Depois de 15 minutos em que acusaram a pressão da responsabilidade do jogo frente a um Paok que até entrou muito bem na partida, pressionando e procurando ter mais bola, a verdade é que o Benfica agarrou o encontro, criou oportunidades e poderia ter chegado ao intervalo a vencer por dois ou três golos sem qualquer dificuldade frente a um adversário que raramente incomodou o guardião Vlachodimos. Só que ter posse de bola e criar oportunidades é muito pouco se os golos não aparecerem e o golo que Pizzi marcou na transformação de uma grande penalidade, cometida sobre Gedson Fernandes no último minuto do primeiro tempo, foi claramente pouco para as pretensões dos "encarnados". Aliás, acabou por ser ainda menos a partir do momento em que também o Paok chegou ao golo, já no segundo tempo, concluindo o jogo com um empate (1-1) que para já é claramente vantajoso para o conjunto grego.

Do lado do Benfica, uma sucessão de desaires mas também de erros, alguns mesmo de casting, acabaram por determinar um resultado que não dita o desfecho deste playoff de apuramento para a fase de grupos da Liga dos Campeões, até porque ficou claro que o Paok está perfeitamente ao alcance do Benfica, mas facilidade é uma palavra que certamente não será encontrada na história da viagem do Benfica à Grécia, na próxima semana, já depois do “dérbi” do próximo sábado entre Benfica e Sporting. Falando em desaires, os problemas físicos sentidos por Toto Sálvio na manhã desta terça-feira começaram por permitir o primeiro obstáculo a Rui Vitória e, “por tabela”, resultaram no primeiro erro de casting. É que o treinador do Benfica apostou em Zivkovic, concretizando uma troca que já fizeram em situação de jogo nas normais substituições do segundo tempo. Só que Zivkovic mostrou não estar propriamente ao nível do argentino, e só quando Rui Vitória apostou na troca de Zivkovic por Rafa é que o Benfica conseguiu alguma velocidade no corredor direito do ataque.

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Os erros de casting, porém, no Benfica, não se limitam à linha média, até porque é no ataque que Rui Vitória parece ter maiores dificuldades em encontrar as soluções ideais para a sua equipa. Com Castillo lesionado, Ferreyra tarda e conseguiu justificar as credenciais com que chegou ao Estádio da Luz, mostrando-se lento, sem capacidade de explosão, sem confiança, sem potência no remate e até a evidenciar algum receio em ir ao choque nos lances em que seria necessário empregar alguma força física na área do adversário.

Facundo Ferreyra: um dos principais erros de casting

Deste jogo fica ainda uma nota relativamente a Facundo Ferreyra: Quando o árbitro assinalou ao minuto 45 uma grande penalidade por falta cometida sobre o jovem Gedson Fernandes, seria normal que fosse chamado Ferreyra a cobrar a grande penalidade, para ganhar a confiança que parece precisar, e porque estamos a falar do único jogador com o estatuto de “avançado” que o Benfica tinha naquele momento em jogo. Porém, tirando partido do bom momento que atravessa Pizzi, foi este que foi chamado a bater o castigo máximo, algo que fez com mestria já que conseguiu mesmo o golo para os “encarnados”. Todavia, a verdade é que Ferreyra voltaria a passar ao lado de um jogo em que seria necessário ao conjunto benfiquista um homem com faro de golo que este avançado tarda em evidenciar.

E se Ferreyra não se mostra capaz de ser a arma letal no ataque, com Castillo lesionado e com Jonas ainda fora da equipa sem se saber se continua ou pode ainda sair nestes últimos dias de mercado, sobram Seferovic, que parece estar com guia de marcha para deixar o Benfica logo que Rui Vitória tenha uma alternativa, e ainda o jovem João Félix, o miúdo de 18 anos que neste jogo entrou para os últimos minutos e teve ainda tempo para um remate que quase terminou em golo, levando a bola a passar bem junto ao poste mais distante da baliza do Paok.

Poderá ser aliás João Félix o coelho que Rui Vitória poderá tirar da cartola, mas a verdade é que essa é uma responsabildade demasiado pesada para colocar sobre os ombros de um miúdo de 18 anos e o Benfica precisa de muito mais. Além disso, João Féliz precisará de minutos em jogo para ganhar ritmo, automatismos com os seus companheiros e alguma confiança e Rui Vitória poderá não ter tempo para formar quando precisa dos resultados positivos para ontem.

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Defesa encarnada passiva no golo do Paok

Ainda a propósito de erros, ainda que aqui já não tanto de casting mas de atitude, uma nota para a total desconcentração e falta de intensidade na defesa do Benfica no lance em que consentiu o golo do empate, apontado por Warda. Na sequência de um pontapé livre batido do lado direito do ataque do Paok, Varela rematou a bola à trave da baliza de Vlackodimos, a bola ressaltou para a zona da marca da grande penalidade, e Warda teve tempo para receber a bola naquela zona da grande-área e rematar para o golo. O Benfica consentia assim o golo do empate e terá agora que ir à Grécia para ganhar o jogo.

Depois do que acontecer na partida do próximo sábado, em função dos jogadores que Rui Vitória tiver disponíveis e de acordo com os níveis de eficácia que o Benfica conseguiu no jogo de Salónica, tudo estará ao alcance dos “encarnados” que poderão colocar a mão nos 43 milhões de euros permitido pelo apuramento para a fase de grupos da Champions. Porém, um deslize será fatal e no ano em que o presidente do Benfica disse ser o ano da reconquista, a queda para a “menor“ Liga Europa poderá ser um duro revés nas ambições do Benfica.

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Ficha técnica...

Num jogo dirigido pelo sérvio Milorad Mazic, as duas equipas entraram em campo com os seguintes "onzes"...
BENFICA - Vlachodimos; André Almeida, Jardel, Rúben Dias e Grimaldo; Gedson, Fejsa e Pizzi; Zivkovic, Ferreyra e Cervi.
PAOK - Paschalakis; Leo Matos, Varela, Crespo e Vieirinha; Mauricio e Cañas; Limnios, Pelkas, Léo Jabá; Prijovic.

Jogaram ainda pelo Benfica Rafa, João Féliz e Seferovic, por trocas com Zivkovic (64'), Cervi (79') e Pizzi (79'). Do lado do Paok foram chamados ao jogo Amr Warda por troca com Limnios (52'), Shakhov para o lugar de Leo Jabá (81') e ainda Akpom para o lugar de Prijovi (88'). Os golos foram apontados por Pizzi, para o Benfica (45' gp) e por Warda aos 76 minutos. Em termos disciplinares viram o cartão amarelo Gedson Fernandes e André Almeida na equipa do Benfica, bem como Vieirinha, o português que alinha nesta equipa no Paok, e ainda Polkas e Warda. 

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