gaita de foles e bateria.

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Gretna, a “homenageada”, só soube há pouco tempo que o seu nome tinha inspirado os Greta Van Fleet, quando os irmãos Kiszka foram tocar ao Fischer Hall, a casa de espetáculos de Frankenmut, de onde também eles são naturais. "Se sou eu, perdi os ensaios", ironizou Gretna ao saber pelos amigos que a banda tinha o seu nome. Certo é que os Greta contam com sete anos de banda e só têm um álbum, "Anthem of the Peacefull Army", tendo sido lançado em 2018.

O dia era ainda assim dos Vampire Weekend, eles que não regressavam a Portugal há seis anos. Oriundos de Nova Iorque, os Vampire Weekend voltaram agora a Portugal, ao NOS Alive, isto depois de, pelo meio, terem lançado o álbum “Father of the Bride”, afinal o pretexto ideal para o regresso este ano até junto do público português para apresentarem aquele trabalho.

Bem-dispostos e sorridentes, assim são os Vampire Weekend, a banda de Ezra Koenig, Chris Baio e Chris Tomson, que ao vivo se desdobra com mais quatro músicos que tocam com eles nas digressões — Brian Robert Jones, Greta Morgan, Garrett Ray e Will Canzoneri.

A partir do Palco NOS houve tempo para o carinho especial que Portugal sempre tem pela voz do vocalista, com este a responder com uma promessa: “Sei que parece conveniente dizer isto agora, mas muitos dos melhores concertos da nossa carreira aconteceram em Portugal. Prometemos que desta vez não vamos demorar seis anos a voltar.”

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Longe de ser o regresso dos Vampire Weekend a Portugal uma promessa vã, eis que no final surge o anúncio: estarão de volta já a 26 de Novembro para um espetáculo no Coliseu dos Recreios, em Lisboa.

Feito este anúncio, e antes mesmo de deixarem o palco principal deste 13º NOS Alive, houve ainda tempo para alertar para a necessária preservação do Planeta, feita através do lançamento de dois grandes globos terrestres atirados para o público... “Cuidado com o planeta, malta!”

A noite do hip hop no Palco NOS Clubbing

Com pouco público no recinto, e em particular em frente ao Palco NOS, a primeira ideia apontava para um dia mais “fraco” mas a bem da verdade o pouco entusiasmo em redor de uns espaços foi sendo compensado com o muito público em outros palcos, nomeadamente no palco NOS Clubbing, que neste dia 12 de Julho esteve sempre muito animado. Aqui, aliás, o concerto de Plutonio animou a malta que ali estava nesta noite mais fresca, com muitos temas cantados a plenos pulmões pelo rapper mas também pelos seus muitos fãs que mostraram o porquê do sucesso deste cantor luso-moçambicano.

O artista do Bairro da Cruz Vermelha, que se encontra a viver um dos mais bem-sucedidos anos da sua carreira, transporta afinal trabalhos como “Cafeína” que, com Dj Dadda, é disco de Platina, mas também “Rain” que, com Mishlawi e Richie Campbell, é disco de Ouro. Será importante referir que os seus singles “3AM” e “Preciso de um Tempo” parecem ser um excelente convite ao que será o seu novo álbum com data de saída para o início de 2019.

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Representando o “real gansta rap” e o R&B em português, Plutonio tem vindo a explorar cada vez mais os afrobeats, com uma versatibilidade que faz com que seja considerado um dos maiores talentos portugueses da atualidade pelos seus pares e pelo público que o segue “religiosamente”.

Neste dia 12 de Julho, também Dillaz integrou a Curadoria Bridgetown no Palco NOS Clubbing para a sua estreia no NOS Alive, ele que na sua própria descrição é... “nascido no Zambujeiro, desenvolvido na Madorna, Dillas para os ouvintes, Chapz para os do Bairro, André para os chegados, filho para a minha Mãe”.

Certo é que Dillaz é afinal um dos nomes maiores do rap nacional, representando o que de melhor tem produzido o hiphop tuga nos últimos anos, transportando no seu “currículo” a liderança dos M75 (Vulto, Zeca Spliff).

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Os sons do hip hop brilharam assim a grande altura neste segundo dia do Alive, provando afinal que nem sempre o palco principal de um festival é o que consegue maior atenção ou mesmo maior animação.

texto: Ana Cristina Augusto e Jorge Reis
fotos: ©NOS Alive - Arlindo Camacho e Sara Hawk

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