Um golo do argentino Di Maria, na tranformação de um livre directo ao minuto 26', tirando o melhor partido da colocação deficiente do guarda-redes Thiago Silva, permitiu ao Benfica adiantar-se no marcador e desbloqueou resultado que viria a ser favorável aos encarnados, no final por 2-0, em jogo da segunda jornada da terceira fase da Taça da Liga, no qual uma derrota eliminava os encarnados desta competição. Ao invés, o Benfica terá agora que jogar com o AVS, sendo certo que um empate será suficiente para que a equipa da Luz siga adiante na Taça da Liga.

À partida para este jogo o técnico do Benfica, Roger Schmidt, começou logo por surpreender ao apresentar uma equipa com uma formação de novo completamente diferente daquilo que apresentou até agora na presente época, fazendo alinhar o conjunto encarnado com Trubin na baliza, três centrais — António Silva, Otamendi e Morato —, com João Neves e Aursnes nos corredores laterais, Florentino e João Mário no meio, sobrando na frente Di Maria e rafa no apoio a Gonçalo Guedes.

Certo é que o Benfica continuou neste jogo com uma enorme dificuldade em encontrar quem finalize, mantendo-se entre os jogadores encarnados a visível receio de falhar, acabando quase todos os elementos por se “esquecerem” de tentar o remate quando tiveram oportunidade de o fazer, optando quase sempre a opção por recair no passe para outro companheiro ao invés de alguém ousar no remate. Exemplo máximo desta realidade foi protagonizado por Rafa, que procurou quase sempre um colega de equipa e raramente tentou ser ele a bater o guarda-redes do Arouca.

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Ao minuto 26', na transformação de um livre directo por Di Maria que o próprio jogador argentino conseguiu, ao ser carregado por Javi Montero à beira da grande-área do conjunto arouquense em posição frontal à baliza, o Benfica chegou ao primeiro golo do jogo, na transformação perfeita do livre pelo argentino com um pontapé para o lado direito do guarda-redes Thiago Silva, afinal o lado do guardião da equipa da casa que tinha obrigação de fazer mais, dando a ideia de que estava à espera do remate para o outro lado e acabou surpreendido pelo remate de Di Maria que acabou por assinar neste lance o seu sétimo golo desde que regressou ao clube da Luz.

O Arouca teve alguma dificuldade em equilibrar o seu jogo a partir do momento em que ficou em desvantagem no marcador, num jogo que até ao intervalo permitiu ainda três situações de amostragem de cartões amarelos, dois dos quais para os jogadores do Benfica, António Silva e Gonçalo Guedes, e um para um homem do Arouca, Rafael Fernandes. Perante este cenário, o técnico do Arouca acabou por mexer na sua equipa à entrada para o segundo tempo, com a colocação em jogo de Cristo González e Weverson, para as saídas de Jason e Milovanov.

Com a equipa renovada, o Arouca procurou criar alguns lances de perigo e Mujica surgiu por algumas vezes mais balanceado para o ataque a conseguir ultrapassar a última linha defensiva dos encarnados e a levar perigo até à baliza de Trubin. Contudo, acabou por ser o Benfica a chegar de novo ao golo, ao minuto 53', entretanto anulado pelo VAR. Di Maria assinou um excelente passe em profundidade para a entrada de João Mário a partir do corredor direito, com João Mário a finalizar de forma perfeita, mas antes, no arranque da jogada, Gonçalo Guedes foi apanhado em posição irregular pelo que todo o lance foi anulado e com isso o Benfica manteve a sua vantagem tangencial por 1-0 por esta altura.

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Roger Schmidt resolveu então mexer na sua equipa, apostando nas entradas de Tiago Gouveia, Tengstedt e Arthur Cabral, para as saídas de Rafa, Di Maria e Guedes, ficando o Benfica em campo com uma linha ofensiva completamente renovada. Logo no lance seguinte, Montero, do Arouca, em queda na sua grande-área, travou a bola com o braço mas o árbitro considerou que não havia motivo para grande penalidade por se tratar de uma colocação do braço em apoio sem intenções de travar a progressão da bola. O Benfica continuava a vencer o jogo mas de forma tangencial, deixando em aberto a possibilidade de um golo do Arouca poder colocar o triunfo dos encarnados em causa.

