De tiara e vestido em fios e brilhantes, sobrepondo um vestido rodado vermelho escuro metalizado, a brasileira Vanessa da Mata rodou literalmente o seu vestido e a sua música no palco do Salão Preto e Prata, no Casino Estoril, no espectáculo que ali permitiu na última sexta-feira, 28 de Julho.

Considerada actualmente uma das principais estrelas da música brasileira, com a sua voz inconfundível, a artista veio a Portugal apresentar os temas do seu mais recente álbum intitulado "Caixinha de Música", alternando com outros dos seus êxitos, para um público que a acolheu com carinho nem aplausos vindos de uma plateia na qual, uma vez mais, marcavam presença algumas figuras públicas bem conhecidas da noite do Estoril.

Quanto ao espectáculo propriamente dito, nota para as referências ao novo álbum, do qual se destacam os temas "Caixinha de Música", que dá nome ao disco e ao espectáculo, bem como as músicas "Orgulho e Nada Mais" e "Gente Feliz”.

Curiosamente, Vanessa da Mata começou por pedir desculpas ao público do Salão Preto e Prata do Casino Estoril por não estar na melhor forma, isto porque, segundo a artista, ainda não estaria restabelecida de uma gripe que apanhou: “Em geral sou maravilhosa, hoje estou meio Rod Stewart, não domino tão bem a voz, mas me sinto sensual”. A verdade é que, não fosse a artista referir o seu estado e estamos em querer que só os mais puristas podiam ter percebido que a voz doce de Vanessa da Mata estaria um pouco rouca. Assim mesmo, Vanessa pediu ao público que se sentissem como estando na sua sala de estar e ouvissem a sua “caixinha de música”, memórias do tempo das avós.

Em termos de alinhamento, o espectáculo começou com Vanessa da Mata a interpretar “Valsa do Sorriso”, passando logo depois por temas como “Gente Feliz”, “Bolsa de Grife”, “Boa Reza”, “Vermelho natural Mystic”, “Ilegais”, “As palavras”, “Ainda bem”, “Te amo”, “Caixinha de música”, “Amado”, “Distância”, “Nossa canção”, “É impossível”, “Vá pro inferno”, “Fugiu da novela”, “Segue o som”, “Bau”, e“Orgulho”. Pelo meio dos vários temas houve ainda tempo para ouvir a cantora falar da sua mãe, que desistiu de amar mas que se enamorou pelas estrelas, poemas, pôr do Sol e outras maravilhas que a apaixonaram, mas também para uma homenagem ao “rei” Roberto Carlos, mas também para o lançamento de um bouquet de flores aos espectadores.

O inevitável encore, depois de uma noite em que a cantora cativou o público do Casino, trouxe-nos mais quatro temas — “Não me deixe só”, “Gata”, “Boa sorte” e “Ai ai ai” —, com o convite ao publico para se deslocar para as laterais de forma a dançar e a celebrar a música.

Vanessa da Mata já foi galardoada com prestigiados prémios como, por exemplo, um Grammy Latino com o CD “Sim”, na categoria de melhor álbum de pop contemporâneo brasileiro, contando actualmente esta catora brasileira com 15 anos de carreira e sete álbuns. Nascida a 10 de Fevereiro de 1976, em Alto Garças, Mato Grosso, uma cidade pequena cercada por rios a 378 quilómetros de Cuiabá, Vanessa possui ascendência luso-italiana e, através da avó materna, de índios Xavantes.

Durante a sua infância, Vanessa da Mata ouviu um pouco de tudo, desde Luiz Gonzaga a Tom Jobim, passando por Milton Nascimento ou Orlando Silva, tendo ainda tempo para escutar ritmos regionais como o carimbó, dos discos trazidos das viagens de um tio à Amazônia. Ouviu samba, música caipira e até música brega italiana, sons que chegavam pelas ondas da rádio em onda média.

No último semestre de 2013, Vanessa da Mata lançou o seu primeiro livro, "A Filha das Flores", flores que estiveram sempre presentes com a cantora no palco do Salão Preto e Prata, num espectáculo que convenceu e nos deixou a vontade de fazer votos para que possa voltar até junto do público português, senão mesmo do Casino Estoril onde assinou o Livro de Honra.

Pela nossa parte, a Vanessa da Mata, deixamos o desejo de “boa sorte” e um... até breve!

reportagem: Ana Cristina Augusto
fotografia: ©Casino Estoril

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