O Benfica perdeu esta terça-feira na Liga dos Campeões frente à Real Sociedad, no Estádio da Luz, por 0-1, somando assim a terceira derrota em três jogos nesta competição em que ainda não conseguiu marcar um único golo, ficando virtualmente eliminado da fase seguinte e vendo mesmo com dificuldade o apuramento para a Liga Europa.

Num jogo em que apenas João Neves ao longo de toda partida, e Tiago Gouveia, a partir do minuto 70', conseguiram assinar exibições positivas e com querer e raça, todos os demais jogadores estiveram muito aquém do que os 56.002 espectadores que estiveram nas bancadas da Luz esperavam e queriam, face a um conjunto espanhol que ganhou com justiça, com tranquilidade, e que mostrou ser provavelmente a melhor equipa deste grupo D da Liga dos Campeões. E no final do jogo, pela primeira vez desde que chegou ao comando dos encarnados, o técnico alemão Roger Schmidt viu mesmo lenços brancos exibidos por alguns adeptos mais descontentes nas bancadas, que apontam o dedo ao técnico como culpado desta falta de produtividade do Benfica.

Sem conseguir pressionar, permitindo corredores abertos para os adversários, sem reação, com apatia e sem capacidade de resposta ao jogo do adversário, o Benfica perdeu apenas por um golo frente à Real Sociedade num jogo em que a turma espanhola podia mesmo ter conseguido um resultado mais volumoso, acabando por ser Trubin a defender pelo menos dois lances de golo para a turma do País Basco. Nesta Real Sociedad o japonês Kubo foi sempre uma enorme dor de cabeça para Jurasek, o meio campo da turma basca teve sempre muito mais bola, Otamendi e João Neves foram os únicos que fugiram à mediocridade numa equipa que ao longo de todo o jogo fez apenas cinco faltas, e na qual foi evidente a ausência de capacidade de pressão, frente a um adversário que teve sempre espaços para jogar sem oposição sobre o relvado da Luz.

Benfica entrou em campo sem determinação, com uma linha média em que Aursnes nunca conseguiu combinar a preceito com João Neves, deixando para o miúdo a necessidade de tapar todos os caminhos na linha média, como se o norueguês tivesse esquecido as necessidades impostas por uma zona do terreno da qual tem andado arredado

 

Nesta terceira ronda da fase de grupos da Liga dos Campeões em que o Benfica tinha que assumir o comando e chegar ao triunfo para manter o sonho de chegar aos oitavos de final da competição, o Benfica entrou em campo sem determinação, com uma linha média em que Aursnes nunca conseguiu combinar a preceito com João Neves, deixando para o miúdo a necessidade de tapar todos os caminhos na linha média, como se o norueguês tivesse esquecido as necessidades impostas por uma zona do terreno da qual tem andado arredado nos jogos anteriores.

João Mário foi outra nulidade, de tal forma que viria a sair ao intervalo, enquanto que Rafa e Neres, ou porque a bola não lhes chegou nas melhores condições, ou porque a inspiração não esteve lá, também não ajudaram o croata Petar Musa, este que na única vez em que recebeu a bola a preceito fez golo... anulado porque Rafa estava fora de jogo no início do lance de ataque.

Na retaguarda, António Silva revelou sempre dificuldades em segurar os avançados da Real Sociedade, nomeadamente Oyarzabal, valendo-lhe as dobras de Otamendi, Bah foi sempre um defesa fácil de ultrapassar no seu flanco por Barrenetxea, e Jurasek foi colocado no bolso pelo japonês Kubo, claramente o melhor elemento da equipa da Real Sociedade, o homem do jogo que só não marcou um golo de bandeira porque ao minuto 68, depois de puxar para dentro a partir do corredor direito, rematou de pé esquerdo enviando a bola à trave da baliza de Trubin no que seria um golo de grande nível e quando a Real Sociedade já estava a vencer, após o golo de Brais Méndez ao minuto 63, na finalização de um cruzamento a partir do lado esquerdo por Barrenetxea.

