O Salão Preto e Prata, no Casino Estoril, recebeu no último sábado o segundo dia do Cascais Rock Fest, o festival em que o rock dominou e permitiu, em dois dias, uma viagem aos tempos áureos deste estilo musical tão próprio. Com um público muito diferente do habitual naquele espaço, o Casino abriu as portas a cerca de 1200 pessoas, e se lá fora a noite esteve sempre fria, quem participou no dia 26 no Cascais Rock Fest não sentiu frio com certeza.

A abrir a noite esteve a banda Alcoolémia, uma banda da Amora, criada em 1992, com a formação de Jorge Miranda (voz), Manelito (guitarra) Pedro Guerreiro (baixo), João Miranda (guitarra solo) e Hugo Fernandes (bateria), com uma linhagem de composição que tinha por base o rock, variando a textura sonora ora com punk rock, hard rock, com o pop, na busca de uma sonoridade própria.

O primeiro destaque dos Alcoolémia começou com a participação na meia-final do Seixal Rock 92, onde vieram a ser umas das bandas revelação do concelho, tendo feito no ano de 1994 cerca de 100 espectáculos.

Em Setembro de 1994 “pela mão” do produtor João Martins conhecido pelo seu trabalho com os Braindead e os Da Weasel, deram inicio à gravação de 11 temas no estudio Heaven Sound em Almada, que resultou no primeiro album chamado “Não sei se mereço”, com participação do ex-Rock&Varios Mario Gramaço no saxofone.

Alcolemia

O canal francês MCM fez uma reportagem da banda em Lisboa que posteriormente foi exibida em França, em simultâneo com o videoclip do tema “Não sei se mereço” que viria a ser o maior dos êxitos do grupo.

Em 1996, resultante da excelente receptividade que o disco alcançou junto do público, nomeadamente, por vendas superiores a 10.000 unidades, foi-lhes atribuído em Março desse mesmo ano o galardão de disco de Prata, entregue pelas mãos de Herman José no seu programa Parabéns na RTP1.

Em finais de 1999 sai Carlos Botelho e entra para o seu lugar Pedro Madeira que traz novo fôlego à banda com a sua criatividade. Bem mais tarde, em Abril de 2004 participaram no “4 Cidades 100 artistas 40 horas de música“, no “100% Musica Portuguesa” com Paulo Gonzo, João Pedro Pais, Radio Macau, Jorge Palma, Toranja, Despe&Siga entre outros.

Atualmente os Alcoolémia são: João Beato – Vocalista/Guitarrista; Pedro Madeira – Voz/Guitarra Solo; Manelito – Voz/Guitarra Ritmo; Ivo Martins – Bateria; Nuno Pereira – Baixo; e Carlos Sousa – Saxofone.

Depois da banda Alcoolémia ter iniciado as temperaturas no Salão Preto e Prata, seguiram-se os Gene Loves Jezebel, que vieram ainda acelerar mais as temperaturas, uma banda britânica criada em 1988, em Londres, que toca Rock gótico, pós-punk, glam rock e new wave.

Gene Loves Jezebel

A banda é composta por Jay Aston, Michael Aston, Ian Hudson, Julianne Regan, Dick Hawkins, Peter Rizzo, John Murphy, Steve Goulding, Marcus Gilvear, James Stevenson e Chris Bell, remontando a origem da banda ao ano de 1980, quando os irmãos Aston se juntaram a Ian Hudson (guitarra) e, com apoio de uma caixa de ritmos, formaram os Slav Arian. Quando esta formação viaja do sul do País de Gales para Londres, resolvem alterar o nome para Gene Loves Jezebel e em 1987 lança o seu quarto álbum, The House of Dolls. O som da banda afasta-se do anterior gótico, tornando-se progressivamente pop, o que leva Michael Aston a deixar o grupo, em 1989.

Michael Aston contrata novos músicos e continua utilizando o nome da banda, criando uma batalha na justiça sobre o domínio do nome, e mesmo não sendo o verdadeiro Gene Loves Jezebel ele grava mais três álbuns.

Álbuns originais: Promise, (1983); Immigrant, (1985); Discover, (1986); The House Of Dolls, (1988); Kiss Of Life, (1990); Heavenly Bodies, (1993); VII, (1999); e Dance Underwater, (2017).

O festival Cascais Rock Fest, esse sem problemas com o nome, continuava a aproximar-se do final desta edição, sendo tempo para a chamada ao palco da terceira Banda, os esperados D-A-D (Disneyland After Dark)!

Para deleite dos seus fãs, que os receberam com um enorme carinho, os D-A-D, que já cantam e tocam pelo menos há três décadas sem revelarem sinais de cansaço ou sem permitirem que a passagem dos anos leve a melhor deles, mostraram ser donos de muita vitalidade e energia, remetendo para o público uma dose contagiante de rock puro e duro.

Os D-A-D originalmente conhecidos como Disneyland After Dark, formaram-se em Copenhaga no ano de 1982, com uma composição inicial em que surgiam o vocalista e guitarrista Jesper Binzer, pelo seu irmão Jacob Binzer na guitarra solo, Stig Pedersen no baixo e Peter Jensen na bateria.

D-A-D

Com a sua eletrizante mistura de punk rock e country, que autodenominavam cow punk, e uma imagem forte, começam a ganhar os primeiros sinais de reconhecimento além-fronteiras, com o grupo a conquistar terreno na Europa graças às suas contagiantes atuações ao vivo.

É já com o sucesso do single “I Won't Cut My Hair” e da versão do clássico “A Horse With No Name” no currículo que o quarteto lança “No Fuel Left For The Pilgrims”, o terceiro longa-duração, em 1989. Com produção de Nikolaj Foss e selo Medley, o álbum vê a banda a atingir o seu pico criativo e o single “Sleeping My Day Away” acaba por originar uma proposta milionária da Warner Brothers, que origina a inevitável reedição e um novo esforço de promoção, que transformam o tema num êxito.

E assim foi a noite de sábado, uma noite quente e carismática com o melhor do Rock num espaço improvável, o Salão Preto e Prata do Casino Estoril tão pouco habituado a estes ritmos mas que a ele se adaptou com uma capacidade camaleónica permitida por um público nesta noite sem dúvida diferente. Afinal, Casino Estoril Rock's!

texto: Ana Cristina Augusto
fotos: ©Casino Estoril

Imagens do primeiro dia

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