A partir de cenas extraídas de mais de 100 filmes e dos princípios do designer italiano Bruno Munari, explicitadas no seu livro From afar it was an island, João Fiadeiro, artista residente do Teatro Viriato, cria em Viseu uma coreografia sobre a ideia de que a perceção de um objeto ou imagem está intimamente ligada ao contexto e à relação previamente estabelecida com os mesmos.

Basta uma pequena mudança na perspetiva ou escala para uma linha se transformar numa estrada, uma poeira num planeta, uma pedra numa ilha. Partindo deste princípio, João Fiadeiro cria uma dramaturgia coreográfica, onde ao longe, aquilo que os performers dizem e fazem, aparenta ter sentido. Mas à medida que o tempo avança, percebemos que eles não se dirigem para lado nenhum e que não representam nada mais para além das suas presenças.

A nova criação de João Fiadeiro vai buscar o título do livro para crianças do designer italiano Bruno Munari, uma obra na qual Munari constata que a perceção está intimamente ligada ao contexto e à relação, bastando uma pequena mudança na perspetiva ou escala para uma linha se transformar numa estrada, uma poeira num planeta, uma pedra numa ilha. 

Partindo deste princípio e de jogos de perceção apresentados no livro, João Fiadeiro cria uma dramaturgia coreográfica, onde ao longe, aquilo que os performers dizem e fazem aparenta ter sentido. Mas à medida que o tempo avança, percebemos que eles não se dirigem para lado nenhum e que não representam nada mais para além das suas presenças. Eles deslocam-se e dirigem-se para algum lugar. Mas o lugar para onde vão é aquele de onde nunca saíram. Um lugar onde o tempo está, ao mesmo tempo, suspenso e em expansão. Um lugar onde o fim e princípio se confundem, o dentro e o fora se invertem e o centro e a periferia se misturam.

Estamos assim perante uma coreografia que resulta de um conceito e direcção de João Fiadeiro, com a co-direcção de Carolina Campos, surgindo como performers e co-criadores Adaline Anobile, Carolina Campos, Iván Haidar, Julián Pacomio e Nuno Lucas. A concepção visual é de Nadia Lauro, sendo a responsabilidade do espaço sonoro de Jonathan Saldanha. Leticia Skrycky assume o Desenho de Luz e a Direcção Técnica, ficando a Dramaturgia entregue a Leonardo Mouramateus.

Relativamente ao Teatro Viriato, é uma estrutura cultural de programação e produção de artes do palco, sediado em Viseu, gerida pelo Centro de Artes do Espetáculo de Viseu, Associação Cultural e Pedagógica (estrutura financiado pela DGArtes e Município de Viseu). A programação regular inclui música, teatro, dança, novo circo, atividades pedagógicas e residências artísticas. É também, desde 1999, o espaço de residência permanente da Companhia Paulo Ribeiro.

 

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