Foi com aquela que é a maior sala de espectáculos de Lisboa, o Altice Arena, completamente lotado, que André Rieu deu início a Lisboa a uma série de oito concertos agendados para Portugal, ele que deixa em aberto a possibilidade de que mais datas possam ser conseguidas tal foi a receptividade do público para as propostas dos seus espectáculos, a exemplo afinal do que acontece um pouco por todo o mundo onde o Mestre Rieu, acompanhado pela Johann Strauss Orchestra há mais de 32 anos, vai esgotando salas.

André Rieu nasceu na cidade de Maastricht, na Holanda. Toca violino desde os cinco anos, tendo presente a influência do seu pai, antigo maestro da Orquestra Sinfónica de Maastricht. Actualmente em palco faz-se acompanhar por um Stradivarius de 1732, tendo sido com este instrumento que se apresentou em palco também em Portugal naquele que foi o primeiro espectáculo desta maratona de concertos, no dia 13 de Março, no Altice Arena, com sala esgotada, e um público ansioso vindo de diversos locais para se divertir com o Mestre André Rieu.

Felicidade acabou assim por ser a palavra que melhor pôde definir aquela noite de 13 de Março. Pontualíssimo no horário, a noite teve início pelas 20h30, permitindo a André Rieu ir brincando com o público que chegou atrasado reiterando a pontualidade holandesa, sempre apoiado por Joana Cruz, locutora de rádio, ela que teve a missão de traduzir o discurso de André Rieu junto do público.

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Os membros da orquestra, com destaque para as senhoras, exemplarmente vestidas sem a habitual cor “escura” a que nos habitua a música mais clássica, pareciam saídas de um filme da Disney, com vestidos dignos de princesas com cores alegres.

Depois, e em termos musicais, integraram o alinhamento composições variadas desde a última ária composta por Giácomo Puccini, a Volare, a Valsa Danúbio de Strauss Danúbio Azul, composta por Johann Strauss II, uma ária de Amor de Giuseppe Verdi, da ópera Rigoletto, “You raise me up”... entre muitos outros temas. Para tudo isto, três tenores oriundos da Hungria, Tasmânia e Bélgica, mastambém sopranas fabulosas, cantaram e encantaram a plateia do Altice Arena esgotado.

Pela noite dentro, ao longo de três horas, houve tempo para cair neve sobre a primeira plateia, soltaram-se balões e dançou se a valsa, e ninguém ficou indiferente ao desafio de André Rieu pelo que, sem quaisquer vergonhas, o público que tinha espaço fez questão de dançar ao ritmo da valsa!

Extremamente comunicativo, André Rieu foi falando com o público ao longo de toda a noite, contando histórias e partilhando sentimentos. Referiu ser um privilégio a sua profissão, fazer música, e confessou que recebe inúmeras cartas de todo o mundo e e-mails, revelando tempos difíceis nas vidas de muitas pessoas que, quando se sentem mais desesperadas, ouvem a sua música. Nos seus relatos, deu conta de que há médicos que lhe escrevem revelando que os seus doentes melhoram significativamente com a sua música, e confessou que estes relatos lhe deixam a vontade interior de poder continuar a fazer música até ao fim da sua vida.

Referiu ainda André Rieu que haverá sempre opiniões contrárias entre família, entre amigos. Há temas discordantes... Europa ou não? Brexit ou não? Fronteiras? Definitivamente Não!!! A música vive sem fronteiras... e quando temos os nossos momentos difíceis, que todos temos, há sempre alguém que nos ajuda (a propósito da música “you raise me up”).

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Ao longo do espectáculo, sempre com muita cor presente, um enorme cenário a projetar paisagens magnificas, uma projecção de uma espécie de Google maps, que se inicia no planeta e termina em Lisboa exactamente no Altice Arena!

Palmas, risos, dança, balões, neve, muita emoção... e a terminar a noite depois de inúmeros “encores”, André Rieu fecha com a "Loja do Mestre André”, um tema da infância de muitos que nesta noite, e estamos certos de que também em todas as demais noites que se seguem, deixou em todos a convicção de que o Mestre, sem dúvida, é André Rieu!

E no final, uma frase do Mestre: "Viajamos pelo mundo porque abrimos o coração e esperamos que as pessoas abram o coração", rematando: "A música une as pessoas!"

reportagem: Ana Cristina Augusto | © LusoCultura

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