Com uma primeira parte quase perfeita e um segundo tempo em que só não marcou mais golos porque o guarda-redes Ricardo Velho “engatou” para uma boa exibição na fase final da partida, o Sporting venceu esta quinta-feira o Farense por 4-2, com três golos do sueco Viktor Gyokeres, num jogo referente à Taça da Liga em que o Farense conseguiu ainda assim deixar a sua marca com dois golos “à lei da bomba”. Ruben Amorim mudou a sua equipa, apresentou um onze com Gonçalo Inácio na posição seis e com Gyokeres a ponta de lança, e o resultado foi muito bom para os leões, frente a um Farense que procurou discutir o jogo, nomeadamente no segundo tempo quando tentou mesmo reabrir a discussão do resultado num jogo que esteve, ainda assim, sempre bem controlado pelo Sporting, e que coloca a turma de Alvalade em boa posição para garantir o apuramento para a “final four” desta competição.

Balanceado para o ataque desde o segundo lance, isto porque na saída de bola o Farense rematou à baliza contrária, o Sporting, praticamente instalado a tempo inteiro no meio-campo defensivo do Farense, desde cedo que deu a ideia de que iria vencer de forma fácil este jogo referente à Taça da Liga, perante um adversário que nos primeiros 45 minutos raramente conseguiu transpor de forma consequente a linha de meio-campo para o lado da baliza da turma da casa.

Sempre sob uma chuva suave mas constante, que só viria a parar já perto do final, num Estádio de Alvalade que nesta noite de quinta-feira ficou longe de conseguir a sua melhor assistência, os pupilos de Ruben Amorim foram experimentando diversas formas de chegar até à baliza à guarda de Ricardo Velho, acabando por criar um lance em que Matheus Reis, ao minuto 12', procurou “cavar” uma grande penalidade na discussão de bola com Gonçalo Silva. Só que, chamado a rever o lance pelo VAR Luís Ferreira, o árbitro Gustavo Correia não só anulou a grande penalidade como ainda mostrou o cartão amarelo para o jogador sportinguista pela simulação com tão grosseiro mergulho para o relvado. Ainda não seria por isso neste lance que o marcador iria funcionar, mas continuava a ser o Sporting a andar perto do golo.

Com Franco Israel na baliza, o trio de centrais formado por St. Juste, Diomande e Matheus Reis, ainda Gonçalo Inácio e Daniel Bragança à frente da defesa, com Nuno Santos e Ricardo Esgaio nas alas, sobrando para as acções ofensivas Trincão, Paulinho e Viktor Gyokeres, o Sporting ia mostrando capacidade de segurar o jogo, limitando o Farense a permanecer no seu meio-campo defensivo, ainda que a eficácia na construção ofensiva nem sempre fosse a melhor. Já do lado do Farense, para além do guarda-redes Ricardo Velho, uma linha de quatro defesas, com Francisco Delgado, Gonçalo Silva, Artur Jorge e Talocha, surgindo Cláudio Falcão e Fabrício Isidoro na linha média defensiva, com Belloumi e Marco Matias nos corredores laterais, e ainda Mattheus Oliveira nas costas do avançado Bruno.

E foi com estes esquemas tácticos dos dois conjuntos que o Sporting chegou ao golo, ao minuto 24', por Viktor Gyokeres, na sequência de uma assistência de Trincão a partir do corredor direito do ataque leonino, sobrando para o avançado sueco a única necessidade de bater a bola para o fundo da baliza do Farense.

A vencer, tudo se tornou mais fácil para o Sporting, ainda mais quando, dois minutos depois, Trincão foi carregado dentro da grande-área por Cláudio Falcão, num lance que não deixou margem para dúvidas quanto à marcação de uma grande penalidade pelo árbitro, desta vez inconstestada. Chamado a marcar, Viktor Gyokeres, de novo, rematou para o lado direito do guarda-redes Ricardo Velho e assinou o segundo golo nesta partida, dois golos em três minutos que deixaram claro, pelo menos por esta altura, quem estava sem qualquer dúvida a dominar e a merecer a liderança no marcador deste jogo.

Até ao final do primeiro tempo o marcador não viria a sofrer mais alterações, mesmo com o Sporting a procurar sempre os melhores caminhos para a baliza à guarda de Ricardo Velho, num jogo tranquilo para a turma de Alvalade, que pôde desde cedo gerir os melhores momentos de ter posse de bola ou de procurar impor mais velocidade na circulação da bola mais perto da baliza do Farense. Ao minuto 42´ Ricardo Esgaio ainda testou um remate forte já dentro da grande área dos algarvios que obrigou Ricardo Velho a uma defesa apertada, mas foi o mais próximo que o Sporting esteve de marcar ainda antes do descando permitido pelo intervalo.

Curiosamente, com o recomeço da partida, depois das duas equipas entrarem em campo com o mesmo registo com que haviam recolhido aos balneários, acabou por ser o Farense a chegar ao golo, ao minuto 49', num remate de longe de Mattheus Oliveira, ele que no passado envergou a camisola da turma de Alvalade e que, agora no Farense, está a assinar uma época particularmente interessante, assinando golos de belo efeito como este em Alvalade num remate de longe que deixou Franco Israel pregado ao relvado.

Claro que o golo do Farense deu outro alento à equipa visitante, mas nem por isso o Sporting deixou de dominar a partida, algo que passou a fazer ainda melhor quando, ao minuto 55, Ruben Amorim fez entrar Pedro Gonçalves por troca com St. Juste. Gonçalo Inácio recuava agora para central, Daniel Bragança e Pedro Gonçalves assumiam o “miolo” da equipa do Sporting e o domínio continuava a pertencer à equipa da casa.

