Quem por esta altura percorre as estradas em redor de Arruda dos Vinhos facilmente se cruza com veículos agrícolas carregados de uvas, presença normal em tempo de vindimas que marcam a realidade de Arruda dos Vinhos em mais um arranque do Outono. As uvas estão prontas para serem colhidas das cepas, num trabalho de festa e convívio, realizado com o intuito de se produzir depois o vinho de mais ano.

Em Arruda dos Vinhos, vila situada na zona oeste da região de Lisboa e Vale do Tejo, as vindimas são uma realidade sazonal que requerem um trabalho de esforço, muitas vezes ao calor do sol que teima em ficar quando o verão já partiu há muito. O dia começa com o corte da uva no meio das extensas vinhas.

Ao longo do dia de vindima, chegam as horas de repasto, em que se partilha uma refeição, e após mais um dia no campo a pisa da uva aparece como a etapa final, uma verdadeira festa nos lagares onde se inicia o processo de transformação da uva no delicioso néctar: o vinho que em Arruda dá mesmo o complemento necessário ao nome da terra.

Este processo das vindimas tem-se modificado ao longo dos tempos e poderemos mesmo dizer que já nada é o que era... ou quase. Muito do trabalho manual é hoje substituído por máquinas que apanham directamente na vinha as uvas, depois o veículos de tracção animal deixaram há muito de circular, trocados por tratores que transportam as uvas para as adegas.

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Fomos assim ao encontro desta realidade em Arruda dos Vinhos, a apenas meia-hora de Lisboa com o Tejo do outro lado da encosta, mas com uma realidade muito própria, muito mais distante do que a separação física do rebuliço citadino que afinal não está tão longe assim.

Saindo de Arruda dos Vinhos, bem em frente à Câmara Municipal onde o centro de uma rotunda é preenchida com uma homenagem aos que entregam o seu tempo por esta altura às vindimas, tomamos a direção das Cardosas até encontrarmos a Quinta da Marinheira, um dos ícones da tradição vinícola nesta região onde, durante a vindima, é vivido um ambiente único.

A dedicação e o esforço depositados em cada trabalho realizado no interior do espaço da Quinta da Marinheira é uma experiência muito enriquecedora e uma memória para a vida. Ao longo de cerca de 25 hectares de vinhas, com uva de mesa mas também uva para vinho, estende-se um espaço que contém quase um século de tradição e de trabalho, factores desde sempre determinante na preservação da qualidade e do bom nome desta casa.

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Por entre as vinhas, a vida é deixada fluir de um modo quase "puro", em velocidade mínima, como se a influência humana quisesse apenas fazer-se sentir nos valores apenas indispensáveis. Alguns gamos ali criados fazem as delícias dos mais pequenos para um espaço em que por esta altura a brisa transporta o tal odor rosado em tons de jasmim reforçado à passagens das uvas apanhadas das vinhas.

Afinal no coração de Arruda dos Vinhos, nomeadamente na freguesia e no concelho do mesmo nome, esta Quinta da Marinheira, que dá o seu nome à Sociedade Agrícola ali existente em termos comerciais, revela-se como um local a visitar entre outros que conseguimos encontrar em Arruda dos Vinhos, vila localizada num vale ameno, com solos férteis e cursos de água, provavelmente fundada enquanto povoação, ou pelo menos tenha ganho dimensão durante a conquista muçulmana. Esta hipótese ganha força se nos lembrarmos que resta ainda no mapa das ruas desta vila uma rua com o nome "Rua da Costa do Castelo", na zona mais alta da vila, o que pode evidenciar a existência de um castelo ou forte senhorial.

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Hoje, a vila de Arruda dos Vinhos caracteriza-se por uma actividade marcadamente agrícola, em particular na área vitivinícola, embora conte já com um um tecido empresarial composto por algumas indústrias com expressão, como a metalúrgica Luso-Italiana, a Ar-Líquido, o grupo Vendap ou a Movex, entre outras.

As vindimas, cuja participação de qualquer um de nós é sempre possível, surgem assim como um momento económico, mas também social e cultural de inegável importância que, porque Arruda dos Vinhos se encontra a apenas meia-hora da capital, pode e deve esta vila ser visitada mais de perto, as suas tradições, as suas paisagens douradas nesta época do anoou até mesmo a sua gastronomia, para que se possa desfrutar de tudo o que há de bom nesta região. Pelo meio, por entre os passeios nas vinhas que povoam este verdadeiro "Vale Encantado", registe em imagem a realidade de extrema riqueza paisagística para que possa ver, rever, e partilhar com os seus amigos!

reportagem: Glória Resende e Tito Sousa

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