Um incêndio deflagrou hoje à tarde na emblemática catedral de Notre-Dame, em Paris, uma situação que poderá estar “potencialmente ligada” aos trabalhos de reabilitação do edifício, segundo os bombeiros da capital francesa. Para já, quando ainda se desconhecem as causas deste incêncio, e cuja gravidade ainda está por determinar, sabe-se que a torre da catedral caiu e o tecto está em "colapso total". Por coincidência, ou talvez não, este incêndio acontece no primeiro dia da Semana Santa, tendo sido dado o alerta por volta das 16h50 locais, 17h50 em Lisboa.

O incêndio, segundo os bombeiros, terá começado no sótão da catedral, o monumento histórico mais visitado da Europa. Contudo, as autoridades policiais francesas estão no terreno a apurar as causas desta tragédia, isto quando se sabe que nos últimos dias têm sido várias as igrejas católicas que, em França, têm sido atacadas com actos de vandalismo e alguns roubos de património. Só nos últimos dois meses, Fevereiro e Março, mais de 10 igrejas em França foram alvo de ataques ou de pequenos incêndios e ainda no passado dia 17 de Março a Igreja de Saint Sulpice, a segunda maior de Paris depois de Notre-Dame, foi alvo de um ataque, depois de a porta principal, em madeira, ter sido incendiada.

Sobre a catedral de Notre-Dame, foi edificada em 1163, tendo iniciado a função religiosa em 1182, embora os trabalhos de construção tenham prosseguido até 1345. Os primeiros arquitectos foram Pierre de Montreuil e Jean de Chelles, mas a catedral, construída na Île de la Cité, continuou a ser acrescentada e alterada, ao gosto das épocas, ao longo dos séculos, para lá de 1345. Em finais do século XVII, no reinado de Luís XIV, o templo foi alvo de alterações substanciais, com a destruição de alguns vitrais e a introdução de elementos da gramática do barroco.

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No contexto da Revolução Francesa (1789), outros elementos da Catedral foram destruídos e alvo de roubos, nomeadamente, os seus tesouros artísticos, acabando a catedral por ser restaurada em 1844, então ao gosto da gramática do romantismo, sob a égide dos arquitectos Eugéne Viollet-le-Duc e Jean-Baptiste Lassus. Passados poucos anos, em 1871, foi novamente palco de turbulência social, tendo supostamente sido alvo de um incêndio.

Em 1965, as escavações realizadas levaram à descoberta de catacumbas romanas, uma catedral merovíngia do século VI e um bairro medieval. Em 1991, foi iniciado um projecto de restauro e conservação, com um prazo de dez anos, mas que não tinha sido ainda dado como terminado, motivo pelo qual estavam ainda instalados inúmeros andaimes onde poderá ter tido início o incêndio desta tarde numa catedral que, ao longo dos tempos, inspirou vários artistas plásticos como Henri Matisse, e também escritores. 

Em 1831, Victor Hugo publicou o romance “Notre-Dame de Paris”, em que surge, entre outras personagens, Quasímodo, o corcunda de Notre-Dame, e a cigana Esmeralda, ficção mais tarde adaptada várias vezes ao cinema. A primeira adaptação cinematográfica foi em 1923, por Wallace Worslei, e entre outras, destacam-se a de 1939, de William Dieterle, com Charles Laughton, a de 1956, por Jean Delannoy, com Gina Lollobrigida e Anthonny Quinn, e a de 1996, um filme de animação dos Estúdios Disney, e, em 1997 por Peter Medak, com Salma Hayek.

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