Perante este cenário montado no relvado da Luz, com uma equipa desligada, sem capacidade de trocar a bola com eficácia, incapaz de pressionar e recuperar a bola aos jogadores da Real Sociedad, o Benfica foi vivendo de algumas iniciativas individuais de um ou outro elemento, como o já referido João Neves ou o Tiago Gouveia, jogador que entrou ao minuto 70 para o lugar de David Neres, com o brasileiro neste jogo claramente desinspirado.

Roger Schmidt, que ao intervalo apostou em Arthur Cabral para a posição de Petar Musa, procurando porventura a veia goleadora que o brasileiro descobriu frente ao Lusitânia dos Açores, viu no avançado contratado à Fiorentina um elemento sem chama nem força, completamente incapaz de reagir, perdendo lances atrás de lances e ficando parado enquanto o jogo seguia com a bola nos pés do adversário

 

Roger Schmidt, que ao intervalo apostou em Arthur Cabral para a posição de Petar Musa, procurando porventura a veia goleadora que o brasileiro descobriu frente ao Lusitânia dos Açores, viu no avançado contratado à Fiorentina um elemento sem chama nem força, completamente incapaz de reagir, perdendo lances atrás de lances e ficando parado enquanto o jogo seguia com a bola nos pés do adversário.

Enquanto isso, no banco dos encarnados ficaram elementos como Florentino, que poderia ter sido um elemento determinante para agarrar um meio-campo que o Benfica nunca teve, ou Gonçalo Guedes que teria outra velocidade para dar, e valeu a aposta no jovem Tiago Gouveia, um jogador que também esteve em destaque frente ao Lusitânia e que até trouxe sangue novo ao Benfica, mas numa altura em que já lhe faltaram apoios lá na frente para dar uma capacidade global ao futebol do Benfica quando a Real Sociedade já controlava a vantagem do jogo com tranquilidade.

Roger Schmidt, que antes deste jogo afirmou que os jogos mais importantes são os jogos com o FC Porto, falhou redondamente pela incapacidade de incutir nos seus jogadores a obrigação de darem tudo, frente a um adversário em que era necessário pressionar logo junto à baliza à guarda de Merino, ele que raramente foi chamado a defender qualquer bola com maior aperto. Depois de uma época de 2022/2023 em que o Benfica, no seu primeiro terço, fez tudo bem e apenas pecou pelas derrotas frente ao FC Porto, o Benfica está agora a viver uma temporada de 2023/2024 com os valores invertidos, em que venceu os dois jogos frente ao FC Porto, mas tudo o resto está a correr de forma bem deficiente, ou pelo menos bem longe de correr bem como as adeptos do Benfica desejariam.

...valeu a aposta no jovem Tiago Gouveia, um jogador que também esteve em destaque frente ao Lusitânia e que até trouxe sangue novo ao Benfica, mas numa altura em que já lhe faltaram apoios lá na frente para dar uma capacidade global ao futebol do Benfica quando a Real Sociedade já controlava a vantagem do jogo com tranquilidade.

 

Afastado da continuidade na Liga dos Campeões, não em termos matemáticos desde já mas certamente em termos práticos — Real Sociedade e Inter de Milão, ambos com sete pontos após três jogos, depois do Inter ter ganho ao Salzburgo por 2-1, só precisam cada um de ganhar um jogo para seguirem em frente na prova —, o Benfica, com três jogos, três derrotas e zero golos na Champions, terá que apostar em vencer os três jogos ainda em tem pela frente para ficar na Liga Europa.

Ao mesmo tempo, terá de apontar baterias para o campeonato da I Liga, sob pena de que a época presente possa ser desastrosa, depois de um primeiro ano de Roger Schmidt que justificou até uma renovação de contrato que começa agora a ser questionada pelo adeptos. E só Roger Schmidt poderá emendar a mão numa época em que as coisas não estão a correr bem, sendo que as primeiras respostas terão que ser dadas já no próximo sábado frente ao Casa Pia.

texto: Jorge Reis
fotos: Diogo Faria Reis
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