Chegou ao final mais uma edição do NOS Alive, festival que teve nos Pearl Jam de Edie Vedder o grande nome de cartaz, a banda que, como o próprio Álvaro Covões, responsável máximo por este festival, lembrou na conferência de Imprensa em que fez o balanço do NOS Alive, permitiu que logo em Dezembro estivessem esgotados os bilhetes para este último dia do evento. Aliás, se dúvidas existissem quanto à importância de ter um bilhete para os Pearl Jam, bastaria chegar às imediações do Passio Marítimo de Algés para nos apercebermos dos inúmeros cartazes em que os festivaleiros se dispunham a comprar “um bilhete” que alguém tivesse disponível.

Com a actuação dos Pearl Jam agendada para o Palco NOS apenas pelas 23h15, o dia começou muito antes, com inúmeros motivos de interesse no recinto que uma vez mais voltou a receber mais de 60 mil pessoas, entre os 55 mil festivaleiros que a cada dia entraram no recinto e os cinco mil elementos do “staff” para as mais diversas áreas, desde os elementos que garantiram a segurança no recinto, técnicos de luz, som e comunicações, entre tantos outros que asseguraram todas as valências para o evento.

Sob um sol quente que teimou em aparecer uma vez mais, tal como já havia acontecido nos dias anteriores, o palco principal abriu com a banda americana “The Last Internationale”, de Delila Paz e Edgey Pires, apresentando no terceiro dia do festival, no palco principal, o seu mais recente trabalho “Soul on Fire”, numa mistura de blues, rock’n’roll e ritmos punk que os caracteriza. Sobre esta banda norte-americana de rock e punk há que dar conta que já partilhou palco com Robert Plant, Neil Young, The Who, Kings of Leon, Slash, Scott Weiland, Weezer, OneRepublic, Tom Morello, Lenny Kravitz, Incubus e Royal Blood, entre muitos outros.

Curiosamente, os The Last Internationale nem sequer são estreantes em Portugal, isto porque já em 2016 a banda de Delila Paz e Edgey Pires tocaram para o público luso mas em Paredes de Coura, naquela que foi então a sua primeira presença no território português.

No primeiro ou no último dia, a entrada no Passeio Marítimo de Algés foi feita sempre com energia pelos festivaleiros

Alice in Chains de regresso ao Alive oito anos depois

Pelas 18 horas era tempo de receber a banda Alice in Chains, e apesar da hora prematura para a envergadura da banda, pois ainda era hora dos festivaleiros chegarem ao recinto do passeio marítimo de Algés, os norte-americanos não se intimidaram. A banda iniciou com o tema “Check My Brain”, tema de Black Gives Way to Blue (2009), o primeiro álbum da banda com William DuVall e sem o vocalista Layne Staley, que morreu em 2002.

Os Alice in Chain, banda de rock americana fundada pelo guitarrista e vocalista Jerry Cantrell e pelo baterista Sean Kinney em Seattle, Washington, no ano de 1987, teve na sua composição o baixista Mike Starr e o vocalista Layne Staley entretanto falecido. Starr foi substituído por Mike Inez em 1993, enquanto William DuVall entrou na banda em 2006 para o lugar de Staley, dividindo os vocais com Cantrell. Com a banda a interpretar “Again”, DuVall sem a guitarra ao ombro mas com microfone na mão, não deixou de saudar o público com — “Olá Portugal, tudo bem? É bom estar de volta. Já passou algum tempo”.

Na memória de William DuVall, mantém-se certamente ainda o último concerto da banda de Seattle em Portugal, precisamente no Passeio Marítimo de Algés, numa edição do Alive há já oito anos.

Alice in Chains passaram pelo Palco NOS no derradeiro dia do NOS Alive 2018

Agora, neste derradeiro dia do NOS Alive de 2018, do alinhamento para os Alice in Chain fizeram parte os temas “Dam That River”, “Dirt”, “Hollow”, “No Excuses”, “We Die Young”, “Your Decision”, “So Far Under”, “Rainier Fog” e  “Would?”. Recorde-se que a banda de rock Alice in Chains já vendeu mais de 20 milhões de discos em todo o mundo tendo sido nomeada múltiplas vezes para o maior prémio da indústria musical, o Grammy.

Os Alice in Chains, aliás, a par com Nirvana, Pearl Jam e Soundgarden, fazem parte das “Big Four” a emergirem em Seatle na década de 90, sendo mesmo apontados como responsáveis pelo rock moderno.

Após Alice in Chains chegou a hora da banda escocesa Franz Ferdinand, que incendiou o recinto do NOS Alive. Depois da sua primeira actuação perante o público português em 2015, então no festival Super Bock Super Rock, regressaram agora a Portugal, saudando o público — "Boa noite! Como se sentem? Estão bem?" — e realçando que se encontrava muito feliz por estar em Portugal.

Refira-se que o concerto teve início com o tema “Do You Want to”, e o alinhamento da banda de Glasgow passou por “The Dark of the Matinée”, “Always Ascending”, “No You Girls”, “Love Illumination”, “Glimpse of Love”, “Lazy Boy”, “Walk away”, “Michael”, “Ulysses”, “Take Me Out” e “This Fire”. Alex Kapranos, esteve sublime na sua tarefa de mestre-de-cerimónias, sorrindo e animando todo o público, e conseguindo incendiar o recinto do palco principal do Nos Alive.

