Com muito jogo ofensivo mas sem eficácia, pecando muito na finalização e perdendo inúmeras oportunidades flagrantes de golo, o Benfica consentiu esta sexta-feira no Estádio da Luz um empate (1-1) frente ao Farense, num jogo em que os algarvios foram os primeiros a chegar ao golo, um golo que enervou a turma da Luz e tirou algum descernimento. É certo que o Benfica ainda fez o golo do empate, mas também é verdade que nessa altura o Farense fez tudo para conseguir pelo menos um ponto no Estádio da Luz, surgindo por essa altura em destaque o guarda-redes Ricardo Velho a defender tudo o que estve ao seu alcance.

Mantendo a aposta em jogar sem laterais, preferindo adaptar médios e centrais aos corredores, nomeadamente Fredrik Aursnes uma vez mais utilizado como lateral direito ou Morato que jogou de novo frente a Farense como lateral esquerdo, o técnico Roger Schmidt escalou um onze com Trubin na baliza, uma linha defensiva formada por Aursnes, António Silva, Otamendi e Morato, uma dupla de médios formada por João Neves e Kokcu, e um trio de médios — Di María, Rafa e João Mário — nas costas do avançado Casper Tengstedt. Com este esquema, Schmidt deixou no banco de suplentes jogadores como Florentino, mas também Gonçalo Guedes, Musa ou Tiago Gouveia.

Do lado do Farense, o técnico José Mota escalou para este jogo um onze com Ricardo Velho entre os postes, ainda Zach Muscat, Gonçalo Silva, Pastor e Talocha na linha defensiva, Mattheus Oliveira e Cláudio Falcão no meio do terreno e também Belloumi, Vítor Gonçalves e Marco Matias no apoio ao elemento mais adiantado no terreno, Bruno Duarte.

Benfica entrou melhor no jogo

Com estes esquemas táticos de um e outro lado, foi o Benfica quem entrou melhor no jogo, com João Mário a perder uma oportunidade flagrante para rematar para o golo logo no primeiro lance. Os encarnados começaram o jogo por cima, a jogarem mais perto da baliza do conjunto algarvio, mas nos últimos trinta metros desde cedo que ficou clara alguma falta de eficácia por parte dos homens às ordens de Roger Schmidt. Aproveitando esse facto, o Farense ainda tentou subir uma ou outra vez no terreno, mas era o Benfica quem mais e melhor conseguia instalar-se no meio-campo contrário, com Di Maria e Rafa Silva a surgirem como os homens mais velozes sobre a bola ainda que nem sempre eficazes no último passe ou no remate à baliza.

À passagem do quarto de hora de jogo foi Rafa Silva quem, na resposta a um cruzamento de Di Maria, perdeu uma oportunidade clara para abrir a contagem, num lance em que o árbitro auxiliar ainda assinalou um posicionamento irregular mas no qual a transmissão televisiva deu a ideia clara que o VAR deveria validar o golo caso acontecesse. O certo é que Rafa voltou a falhar, prevalecendo por isso o nulo no marcador.

Foi preciso chegar ao minuto 19' para que o Farense criasse perigo para a baliza do Benfica, num remate de Mateus Oliveira desferido em zona frontal à grande área com Trubin a ficar a ver a bola passar muito perto do poste esquerdo da sua baliza. Num jogo em que o Benfica construía mais, ficava ainda assim dado o aviso para o conjunto encarnado de que não poderia facilitar perante uma equipa do Farense que estaria pronta a aproveitar qualquer deslize do Benfica.

Ao minuto 23, Casper Tengstedt ainda colocou a bola no fundo da baliza do Farense, depois de um passe de Di Maria que apanhou o dinamarquês em posição irregular, com culpas para o argentino que demorou eternidades para fazer o passe para o avançado do Benfica. O golo, naturalmente, foi anulado pelo VAR, prosseguindo o jogo empatado. Isso mesmo voltou a acontecer pouco depois quando, ao minuto 26, Rafa Silva apareceu isolado em frente ao guarda-redes Ricardo Velho, dentro da pequena área, com a baliza à sua mercê, e rematou à figura do guardião dos algarvios.

