Assinalou-se este mês, em 21 de outubro, os 500 anos da descoberta do Estreito de Magalhães pelo português Fernão de Magalhães, marco que serve de ponto de partida para o livro lançado pela Manuscrito, do historiador José Manuel Garcia, “Fernão de Magalhães – Herói, Traidor ou Mito: a história do primeiro homem a abraçar o mundo”, obra em que o autor traça um relato integral da viagem feita pelo navegador à volta do mundo sem descurar o homem que foi responsável pela passagem do estreito que viria a ter o seu nome. 

Naquele dia 21 de Outubro de 1520, o navegador e a sua frota chegaram ao extremo sul da América do Sul, atravessando o estreito que mantém o seu nome até aos dias de hoje. Esta viagem tornou-se num importante marco para melhor conhecer o planeta Terra e uma das maiores proezas da navegação. Foi devido a esta passagem que se provou que a Terra não estava fechada até ao Polo Sul e que a possibilidade de navegar entre o Oceano Atlântico e o Pacífico era na verdade uma certeza.

Fora entre 1502 e 1512 que Magalhães realizara a primeira metade da sua viagem à volta da Terra atingindo o Oriente pela direita. Quando se fez ao mar pela esquerda, para Ocidente, entre 1519 e 1521, tornou-se no primeiro homem a fazer a viagem de circum-navegação do planeta, provando assim que este é redondo. Partiu sem certezas, mas convicto de que provaria a sua teoria e chegaria a bom porto, o que na verdade se confirmou. Tornou-se, assim, no maior descobridor de todos os tempos devido ao que o seu feito permitiu provar.

A conquista do Estreito de Magalhães, pode dizer-se, foi, no fundo, o início do processo de globalização como hoje o conhecemos. A sapiência de Fernão de Magalhães, aliada à sua persistência e conhecimentos da arte de navegar, levou a que os oceanos se unissem criando uma ligação mundial que levou à realidade reconhecida por todos. A história da mais “difícil, longa e significativa viagem marítima” de sempre é contada tendo como base uma intensa e apurada investigação e consulta de diversas fontes que culminou neste trabalho agora lançado pela Manuscrito. 

Doutorado em História pela Universidade do Porto, José Manuel Garcia, fez parte da Comissão Nacional para as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses, pertence à Academia Portuguesa de História e à Academia de Marinha em Lisboa. Tem uma vasta obra publicada sobre a História de Portugal e os Descobrimentos, entre os quais se destacam obras sobre o Infante D. Henrique, Cristovão Colombo. D. João II. D. Manuel, Vasco da Gama ou o Tratado de Tordesilhas. Atualmente é investigador no Gabinete de Estudos Olisiponenses. Com este livro descreve, sem dúvida, uma proeza que marcou a História da Humanidade.

Leonor Noronha

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