Também Franz Ferdinand cumpriram a sua presença no alinhamento do último dia do Alive na caminhada para a recepção aos Pearl Jam

Prosseguindo o alinhamento deste que foi o último dia do NOS Alive, foi tempo para permitir a subida ao Palco NOS de Jack White, alguém que já no passado, há 11 anos, esteve também no Passeio Marítimo de Algés, então “à boleia” da banda White Stripes, naquele ano uma das grandes atrações da primeira edição do NOS Alive. Agora, neste sábado, 14 de Julho, o Passeio Marítimo de Algés recebeu o líder da finada dupla norte-americana, que se apresentou em nome próprio.

Do alinhamento fizeram parte temas como “Hotel Yorba”, “I Cut Like a Buffalo” “We're Going to Be Friends”, “Connected by Love” e “Icky Thump”. No final, o concerto contou com “Seven Nation Army”, e as palavras do artista deixaram claro o agrado que também ele sentiu por este regresso a Portugal — "Vocês foram incríveis e eu fui o Jack White".

À beira do final de mais uma edição, a 12ª, do NOS Alive, ficou o registo de mais algumas imagens para a memória dos festivaleiros

Cábulas em português para a comunicação de Eddie Vedder

O derradeiro dia do NOS Alive era, já aqui o dissemos, dominado pela expectativa do público em poder acompanhar em palco a prestação dos Pearl Jam, banda que chegou às 23h30, assumindo-se seguramente como o motivo maior que levou 55.000 festivaleiros ao recinto do passeio marítimo de Algés neste dia 14 de Julho. Após oito anos, a banda de Seattle apresentou-se pela terceira vez no festival NOS Alive, surgindo Eddie Vedder em palco com uma garrafa de vinho e cábulas em português, afirmando os Peral Jam como a grande banda do NOS Alive 2018.

Já era expectável que fossem os Pearl Jam a dominar o último dia do NOS Alive, pelo menos a julgar pela forma sempre bem presente como no recinto, ao longo de todo o dia, fomos vendo os festivaleiros entrar com t-shirts de referência à banda. O tapete verde que a organização do festival permitiu para o público rapidamente ficou lotado, e só mesmo numa faixa de espaço muito reduzida, atrás da regie e do bar Sagres, de onde não se via o palco, apenas passou a ser possível encontrar algum espaço livre face à concentração do público para acompanhar a prestação dos Pearl Jam.

Em mais de duas horas de concerto, os Pearl Jam recuperaram as memórias de milhares de fãs presentes. Eddie Vedder continua a ser o grande animal de palco, e foi agradecendo ao público sem inibição, com um português pouco perfeito, em que Eddie Vedder faz uma dedicatória a um tal Miguel – recordações dos primeiros concertos em Portugal – Cascais, 1996, utilizando algumas cábulas que lhe permitiram ainda assim comunicar com o público.

Do alinhamento (imprevisível) fizeram parte temas como: “Low Light”, “Even Flow”, “Corduroy”, “Daughter”, “Jeremy”, “Better Man”, “Vitalogy" e “Black”, entre outros. Ao longo da noite e por entre as músicas, Eddie Vedder foi enviando as suas mensagens para questões sociais, na demanda por um mundo perfeito — “É tempo de ajudar os que nos estão mais próximos, para um futuro melhor dos nossos filhos.”

No encore, quando alguns palcos atrasavam os seus horários para que todos pudessem continuar a acompanhar os Pearl Jam, como no palco NOS Clubbing onde os The Gift começaram bem mais tarde, ou no Palco Comédia, onde os Cebola Mole começaram quase com uma hora de atraso,  era ainda tempo para que pudessem surgir algumas surpresas, com a interpretação de temas “universais” como “Imagine” e “Comfortably Numb”, músicas que permitiram a Eddie Vedder deixar uma palavra de agradecimento a John Lennon, Yoko Ono e... Roger Waters.

Os Pearl Jam, liderados por Eddie Vedder, cumpriram aquilo que deles se esperava nesta que foi a terceira passagem da banda por Portugal

A noite parecia não ter fim, havendo ainda tempo para mais alguns temas, nomeadamente “Porch” e, naturalmente, “Alive”, música que, curiosamente, inspirou o nome deste festival.

E quando pensámos que estaríamos no final, eis Jack White, ele que passara pelo Palco NOS antes da banda de Eddie Vedder  e que terá assistido ao concerto em palco, se juntou à banda e tocou guitarra em “Rockin' in the Free World”, o clássico de Neil Young que os Pearl Jam já fizeram um pouquinho seu. Por ali sim, chegava ao final a prestação dos Pearl Jam e de Eddie Vedder. O NOS Alive ainda iria demorar mais algumas horas a terminar mas aproximava-se do final o derradeiro dia da edição de 2018 do NOS Alive, sem dúvida o dia que foi dos Pearl Jam e de Edddie Vedder!

texto: Ana Cristina Augusto e Jorge Reis
fotos: JCMyro e NOS Alive

Pin It