Quem acompanhou “in loco” os dois primeiros dias da Semana Académica de Lisboa (SAL), realizados no Parque Tejo Trancão, não ficou certamente muito surpreendido com a notícia que chegou hoje da organização do evento: os três dias da SAL referentes ao segundo final de semana foram cancelados e adiados “para Maio de 2024”, justificando-se a organização do evento com “a adesão do público verificada no último fim-de-semana e também a que estava prevista para os últimos dias do evento.”

Sem fazer qualquer referência às muitas falhas verificadas nos dois primeiros dias deste “festival académico” que o LusoNotícias aqui foi dando conta, desde as dificuldades operacionais dentro do recinto alegamente “por razões logísticas” até ao cancelamento de actuações da parte de dois dos mais importantes músicos do cartaz do segundo dia que alegaram “incumprimento contratual” sem que a organização da SAL esclarecesse devidamente o que se passou, o comunicado divulgado esta terça-feira através das redes sociais da SAL veio tão só dar conta do “adiamento” do evento e da disponibilidade para o reembolso para aqueles que já tinham adquirido os bilhetes para os últimos três dias do evento que não queiram ficar com os mesmos, ainda que válidos para o evento quando for retomado (se for retomado) em Maio de 2024.

Em comunicado chegado à redação do LusoNotícias, fonte da organização da SAL explicou tão só que “os bilhetes diários adquiridos para os dias 28, 29 e 30 permanecerão válidos para as novas datas a anunciar”, sendo que “os portadores de bilhetes diários que pretendam o reembolso poderão solicitar a sua devolução.”

“Acrescenta o mesmo comunicado que “os passes gerais adquiridos permanecem válidos para as novas datas ou se pretenderem o reembolso, poderão solicitar a devolução proporcional aos restantes 3 dias de evento”, indo ao encontro afinal do que foi publicado nas redes sociais da SAL.

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Por esclarecer continuam as acusações de incumprimento contratual que os músicos Bispo e Papillon fizeram que levaram mesmo a que as respectivas actuações no segundo dia da SAL fossem canceladas horas antes dasuposta entrada em palco dos músicos, do mesmo modo que não se sabe quais os entendimentos que serão agora feitos com os músicos que estavam agendados para os próximos três dias do festival, quinta-feira, sexta-feira e sábado, 28, 29 e 30 do corrente mês de Setembro, dias em que a música já não se fará ouvir no Parque Tejo Trancão.

Merecedora a população académica de Lisboa, naturalmente em grande número, mas também os muitos fãs dos músicos que iriam actuar neste evento, de outra consideração por parte da organização deste festival de música e lazer, fica assim a semana académica de Lisboa manchada na sua credibilidade pela forma como todo o evento é agora cancelado e “adiado” para Maio de 2024 sem datas anunciadas e, naturalmente, sem cartaz assegurado, não havendo condições para mesmo os mais crédulos possam ficar com os ingressos entretanto já adquiridos pela incerteza do que irão ter para ver na Primavera do próximo ano e se irão ter para ver alguma coisa.

Resta dar conta que o LusoNotícias tentou ter acesso a números oficiais da afluência de público ao recinto do Parque Tejo Trancão nos dois primeiros dias do evento, mas a organização da SAL não os divulgou, ficando as nossas questões sem resposta, pelo que nem sequer será possível justificar se o argumento agora usado para justificar o cancelamento do evento teve ou não alguma razão de ser.

Jorge Reis
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