E foi já com este novo figurino que o Sporting voltou a marcar, ao minuto 56', por Nuno Santos, num segundo remate em que o guarda-redes Ricardo Velho acaba muito mal batido, com a bola a passar entre as suas pernas. Numa primeira tentativa de passe de Nuno Santos para servir Gyokeres é Gonçalo Silva quem desvia a bola contra o seu próprio guarda-redes, que evitou o auto-golo, acabando Nuno Santos por ter a bola de novo ao seu dispor, agora para um remate, num lance em que o mesmo Gonçalo Silva acaba agora por impedir a melhor visão da bola para o guarda-redes, que permite ainda assim um frango neste jogo de Alvalade.

Ao minuto 59', depois de várias oportunidades de golo para a turma de Alvalade sempre com o Farense a sacudir a bola mas sem terminar a jogada, acabou por ser Trincão a rematar ao poste mais distante para uma defesa brilhante de Ricado Velho, a compensar a falha que cometera minutos antes e que permitira o terceiro golo para a equipa da casa. Começava aqui Ricardo Velho uma sequência de boas defesas que viriam a impedir um resultado mais volumoso para o Sporting.

E se não foi desta que que o Sporting marcou o quarto golo da noite, foi ao minuto 63' a altura para o hattrick de Viktor Gyokeres, num lance individual em que fez tudo bem. Com um passe longo de Pedro Gonçalves, o avançado sueco partiu desde junto da linha do grande círculo, ultrapassou o último homem do Farense, o defesa Artur Jorge, único homem com a missão de guardar o sueco, e acabou este por rematar para o fundo da baliza de Ricardo Velho, que consentiu assim nesta noite o quarto golo do Sporting e terceiro para as contas pessoais de Gyokeres.

Com a sua tarefa mais do que cumprida, o avançado sueco acabou por sair logo depois do quarto golo leonino, com Ruben Amorim a gerir a sua equipa, fazendo entrar Marcus Edwards e Luís Neto, por troca com Gyokeres e Matheus Reis. Do lado do Farense, Mattheus Oliveira viria a dar o seu lugar a Rafael Barbosa, numa equipa em que já havia entrado antes Zé Luís, Vítor Gonçalves, Rui Costa e Caseres. Ruben Amorim ainda voltou a mexer na sua equipa, agora para as entradas de Coates e Essugo, eles que assumiram as posições de Diomande e Daniel Bragança, tudo isto num jogo já resolvido, em que os dois técnicos geriam agora o esforço físico dos seus jogadores, com vantagem para Ruben Amorim que tinha a seu favor o conforto de um resultado de 4-1, para aplauso dos 22.801 adeptos que marcaram presença nas bancadas de Alvalade.

O certo é que o Farense não queria dar o jogo como perdido e ao minuto 80' Vítor Gonçalves conseguiu mesmo o segundo golo para o conjunto algarvio, num lance iniciado por Rui Costa, com um passe a solicitar a corrida de Vítor Gonçalves e este a aparecer em velocidade à entrada da grande área para um remate em força, uma bomba que levou a bola a parar apenas no fundo das redes da baliza de Israel, um golaço para a turma farense.

O Sporting tinha o jogo ganho e controlado, mas sabia que não poderia facilitar, perante um adversário que já dera sinais claros que não estava disposto a vender o resultado de forma fácil. Isso mesmo ficou claro ao minuto 86' quando os jogadores do Sporting foram obrigados a fazer uma parede bem compacta impedindo pelo menos três remates em força à baliza de Franco Israel. O Farense, que em habilidade não conseguia ultrapassar a última linha leonina, tentava fazê-lo em força, mas foi ainda assim incapaz de voltar a marcar perante uma equipa do Sporting que tinha agora menos eficácia ofensiva, num jogo partido em que era por esta altura a turma algarvia quem mais fazia por chegar ao terceiro golo que reabrisse a discussão da vitória sportinguista.

Com seis minutos de compensação dados pelo árbitro, o Sporting procurou defender com as suas linhas mais subidas no terreno, mantendo o Farense mais longe da sua baliza, com Paulinho a surgir já à beira do final da partida como o único homem disponível para as acções ofensivas à baliza de Ricardo Velho. Ruben Amorim, o treinador do Sporting de quem ao longo do dia desta quinta-feira se ouviu dizer pela Imprensa britânica que poderá estar de novo no horizonte do Manchester United, onde Erik ten Hag poderá ter os dias contados, pôde assim assistir de forma mais ou menos tranquila ao final de mais um triunfo do seu Sporting, isto quando, e ainda a propósito do Manchester United, são apontados para a liderança da técnica da turma britânica Amorim mas também o francês Zinedine Zidane.

Mercado de treinadores à parte, este jogo entre Sporting e Farense terminou sem mais mudanças no marcador, com o Sporting a vencer sem contestação por 4-2, perante um Farense que saiu de Alvalade com a cabeça erguida, consciente de que conseguiu igualmente uma boa partida, com uma réplica obtida à custa de remates potentes e colocados, frente a um adversário mais tecnicista, com mais futebol, que justificou em pleno os quatro golos que obteve e o triunfo neste jogo da Taça da Liga. A vitória por 4-2, aliás, poderá abrir caminho para que os leões de Alvalade cheguem à “final four” desta competição, tendo ainda assim que apontar todas as atenções para o jogo do próximo domingo, de novo em Alvalade, na recepção ao Estrela da Amadora, da 10ª jornada do campeonato da I Liga. Já o Farense, para a mesma competição, recebe na próxima segunda-feira, em Faro, a turma do Arouca.

Jorge Reis (texto)
Luís Moreira Duarte (fotos)
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