HerbertoHelderNo dia em que foi conhecida a morte de Herberto Hélder, deixamos um perfil daquele que muitos apontavam como o maior poeta português da segunda metade do século XX , um homem que procurava fugir das luzes da ribalta, evitando sempre entrevistas ou fotografias, fugindo afianl de outros palcos que não apenas os que construía com a sua escrita: os livros.

“A Morte Sem Mestre” foi o último testemunho que Herberto Hélder deixa do seu trabalho, publicado no ano passado. Para trás,ficam obras como “O Amor em Visita” (1958) e “Servidões” (2013). Dotado de uma personalidade sui generis, o poeta chegou a rejeitar uma distinção atribuída anualmente pelo Expresso - o “Prémio Pessoa” – em 1994. “Não digam a ninguém e dêem o prémio a outro", disse.

Nascido no Funchal em 1930, rumou enquanto estudante ao continente onde se matriculou na Faculdade de Direito de Coimbra. Porém, outros interesses falaram mais alto e migrou para a Faculdade de Letras, onde cursou Filologia Romântica, curso que não chegou a concluir. Viajou depois para a capital e emergiu em outros meios como o jornalismo, a tradução, o rádio e a publicidade. A paixão pela escrita e por todo o meio envolvente nascia, ainda que não directamente relacionada com a literatura. Teve uma passagem por Angola, onde desempenhou funções de redactor no jornal “Notícia”, marcada por um acidente grave.

Em 1964, em parceria com António Aragão, dava os primeiros passos no surrealismo literário, com a compilação do “1º caderno antológico de Poesia Experimental”, que precedeu a obra “Os Passos em Volta”. Herberto Hélder lançou-se, por esta altura, na literatura nacional.

Não gostava de entrevistas nem de ser fotografado. Não atribuía especial significado a prémios. Em 1994, o poeta Herberto Hélder foi distinguido pela sua obra, que "ilumina a língua portuguesa". No entanto, preferiu manter-se como um “poeta oculto", recusando-se a receber o Prémio Pessoa. Entre as particularidades do poeta está o facto de os seus livros terem apenas uma edição.

Para a história da literatura nacional fica a compilação de todas as suas obras publicadas...

Poesia

  • Poesia – O Amor em Visita (1958)
  • A Colher na Boca (1961)
  • Poemacto (1961)
  • Retrato em Movimento (1967)
  • O Bebedor Nocturno (1968)
  • Vocação Animal (1971)
  • Cobra (1977)
  • O Corpo o Luxo a Obra (1978)
  • Photomaton & Vox (1979)
  • Flash (1980)
  • A Cabeça entre as Mãos (1982)
  • As Magias (1987)
  • Última Ciência (1988)
  • Do Mundo, (1994)
  • Poesia Toda (1º vol. de 1953 a 1966; 2º vol. de 1963 a 1971) (1973)
  • Poesia Toda (1ª ed. em 1981)
  • A Faca Não Corta o Fogo - Súmula & Inédita (2008)
  • Ofício Cantante (2009)
  • Servidões (2013)
  • A Morte Sem Mestre (2014)

Ficção

  • Os Passos em Volta (1963)
  • Apresentação do Rosto (1968)
  • A Faca Não Corta o Fogo (2008)
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