De perdida em perdida, o jogo foi prosseguindo com o Benfica a ter mais bola e mais oportunidades, mas nem por isso a conseguir fazer a diferença perante o Estádio da Luz praticamente cheio onde o nervosismo lentamente se ia instalando face à incapacidade dos homens de Roger Schmidt em concretizar uma das muitas oportunidades que construíram para marcar.

Ricardo Velho fez a diferença para a equipa do Farense

Por falar em oportunidade perdida, eis que outra flagrante voltou a ser perdida pelos homens do Benfica, ao minuto 29', quando Di Maria serviu Rafa e este colocou em Tengstedt para nova intervenção de Ricardo Velho a desviar a bola para a linha de fundo. As grandes oportunidades de golo sucediam-se mas a eficácia na conclusão continuava a ser coisa pouco ou nada vista no relvado do Estádio da Luz, ganhando com o Farense em confiança, acreditando que poderia num lance mais acertado chegar ao golo na baliza de Trubin.

Por esta altura, pouco depois da primeira meia-hora de jogo, o Benfica acumulava já 56 por cento de posse de bola com 13 remates à baliza dos algarvios contra apenas três remates por parte do Farense. Contudo, o marcador teimava em assinalar o empate sem golos e os adeptos começavam a cobrar dos jogadores do Benfica um futebol mais consequente num jogo que viria a chegar ao intervalo com o 0-0 inicial.

Para o segundo tempo nenhuma das equipas mexeu nos respectivos onzes, mantendo-se por isso a toada do jogo com os encarnados a terem mais bola perante um conjunto algarvio a defender a sua baliza e a procurar uma oportunidade para surpreender o último reduto da turma benfiquista. Logo a abrir, Ricardo Velho segura a bola depois de uma tentativa de remate por Rafa após uma boa entrada de Tengstedt, mas tal como tinha acontecido no primeiro tempo o Benfica volta a falhar uma oportunidade com Rafa a poder rematar a três metros da linha de golo e apenas com o guarda-redes pela frente. A equipa da casa continuava a ter mais oportunidades mas mantinha também uma elevadíssima falta de capacidade de concretização.

À passagem do minuto 50', na resposta a um pontapé de canto batido à direita por Mateus Oliveira, apareceu Cláudio Falcão a cabecear junto à linha da pequena área enviando a bola para o fundo da baliza de Trubin, abrindo o marcador com um óptimo golo de cabeça a desbloquear o empate que vinha a verificar-se até então. O Benfica que até então tinha sido o campeão do desperdício, falhando oportunidades flagrantes sobre a linha de golo na baliza do Farense, ficava agora em desvantagem e os níveis de ansiedade juntos dos adeptos benfiquistas mas também junto dos jogadores aumentava exponencialmente.

O Benfica continuava a atacar mais pelo corredor direito, conseguindo inúmeros remates para a baliza contrária, mas nem por isso a chegar ao desejado golo, tantas eram as falhas em momentos determinantes, perante um adversário que ia defendendo, procurando sempre surprender nos momentos em que apanhava a equipa da casa balanceada para o ataque.

Adeptos “brindaram” Schmidt com vaia monumental

À passagem do minuto 60' e com a sua equipa em desvantagem no marcador, Roger Schmidt chamou a jogo Petar Musa e Gonçalo Guedes par as saídas de Tengstedt e João Neves, mudanças que provocaram uma enorme assobiadela dos adeptos benfiquistas que não gostaram nada das opções do treinador alemão.

Aliás, logo que foram conhecidas as opções de Schmidt, saltaram os lenços brancos das bancadas, com copos de plástico a serem atirados para os pés do treinador do Benfica, num sinal claro de desagrado do tribunal da Luz para com o técnico alemão. Luisão levantou-se do banco para pedir calma aos adeptos, mas o ambiente ficava claramente tenso para com Roger Schmidt, contrariando afinal aquilo que o treinador alemão dissera antes deste jogo quando afirmou que a maioria dos benfiquistas estavam com ele e com as suas decisões.

