Quando a Cidade do Rock se transformou na Cidade do Futebol, o público do Rock in Rio colocou os cachecóis verde-rubros, vestiu a camisola da Turma das Quinas e agitou aqui e ali a bandeira de Portugal para puxar pela Nossa Selecção, no jogo dos oitavos-de-final do Mundial de Futebol da Rússia frente à selecção do Uruguai.

A organização do festival do Parque da Belavista encontrou um novo formato para o puzzle dos horários dos concertos como pôde, antecipando as actuações antes do futebol e atrasando aquelas que se projectaram para depois do jogo de Cristiano Ronaldo e seus pares, e apenas a banda Karetus “não se sentiu confortável com as várias possibilidades de horários debatidas”, acabando por não actuar no Music Valley no último dia do Rock in Rio - Lisboa.

Quanto ao Palco Mundo, num dia em que eram as mulheres donas e senhoras do espectáculo, com quatro nomes femininos agendados para por ali subirem ao palco, a tarde começou com Hailee Steinfeld para um bom concerto, num dia que teve o primeiro ponto alto na presença da já indispensável Ivete Sangalo, ela que permitiu uma surpresa colectiva ao convidar para o palco outra cantora brasileira, Daniela Mercury, que veio enriquecer o cartaz do último dia do Rock in Rio.

Ivete Sangalo acabou por permanecer em palco até bem em cima do início do jogo de Portugal frente ao Uruguai e ter-se-á perdido aquele que poderia ter sido um momento épico neste festival, isto porque os mais de 70 mil espectadores que se encontravam na Cidade do Rock não tiveram oportunidade de cantar o Hino de Portugal. Ainda assim, quando em Sochi foi dado o pontapé de saída para o jogo entre portugueses e uruguaios já a organização do Rock in Rio estava a cumprir o que havia prometido, com todos os ecrãns em todos os palcos a permitirem acompanhar o embate decisivo entre Portugal e Uruguai.

A propósito deste jogo, Portugal ameaçou primeiro mas o golo que abriu a contagem foi sul-americano, apontado por Cavani ainda no primeiro tempo. Cristiano Ronaldo falhou uma grande penalidade, defendida por Muslera, mas Pepe, já no segundo tempo, conseguiu um cabeceamento perfeito para o empate da partida, permitindo finalmente uma explosão de alegria na Cidade do Rock. Só que Cavani voltou a marcar pouco depois para o Uruguai e a Turma das Quinas, mesmo assinando uma boa exibição, não teve argumentos para chegar de novo ao empate que poderia levar o jogo para prolongamento, mesmo complicando mais ainda os horários deste último dia do Rock in Rio.

O guarda-redes Rui Patrício ainda foi para a área contrária nos últimos lances do jogo, houve ainda tempo para se reclamar de uma possível grande penalidade exactamente sobre Rui Patrício, mas o jogo viria a terminar pouco depois com a eliminação de Portugal e a continuidade do Uruguai para os quartos-de-final do Mundial da Rússia.

Um ambiente durante algum tempo pouco efusivo, com os portugueses a “acusarem” a eliminação, regressou aos poucos à animação própria de um festival de música de Verão, principalmente logo que entrou em campo Jessie J, a assinar uma excelente actuação, apoiada por inúmeros fãs que deram conta de conhecer todas as letras e músicas da cantora, compositora, dançarina, coreógrafa e actriz britânica nascida enquanto Jessica Ellen Cornish e que no mundo da música é simplesmente conhecida pelo seu nome artístico Jessie J.

A noite viria a terminar com mais um nome feminino, Katheryn Elizabeth Hudson, ou tão só Katy Perry, cantora e compositora norte-americana que fechou como pôde o cartaz de mais uma edição do Rock in Rio - Lisboa, ela a quem nem tudo correu bem, nomeadamente com a sua actuação a ser marcada por algumas falhas técnicas que motivaram mesmo um ou outro apupo dirigido à cantora norte-americana. Em termos visuais, Katy Perry trouxe a Lisboa tudo muito bem preparado, mas o som não ajudou e até o microfone da cantora deixou de funcionar, levando a que simplesmente não se ouvisse a voz de Perry quando este cantou “Chained to the Rythm”.

Neta de portugueses, Katy Perry fechou o cartaz do Palco Mundo na edição de 2018 do Rock in Rio - Lisboa, permitindo apenas um derradeiro momento alto da noite, naquele que foi também o último espectáculo de fogo de artifício lançado a partir do Palco Mundo, um fecho em grande para o maior festival  de que também nós nos despedimos, até 2020, quando Portugal poderá voltar aos grandes palcos das competições de futebol, por essa altura a lutar para defender o seu título de Campeão da Europa. Até lá então, com os votos que a qualidade do Rock in Rio se mantenha, e que regressem então as conquistas no futebol que neste dia não foram possíveis.

reportagem: Jorge Reis (texto) e Luís Moreira Duarte (fotos)

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