umberto-eco1Morreu ao final da noite desta sexta-feira, às 22h30 em Itália, menos uma hora em Portugal, na sua residência, o escritor Umberto Eco . Aos 84 anos parte o filósofo e escritor italiano, um dos mais influentes pensadores europeus e autor de diversas obras literárias como, entre outras, "O Pêndulo de Foucault" (1988) e "O Cemitério de Praga" (2010), mas também "O nome da Rosa", obra adaptada para o cinema em 1986.

Pensador, filósofo, ensaísta, romancista e crítico literário, Umberto Eco era figura de renome no meio académico, sendo tido como uma referência em semiótica. O conhecimento público da sua obra foi conseguido, sem qualquer dúvida, com "O nome da Rosa", um livre que conta a história de um monge franciscano que, em 1327, recebeu a missão de descobrir as misteriosas mortes de sete monges em sete dias.

Recentemente lançou o seu último livro, em 2015, com o título "Número Zero", no qual tece duras críticas ao mau jornalismo, à mentira e à manipulação da história. Uma paródia sobre tempos convulsos, porque "essa é a função crítica do intelectual". "Essa é minha maneira de contribuir para esclarecer algumas coisas. O intelectual não pode fazer nada, não pode fazer a revolução. As revoluções feitas por intelectuais são sempre muito perigosas", explicou o autor na época à agência de notícias EFE.

Redes sociais dão a palavra a uma legião de imbecis

Nascido em Alexandria, Itália, a 5 de janeiro de 1932, Umberto Eco fundou em 1988 o Departamento de Comunicação da Universidade de San Marino, sendo desde 2008 professor emérito e presidente da Escola Superior de Estudos Humanísticos da Universidade de Bolonha. Curiosamente, porém, tinha um convívio pouco pacífico com as novas formas comunicacionais, sendo um crítico assumido das do papel das novas tecnologias no processo de disseminação de informação.

Em Julho do ano passado, num evento realizado na Universidade de Turim, em Itália, Eco afirmou que as redes sociais dão o direito à palavra a uma "legião de imbecis" que antes falavam apenas "num bar e depois de um copo de vinho, sem prejudicar a comunidade". "Normalmente, eles [os imbecis] eram imediatamente calados, mas agora eles têm o mesmo direito à palavra que é dado a um Prémio Nobel", afirmou.

Umberto Eco esteve várias vezes em Portugal e gostava particularmente da cidade de Tomar, que visitava sempre que podia, e que um dia definiu como sendo o "umbigo do Mundo".

 

 

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