Com uma exibição suficiente quanto baste, em “modo eco”, num jogo em que pouquíssimas vezes se pisou o acelerador, o Sporting acabou por vencer naturalmente o Clube Desportivo Olivais e Moscavide (3-1), mesmo depois do conjunto do campeonato distrital da Associação de Futebol de Lisboa, frente ao líder do campeonato nacional da I Liga, ter sido a primeira a marcar, logo ao minuto 8'. Através de uma grande penalidade cobrada com êxito por Fabrício Simões, o Olivais e Moscavide conseguiu o primeiro golo do jogo e, com isso, desde logo uma vitória para o clube que há muito se instalou na linha de fronteira entre Lisboa e Loures e que, com uma equipa amadora, se bateu olhos nos olhos com o “grande” Sporting.

É certo que no final o Sporting venceu por 3-1, garantindo uma vitória que de algum modo nunca esteve em causa, pois mesmo quando o Olivais e Moscavide esteve em vantagem sentia-se que seria uma questão de tempo até que os leões conseguissem dar a volta ao jogo. Todavia, também é verdade que o Olivais e Moscavide nunca baixou os braços, acreditou sempre que poderia fazer um pouco mais, e à beira do fim, mesmo em desvantagem, chegou a enviar uma bola ao poste direito da baliza de Franco Israel, num lance em que esteve à vista o 2-2 que poderia ter levado o jogo para prolongamento.

David desta vez não conseguiu bater Golias e a equipa da I Liga, depois de passar pelo susto de um indesejado prolongamento, acabou mesmo por fechar a discussão com o terceiro golo para a turma leonina, algo que não impediu que as gentes que viajaram desde a zona oriental de Lisboa e da entrada a sul do concelho de Loures até ao Estádio José Gomes, na Reboleira, Amadora, recinto emprestado ao Olivais e Moscavide para este jogo, pudessem felicitar os seus jogadores.

Afinal, estes nunca estacionaram qualquer autocarro em frente à baliza do guarda-redes Rúben Gonçalves, e este nunca se atemorizou com Paulinho, Edwards ou Pedro Gonçalves, acabando apenas por perder no duelo direto com o jovem Geny Catamo, claramente o homem do jogo para o Sporting, com um golo marcado e uma assistência, que permitiram, respectivamente, o 2-1 e o 3-1, terminando o jogo com este resultado.

David foi Fabricio e Golias chamou-se Paulinho

Do lado do Olivais e Moscavide, equipa amadora que chegou a esta fase da Taça de Portugal depois de ter ganho a Taça da Associação de Futebol de Lisboa, disputada entre as equipas do respetivo campeonato distrital, o técnico Ricardo Barão escalou para este jogo um onze com o já referido guarda-redes Rúben Gonçalves, uma linha de quatro defesas formada por Ricardo Cabral, Paulo Freitas, Evenílton Júnior e Diogo Silva, uma linha média de cinco elementos — João Varela, Vasco Garcia, Sandro Martinho, Diogo Brito e Íttalo Felipe — sobrando Fabrício Simões como o elemento mais adiantado. Sem nunca se limitar a jogar encostado à sua grande área, o Olivais e Moscavide facilmente transformava o 4x5x1 num mais ousado 4x3x3, procurando deste modo impedir que o Sporting colocasse a bola nas costas da sua defesa ou conseguisse chegar em velocidade junto da baliza de Rúben Gonçalves.

Por seu turno, Rúben Amorim, o técnico do Sporting, apostou numa equipa com algumas novidades face ao que tem sido o onze leonino nos jogos mais recentes, desde logo com a apresentação de uma equipa com quatro defesas, com as apostas em Franco Israel na baliza, St. Juste e Luís Neto como centrais, Matheus Reis e Fresneda nas alas, e ainda Essugo e Bragança no meio do terreno. Pedro Gonçalves, Trincão e Marcus Edwards tinham a missão de dar o melhor apoio ao ponta-de-lança Paulinho, para uma equipa que desenhava sobre o relvado do Estádio José Gomes um esquema táctico de 4x2x3x1.

E a verdade é que com as equipas colocadas sobre o relvado rápido da Reboleira, bem molhado pela chuva que não parou de cair durante todo o jogo, o que foi tudo menos um apoio para os homens do Olivais e Moscavide, que jogam normalmente num terreno sintético e que acusaram por vezes alguns problemas físicos, nada habituados ao relvado natural, nem por isso as coisas começaram por correr bem para o Sporting, cuja equipa entrou na partida meio adormecida, sem velocidade e a deixar-se enrolar na teia montada pelo Olivais e Moscavide. Fabrício Simões era o David que tentava derrubar o Golias, e este tinha em Paulinho o homem com a missão de abater as esperanças da equipa do distrital da AF Lisboa.