Sobre o minuto 67' foi a vez do técnico do Arouca mexer na sua equipa, com a entrada de Lawal por troca com David Simão. Há um lanve em que Florentino trava um ataque do Arouca num lance em que toca na bola, pelo que não houve lugar à marcação de qualquer falta, num jogo em que Arthur Cabral e Tengstedt passaram a ser agora os avançados do Benfica, num jogo em que o homem mais influente passou a ser o jovem Tiago Gouveia, mais voluntarioso e a fazer a diferença, ao contrário dos seus companheiros no ataque. Já do lado do Arouca  equipa procurou mesmo instalar-se no meio-campo ofensivo, encostando o Benfica à sua baliza, mas sem consequências práticas, acabando mesmo o Benfica por fazer o segundo golo por Arthur Cabral, depois de uma assistência de Tengstedt, para um bom golo do avançado brasileiro.

Arthur Cabral recebeu a bola na transição da linha de meio-campo, conseguiu correr todo o meio-campo da turma do Arouca com três adversários nas suas costas e, em frente ao guarda-redes já na área de baliza da equipa da casa, bateu para o lado esquerdo de Thiago Silva atirando a bola para o fundo das malhas da baliza e assinando o 2-0 num bom golo, o segundo do brasileiro com a camisola do Benfica trabalhado pelos dois elementos que até aqui, e desde que entraram, eram os que estavam a dar menos à equipa encarnada.

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Sobre o minuto 77' o técnico Roger Schmidt apostou em Bernat para o corredor esquerdo, fez sair Florentino, rumou João Neves para o meio-campo e Aursnes trocou de corredor, passando agora a jogar na ala esquerda. Respondia o técnico Daniel Ramos na equipa do Arouca com a chamada ao jogo de Galovic e Oriol Busquets, para as saídas de Javi Montero e Kouassi. O jogo estava no entanto controlado pelo Benfica, tranquilo agora a vencer por 2-0, numa altura em que a equipa da casa ainda procurava tirar partido de algum lance que permitisse ao Arouca reentrar na discussão do resultado.

A cinco minuto do final da partida há mais uma alteração na equipa do Benfica, desta feita com a entrada de Tomás Araújo por troca com António Silva, com o central dos encarnados a apontar para o seu pé no momento da saída, dando a ideia que terá saído tocado, isto numa altura em que são vários os jogadores do clube da Luz entregues aos cuidados da equipa médica benfiquista. Araújo entrou assim para completar o trio de centrais no esquema táctico do Benfica, com Schmidta a manter este esquema táctico inovador nos encarnados.

O árbitro Hélder Carvalho deu mais cinco minutos de compensação e o Arouca, depois da linha avançada da equipa da casa deixar pelo caminho o lateral Bernat, acabou Milovanov por ensaiar o remate à baliza dos encarnados, com Trubin a blocar a bola sem problemas numa defesa segura. Continuava ainda assim o Arouca a jogar no meio-campo defensivo do Benfica, num jogo à beira da conclusão.

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O Arouca ficava assim mais longe de ganhar este grupo da Taça da Liga, enquanto o Benfica regressava às vitórias no primeiro de três golos fora do Estádio da Luz, tendo agora pela frente a deslocação ao recinto do Desportivo de Chaves no próximo sábado, em jogo da 10ª jornada do campeonato da I Liga, e depois, na quarta-feira, 8 de Novembro, em Espanha frente à Real Sociedad em jogo para a Liga dos Campeões.

Vitória afinal mais tranquila do que se poderia esperar para o Benfica, que se não surpreendeu no resultado, acabou por permitir a surpresa na forma como o técnico Roger Schmidt montou o esquema táctico da sua equipa, com três defesas centrais, uma linha média de quatro elementos, na qual João Neves voltou a ser o melhor jogador em campo, e três jogadores lá na frente com tarefas mais ofensivas. Referência ainda para o facto do segundo golo do Benfica ter sido construído por um passe de Tengstedt e finalização de Arthur Cabral, dois jogadores que têm sido mal amados pelos adeptos benfiquistas mas que acabaram por ser eles a resolver este jogo. Do lado do Arouca, a turma do distrito de Aveiro nunca se encostou à sua baliza, até porque ficou a perder desde cedo no jogo, fruto do golo de Di Maria ao minuto 26', acabando por permitir um jogo bem disputado num terreno muito complicado por culpa da muita chuva que tem caído na zona norte do país.

texto: Jorge Reis
fotos: ©X (twitter)
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