O primeiro dia do NOS Alive foi claramente o mais quente desta 13ª edição do festival do Passeio Marítimo de Algés, não só pelas temperaturas que se fizeram sentir, a rondar os 40 graus na região de Lisboa, mas também pelo “calor” que se atingiu em redor da prestação dos The Cure no Palco NOS, banda que justificou em absoluto o estatuto de cabeças de cartaz neste dia de quinta-feira em qua, como em todos os outros, as prestações musicais se dividiram pelos sete palcos montados no recinto.

Para além dos The Cure, houve Ornatos Violeta, porventura a banda que fez “sombra” a Robert Smith e seus pares no que diz respeito aos momentos mais elevados deste primeiro dia, mas também Jorja Smith, Loyle Carner, Stereossauro, Emicida, Kojey Radical, Tiago Nacarato, Camané e os Variações. Foi assim possível dar conta neste primeiro dia do Alive de música para todos os gostos, sem esquecer a passagem pelo Palco Comédia, o espaço “construído” por Odeith, de Carlos Coutinho Vilhena e Fernando Rocha.

Esta primeira tarde de música no Passeio Marítimo de Algés teve contudo o seu grande momento na presença no palco principal do evento dos Ornatos Violeta, banda que voltou aos palcos após uma pausa de sete anos, acabando por celebrar o vigésimo aniversário de “O Monstro Precisa de Amigos”, o álbum apontado como o mais icónico desta banda que veio do Porto até Algés, responsáveis por temas como “Punk Moda Funk” ou “O Amor é Isto”, do primeiro disco, “Cão!”, lançado em 1997.

Se já se esperava poder ouvir Ornatos com alguma emoção, a banda conseguiu desarmar o público logo no início e sem palavras, quando iniciou o concerto com “Circo de feras”, dos Xutos e Pontapés, terminando o tema com Manel Cruz a cruzar os pulsos à “Xutos”. Ficava confirmada a previsão da necessidade do “aguenta coração” para os inúmeros fãs de diversas faixas etárias que se deslocaram a este festival para os ouvir, numa prestação em palco de elevada qualidade com temas como “Ouvi Dizer”, “Chaga”, “Dia Mau” ou “Capitão Romance”, sempre com a banda plena de energia em palco.

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À terceira canção, Manel Cruz já estava sem T-shirt — a sua grande imagem de marca —, ele que ainda assim, e curiosamente, vestiu por instantes uma t-shirt de um espectador, referindo entre sorrisos não ser “normal vestir depois de despir”. Depois, no diálogo com o público, apontou o tema “Deixa Morrer” como sendo “uma das músicas mais bonitas dos Ornatos”, interpretando ainda “Nuvem”, “O.M.E.M.” e “Fim da Canção”.

Manel Cruz brindou com todos “por um mundo melhor” e explicou a importância do momento. “Sei que não acontece muitas vezes, mas é esse o encanto das coisas boas.”

Afinal, e os fãs dos The Cure que nos perdoem, mas a verdade é que neste primeiro dia, para nós, a melhor “coisa” do programa do Alive foi mesmo a prestação em palco dos Ornatos Violeta.

“Encore” dos The Cure foi brutal!

A noite, naturalmente, e colocando o nosso gosto pessoal de lado, era mesmo dos The Cure, os já referidos cabeças de cartaz deste primeiro dos três dias de festival, eles que permitiram no Palco NOS mais de duas horas de música com um alinhamento composto por 26 canções, e finalmente com uma enchente de público que até aquele momento não se fizera sentir num festival que viveu este ano a situação anteriormente impensável de ainda ter bilhetes à venda já com o evento em curso.

Grandes como sempre, provando ser afinal mais uma daquelas bandas icónicas para quem o tempo parece não passar, ou se passa permite o travo ao melhor 'vintage' do mais requintado Vinho do Porto que só ganha com a idade, os The Cure brilharam na noite quente de dia 11 de Julho no Passeio Marítimo de Algés, naquele que foi um regresso a Portugal concretizado trinta anos depois da primeira passagem por terras lusas.

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Os The Cure, banda formada em 1976, tocam pós-punk, new wave, gótico e rock 'puro', sendo hoje, quatro décadas decorridas sobre o seu nascimento, uma banda de culto, com o líder e vocalista Robert Smith, actualmente com 60 anos, a manter a sua voz de sempre, alicerçada num visual peculiar, com Smith vestido de preto, colares ao pescoço, com uma barriguinha respeitável, e mantendo-se ainda assim em palco durante mais de duas horas com uma prestação de qualidade que manteve os fãs 'presos' ao recinto do Alive. Afinal, uma noite como esta não se vive todos os dias e os The Cure, depois de um alinhamento de temas iniciado com “Shake Dog Shake”, passando por “Fascination Street”, “Never Enough”, “Just Like Heaven” ou “Pictures of You”, entre muitos outros, conseguiram no “encore” colocar os muitos milhares de fãs que encheram o recinto em frente ao Palco NOS a dançar com os temas mais icónicos da banda, nomeadamente “Lullaby”, “The Caterpillar”, “The Walk”, “Friday I'm in Love”, “Close to Me”, “Why Can't I Be You?” e, a finalizar, “Boys Don't Cry.”

Depois daquele último tema dos The Cure, se alguém chorou foi mesmo por aquele longo concerto ter chegado ao fim, tal como chegou ao final o primeiro dia do Nos Alive 2019, sempre dando corpo e justificando as frases que muitos levaram para casa nos registos fotográficos dos telemóveis ou partilharam nas redes sociais, frisando que o sonho permitido pela música é afinal bem real — “The dream is real” —, vivido afinal pelos festivaleiros assumidamente sonhadores... I’m a dreamer!

reportagem: Ana Cristina Augusto e Jorge Reis
fotos: ©NOS Alive/Arlindo Camacho - Nuno Conceição

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