Primeiro golo foi para o Olivais e Moscavide

Curiosamente a primeira grande oportunidade de golo surgiu junto da baliza da equipa do distrital da AF Lisboa, quando Paulinho fez um cruzamento para a pequena-área da baliza de Rúben Gonçalves onde Edwards não conseguiu desviar para o golo. O Sporting não marcou e acabou por ser o Olivais e Moscavide a surpreender tudo e todos. Ricardo Cabral entrou em velocidade na grande-área do Sporting, Fresneda quis fazer o desarme, mas acabou por derrubar o jogador dos “lingueirões”, com o árbitro Hélder Carvalho, neste jogo sem a ajuda do VAR, a assinalar de imediato a grande penalidade que Fabrício Simões não desperdiçou, logo ao minuto 8'.

O Olivais e Moscavide saía assim na frente do marcador neste jogo, por um lado de forma surpreendente, mas tirando partido da forma apática e pouco assertiva com que o Sporting enfrentou o primeiro tempo deste jogo. Há que dar que o árbitro Hélder Carvalho deixou passar em claro uma grande penalidade que seria favorável ao Sporting ainda no primeiro tempo, ao minuto 35', quando João Varela cai na grande-área e corta um lance com o braço quando se encontrava já em queda no chão.

Viria a ser contudo de grande penalidade que o Sporting chegou à igualdade, sobre o intervalo, quando, ao minuto 43', Marcus Edwards foi travado em falta por Evenilton, num lance em que o jogador do Olivais e Moscavide se penitenciou de imediato junto dos seus companheiros. Chamdo a converter o castigo máximo, o mesmo Edwards não falhou e bateu Rúben Gonçalves, permitindo que as duas equipas recolhessem aos balneários com o marcador a registar um empate a um golo.

Para o segundo tempo Rúben Amorim resolveu finalmente mexer na sua equipa e dar-lhe mais velocidade, apostando num jogador que viria a revolucionar o futebol do Sporting, conferindo-lhe mais velocidade e objectividade. Geny Catamo, é dele que falamos, entrou ao intervalo para o lugar de Ivan Fresneda, e foi a partir do seu corredor que o conjunto leonino começou a mudar o rumo do jogo. Ricardo Barão ainda chamou a jogo Marco Colaço e Rodrigo Pedro, por troca com Evenilton e Diogo Brito, também no arranque do segundo tempo, mas logo ao minuto 53' o Sporting fez o segundo golo, e logo com um remate em força de Geny Catamo na recarga a uma defesa de Rúben Gonçalves depois de uma bola enviada ao ferro da baliza por Marcus Edwards.

Geny Catamo fez a diferença... e os golos!

A vencer e com o jogo controlado, o Sporting manteve ainda assim um ritmo lento e pouco ambicioso, perante uma equipa do Olivais e Moscavide que nunca deixou de dar luta, mesmo quando ficava claro que era a equipa de verde e branco que tinha faca e o queijo na mão. Catamo, pelo corredor direito, era dos poucos que procurava agora imprimir velocidade ao jogo, e mesmo quando Nuno Santos entrou para o lugar de Pedro Gonçalves, para dar mais velocidade ao corredor esquerdo, continuou a ser Catamo a surgir em maior evidência.

O inglês Marcus Edwards falhou um golo claro ao minuto 64', rematando ao lado quando tinha a baliza à sua mercê, Bragança também falhou ao minuto 76', e pelo meio os dois técnicos foram refrescando as respectivas equipas, com Ricardo Barão a apostar em Fábio Freire, Gonçalo Caroço e Joãozinho, por troca com Rodrigo Pedro, Sandro Martinho e Fabrício Simões, enquanto Amorim, do lado do Sporting, chamava a jogo Hjulmand, Gonçalo Inácio e Ricardo Esgaio, para as saídas de Essugo, St. Juste e Edwards.

Sobre o fim do jogo, quando tudo parecia indicar que o jogo iria terminar com a vitória tangencial do Sporting por 2-1, já dentro dos cinco minutos de compensação dados pelo juíz da partida, dois lances animaram a fase final do jogo, primeiro ao minuto 90'+03', com o Olivais e Moscavide a estar muito perto do golo que permitiria o empate, com Paulo Freitas a cabecear ao poste direito da baliza do Sporting na resposta a um cruzamento de Itallo, e depois, ao minuto 90'+05', no lance que terminou com o terceiro golõeso dos leões. Geny Catamo, outra vez ele, entrou em vlocidade pelo corredor direito, ultrapassou o guarda-redes Rúben Gonçalves que saiu aos seus pés, e já bem perto da linha de fundo cruzou para a entrada da baliza onde apareceu Daniel Bragança a ter apenas que encostar para o golo.

O Sporting venceu naturalmente o Olivais e Moscavide por 3-1, commo se costuma dizer nestas altura não houve “tomba-gigantes” e o resultado final foi ao encontro das expectativas, mas ficou claro ainda assim que também no futebol distrital pode haver equipas com brio e vontade, ao mesmo tempo que ficou claro que o Sporting terá que fazer mais e melhor quando se bater com equipas do seu campeonato, sob pena de poder ser surpreendida. Nota de destaque para Geny Catamo, claramente o homem do jogo, mas também para todo o grupo de trabalho do Olivais e Moscavide, que saiu da Amadora eliminado da Taça de Portugal mas com a cabeça bem erguida.

texto: Jorge Reis
fotos: Diogo Faria Reis e Luís Moreira Duarte 
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