Se dúvidas existissem quanto à falta de sintonia entre os adeptos do Benfica e o técnico Roger Schmidt, a reação vinda das bancadas depois do minuto 60' e das substituições promovidas pelo treinador alemão no onze dos encarnados deixava claro que Schmidt perdeu por completo o estade de graça que conquistou na época passada. Ainda assim, com o ambiente efervescente, foi mesmo o Benfica quem chegou ao golo, ao minuto 70', por Rafa, na resposta a um cruzamento de Aursnes a partir do lado direito.

Um golo com qualidade, sem qualquer hipótese de defesa para Ricardo Velho, colocava de novo as duas equipas empatadas, ficando agora o Benfica galvanizado pelo golo de Rafa e à procura de novo golo que permitisse aos encarnados passar para a frente do marcador.

José Mota mexia por esta altura na equipa do Farense, apostando em Cáseres e Elves Baldé, retirando do jogo Vítor Gonçalves e Belloumi, numa altura em que o Benfica pressionava em busca do segundo golo. Aliás, se até esta altura a maioria dos lances de golo tinham surgido junto da baliza do Farense, essa realidade conseguia agora ser ainda mais evidenciada, respondendo o guarda-redes Ricardo Velho com uma grande exibição no Estádio da Luz.

O jogo encaminhava-se para o final com as duas equipas empatadas, a ansiedade instalava-se por completo entre os 56.766 espectadores presentes no Estádio da Luz e a equipa do Farense parecia ser a formação mais tranquila, certa de que se conseguisse levar o empate até ao final estaria a fazer mais do que seria esperado da sua prestação. José Mota, entretanto, chamava à sua equipa Rafael Barbosa por troca com Marco Matias, o Benfica surgia a rematar mas uma vez mais desenquadrado com a baliza, e as oportunidades continuavam a ser perdidas por parte dos jogadores encarnados.

Arthur Cabral foi a jogo... para nada!

Roger Schmidt, ao minuto 89', trocava Kokçu por Arthur Cabral mas os resultados práticos desta mudança surgiam nulos, num jogo em que o árbitro Miguel Nogeira deu mais sete minutos de compensação. José Mota também mexia na sua equipa, tirava do jogo Matheus Oliveira e Bruno Duarte para as entradas de André Seruca e Rui Costa, e a toada do jogo mantinha-se para os derradeiros minutos, com a equipa algarvia a defender o ponto do empate perante um Benfica sem rei nem roque onde já não era visível qualquer estratégia.

Isso mesmo ficou claro quando Petar Musa, isolado na marca da grande penalidade, teve tempo para tudo, controlou, puxou para o seu melhor pé e atirou a bola sobre a trave da baliza do Farense, perdendo-se a melhor oportunidade para os encarnados chegarem à igualdade. Pouco depois foi Arthur Cabral a ter a bola na grande-área, uma vez mais sem qualquer marcação, a tentar um pontapé de bicicleta que levou a bola tranquilamente para as mãos de Ricardo Velho naquele que foi o último lance efectivo do jogo.

O Farense pôde assim festejar com os seus adeptos, cerca de mil nas bancadas do Estádio da Luz, esta igualdade a um golo e um ponto conquistado, enquanto que os jogadores do Benfica ainda tentaram agradecer aos seus adeptos, recebendo uma enorme vaia por mais este empate que atrasa ainda mais o conjunto benfiquista na corrida pelo título.

Com este resultado, aliás, o Benfica fica agora com 30 pontos, podendo terminar esta jornada atrás do Sporting e também do FC Porto, isto se os dragões vencerem amanhã o Casa Pia no Estádio do Dragão. Já o Farense, ao empatar no Estádio da Luz, consolida o seu lugar no meio da tabela, para já em sétimo com 17 pontos no campeonato da I Liga.

Nota final para duas grandes penalidades que ficaram por assinalar, a primeira das quais que seria favorável ao Farense, ao minuto 48', quando Otamendi corta a bola com o braço dentro da área, e depois ao minuto 90'+02', quando Artur Cabral foi agarrado e impedido de chegar à bola num lance em que ficou claramente por assinalar o castigo máximo, sendo que em ambos os casos quem esteve de facto mal foi o VAR que teria que ter chamado a atenção do árbitro Miguel Nogueira para as duas grandes penalidades que ficaram por assinalar.

texto: Jorge Reis
fotos: Diogo Faria Reis
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