eduardolourencoEduardo Lourenço venceu o prémio Vasco Graça Moura-Cidadania Cultural instituído pela Estoril-Sol e pela editora Babel .

O prémio foi atribuído por unanimidade ao ensaísta de 92 anos que garantiu em declarações ao Diário de Notícias sentir-se “honrado”.

“Seria uma grande arrogância da minha parte não ficar honrado com este prémio”, afirmou Eduardo Lourenço, acrescentando que “para qualquer pessoa que recebesse um prémio com o nome do poeta e homem de acção que foi o Vasco Graça Moura seria uma grande honra, um grande prazer e uma grande alegria. É o meu caso”.

Segundo o regulamento do prémio Vasco Graça Moura-Cidadania Cultural, este “visa distinguir um escritor, ensaísta, poeta, jornalista, tradutor ou produtor cultural que, ao longo da carreira - ou através de uma intervenção inovadora e de excepcional importância -, haja contribuído para dignificar e projectar no espaço público o sector a que pertença”. Tem também periodicidade anual e o vencedor recebe 40 mil euros.

O júri presidido por Guilherme d’Oliveira Martins do Centro Nacional da Cultura foi composto pela professora de Literatura Maria Alzira Seixo, pelo presidente da Associação Portuguesa de Escritores, José Manuel Mendes, pelo ensaísta Manuel Frias Martins, por Maria Carlos Loureiro, da Direção-geral do Livro, Bibliotecas e Arquivos, pelo escritor Liberto Cruz, pelo professor José Carlos Seabra Pereira, da Babel, e por Nuno Lima de Carvalho e Dinis de Abreu, da Estoril Sol.

A Lusa teve acesso ao documento que os jurados redigiram onde se pode ler o porquê da atribuição do prémio a Eduardo Lourenço: “Em tempos de incerteza trata-se de uma voz de esperança, que apela ao diálogo e à paz, com salvaguarda da liberdade de consciência e do sentido crítico. A sua heterodoxia mantém-se viva e actual em nome do compromisso cívico com a liberdade e a responsabilidade solidária (…) Trata-se de uma personalidade multifacetada que se singulariza pela coerência entre um pensamento independente e aberto e uma permanente atenção à sociedade portuguesa, à sua cultura, numa perspectiva universalista, avultando a reflexão sobre uma Europa aberta ao mundo e nunca fechada numa qualquer fortaleza encerrada no egoísmo e no preconceito.”

O júri acrescentou ainda que “Vasco Graça Moura manifestou em diversas circunstâncias expressamente a sua admiração pela personalidade de Eduardo Lourenço como intelectual e cidadão, em especial quando foi o principal promotor da candidatura vencedora do ensaísta ao Prémio Europeu de Ensaio Charles Veillon (1988), a propósito da publicação de 'Nós e a Europa ou as duas razões'”.

“O reconhecimento de uma personalidade largamente consagrada constitui assim, e também, uma homenagem a Vasco Graça Moura, que tanto apreciava a obra e a pessoa de Eduardo Lourenço”, finalizou o júri.

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