No ano das celebrações dos vinte e cinco anos de carreira a solo, Rodrigo Leão esteve em Lisboa e Porto dando-nos o privilégio de não apenas comemorar com ele 25 anos de carreira a solo, mas ainda, e como sempre nos espectáculos do artista, sermos transportados pela sua música para outro universo.

Em Lisboa, na abertura do concerto de dia 10 de novembro, o Coliseu recebeu Francisco Sales, guitarrista da banda inglesa Incognito, demonstrando muito bem alguns dos seus dotes e do trabalho “Miles Away”, álbum lançado este ano. Iniciou-se assim um final de tarde com a guitarra a emanar paz e tranquilidade nos dedos do artista, ficando certo de que certamente ouviremos falar de Francisco Sales mais vezes depois desta participação.

Rodrigo Leão, para além dos músicos na viola de arco, Bruno Silva, no violoncelo, Carlos Gomes, no baixo, João Eleutério, e na bateria, Frederico Gracias, trouxe algumas “amigas” cujas vozes se juntaram na comemoração, nomeadamente Ana Vieira, Angela Silva e Selma Uamusse, para além da presença de Viviena Tupikova no violino e Celina da Piedade no acordeão.

Ana Vieira cantou e encantou, com alguns dos temas mais célebres de Rodrigo Leão, entre “Vida Tão Estranha” e “Pasión”, Selma Uamusse trouxe ao palco “Rosa” e a célebre “O Pastor”, que os Madredeus tão bem souberam imortalizar, e todo o grupo colocou o público anestesiado com algumas das suas sonoridades mais tranquilas, como “Empty Room”, “Histórias” e a imensa “Alma Mater”. Ângela Silva devolveu-nos os primeiros tempos de Rodrigo Leão a solo, em que se dedicava à música sintonizada, quando o latim ordenava a sua expressão musical “Ave Mundi Luminar”, e pelo meio houve ainda tempo para duetos, tanto de Ana Viera com Selma Uamusse, bem como desta com Ângela Silva, interpretando temas como “Carpe Diem”, “Ave Mundi”, “Ya Skaju Tebe”. 

Ao palco do Coliseu de Lisboa Ana Vieira trouxe ainda os temas “Lonely Carousel”, “No Sè Nada”, “Voltar” e uma homenagem aos malogrados Francisco Ribeiro (ex-Madredeus) e Ricardo Camacho (ex-Sétima Legião) em “Ascensão”. A par das vozes, o destaque para a mestria e magia de Viviena Tupikova, no violino.

Ao longo do espectáculo as luzes acompanharam a música e a magia que permitiu, como sempre, mais uma vez a devoção de todo o público. Rodrigo Leão foi desta forma homenageado condignamente numa passagem ao longo de 25 anos melódicos, do seu percurso musical, sublime na melancolia, na paixão, no sossego e no desassossego, onde se misturou o português, o latim, o francês e o espanhol, num universo muito peculiar que apenas Rodrigo Leão consegue transformar e que tem levado Portugal por todo o mundo, rompendo fronteiras de qualquer origem.

Venham mais anos, mais música mais universos! Parabéns Rodrigo Leão (e companheiros/as)!

reportagem: Ana Cristina Augusto

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