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No terceiro dia da edição de 2018 do Rock in Rio - Lisboa, no Parque da Bela Vista, com um cartaz em que se destacavam nomes como os James, The Chemical Brothers e The Killers, os grandes momentos do dia foram vividos em português, com a presença em palco dos Xutos e Pontapés e a homenagem a Zé Pedro, músico falecido no ano passado e que continua, como aliás ficou claro, no coração dos portugueses e de todos aqueles que gostam de música e do rock em português.

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, mas também outras figuras públicas do Estado como o primeiro-ministro António Costa, o presidente da Assembleia da República, Ferro Rodrigues, e o presidente da Câmara de Lisboa, Fernando Medina, todos eles subiram ao Palco Mundo na Cidade do Rock para ali contarem com os Xutos e Pontapés o tema que surge como o hino da banda, “A minha casinha”, aquela que é afinal a “nossa” casinha, sem dúvida de todos os portugueses, num momento que irá certamente ficar para a história deste festival, o Rock in Rio - Lisboa que um dia teve em palco um Presidente da República a cantar um tema de rock português.

É claro que este momento de homenagem a Zé Pedro acabou por ofuscar toda a restante actuação da banda que regressou ao Palco Mundo do Rock in Rio pela primeira vez sem aquele elemento, falecido a 30 de Novembro de 2017. A chuva que fez questão de aparecer copiosamente ao longo de todo o dia desta sexta-feira em toda a região de Lisboa obrigou os festivaleiros a envergarem os largos milhares de impermeáveis que foram distribuídos no Parque da Bela Vista, mas nem isso impediu a animação neste terceiro dia do Rock in Rio.

Ao longo do concerto, o ecrã do Palco Mundo foi recordando imagens de Zé Pedro, deixando claro que os Xutos e Pontapés, mesmo sem aquele elemento, irá sempre ter nele a sua inspiração para um sucesso que irá por certo manter em redor de uma banda que continua a atravessar gerações.

O terceiro dia do Rock in Rio - Lisboa, porém, começou com os britânicos James, a banda de Tim Booth que abriu o Palco Mundo nesta sexta-feira, ele que tem família em Lisboa e é já quase português, tantas têm sido as vezes em que já actuou entre nós. Acabou assim por ser "natural" a abertura do concerto ao som de Carlos Paredes, com um dos músicos dos James vestido com uma camisola da Selecção de Portugal com o número sete e o nome da banda nas costas.

Estava assim quebrado qualquer pedaço de gelo que pudesse ainda existir entre os James e o público, claramente rendido à banda britânica de Booth que avançou para o seu concerto com “Hank”, tema retirado do novo álbum de originais, Living in Extraordinary Times (com lançamento marcado para 3 de Agosto), vindo a passar por outros temas famosos dos James como “Getting Away With It”, “Sometimes” e “Laid”.

Depois das actuações de James e Xutos e Pontapés, o programa do Palco Mundo prosseguiu com a banda que surgia neste dia como “cabeça-de-cartaz”, os The Killers, e que subiram ao palco pouco depois das 21h30, quando finalmente a chuva parecia querer dar sinal de querer deixar o Parque da Bela Vista. Brandon Flowers, o vocalista de 37 anos, sempre efusivo e com uma energia contagiante, mostrou que estava ali para conquistar o público, numa actuação iniciada com “The Man”, do álbum Wonderful Wonderful.

Procurando interagir com o público, um “olá malta” foi lançado para agarrar os fãs que, ainda assim, só na segunda metade da actuação conseguiram emprestar algum calor para o palco apoiando finalmente Brandon Flowers que nem assim deixou de dar conta da sua enorme energia.

Temas como “Spaceman”, “Shot at the Night” ou “Smile Like You Mean It” permitiram finalmente a comunhão dos The Killers com o público, que “acordou” finalmente com “Read My Mind”, mas também com os temas do encore — “Human” e “Mr. Brightside”.

Sem surgirem no planeamento como cabeças-de-cartaz, os The Chemical Brothers acabaram por ter a oportunidade de encerrar a programação do Palco Mundo neste penúltimo dia do Rock in Rio - Lisboa, eles que já não tinham a possibilidade de actuar para o público português desde 2016, quando passaram pelo NOS Alive, no Passeio Marítimo de Algés.

Enérgicos, com bom som e um conseguido efeito cénico em palco, este duo de Manchester conseguiu transformar o Parque da Bela Vista numa enorme discoteca, levando o público a dar o seu pé de dança revelando uma enorme energia mesmo depois de um dia de chuva que a ninguém poupou no recinto da Cidade do Rock.

Tom Rowlands e Ed Simons, os The Chemical Brothers, avançaram assim para uma exibição convincente, abrindo com “Go”, o single do último álbum, Born in the Echoes, prosseguindo com alguns dos temas mais conhecidos da banda, desde “Do It Again” ou “Star Guitar”, até ao indispensável “Galvanize”, de 2005, incluido no trabalho Push the Button.

Com mais de duas décadas de carreira, este duo teve assim a capacidade para um bom fecho do programa do Palco Mundo neste penúltimo dia do Rock in Rio em que o nome grande do dia, Zé Pedro, terá assistido a tudo o que se passou na cidade do Rock lá bem do alto do seu camarote entre as estrelas.

texto: Jorge Reis
fotos: Luís Moreira Duarte

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