O Benfica venceu esta sexta-feira, no Estádio da Luz, a formação do Vizela, por 2-1, num jogo em que esteve em desvantagem até bem perto do final e desde o minuto 20 do primeiro tempo, altura em que Osmajic, um dos melhores elementos em campo da formação vizelense, aproveitou da melhor forma um contra-ataque para fazer o primeiro golo do jogo. O guarda-redes Vlachodimos foi mal batido, já que consentiu o golo no primeiro poste, e a turma do Vizela passou a liderar o marcador, situação que se manteve até ao minuto 76´, altura em que David Neres, num lance individual, tirou um golo da cartola para repor a igualdade na partida.

Muito bem colocada sobre o terreno do jogo, a formação do Vizela conseguiu sempre até ao golo “fabricado” por David Neres tapar os caminhos para a sua baliza, aproveitando ainda uma ou outra situação para procurar levar perigo até à baliza à guarda de Vlachodimos. À frente do guarda-redes Buntic, o técnico Álvaro Pacheco estruturou uma equipa assente num quarte defensivo formado por Tomás Silva, Bruno Wilson, Anderson Jesus e Kiki Afonso, com Raphael Guzzo, Samu e Méndez na linha média, aparecendo mais adiantados Kiko Bondoso, Nuno Moreira e Osmajic, num “onze” em 4:3:3 que quando recuava no terreno se transformava num 5:4:1 e onde a dupla de centrais, Bruno Wilson (neto do saudoso Mário Wilson) e Anderson Jesus, mas também Kiko Bondoso e o já referido Osmajic assinaram exibições de grande qualidade.

Fábio Veríssimo foi o árbitro deste jogo e o seu trabalho
esteve longe de ser positivo com erros e compensações

Já do lado do Benfica, com a responsabilidade de contabilizar os três pontos do triunfo para manter a liderança isolada do campeonato da I Liga, o técnico Roger Schmidt escalou um “onze” dentro do que era esperado, ainda que sem fazer a rotatividade que muitos observadores têm vindo a apontar como necessária. Assim, à frente de Vlachodimos apareceram como titulares Gilberto, António Silva, Otamendi e Grimaldo, Enzo e Florentino mantiveram a titularidade no meio-campo, tal como acontceu com o trio de médios mais adiantados, David Neres, Rafa e João Mário, aparecendo como avançado o jovem Gonçalo Ramos.

E a verdade é que elementos como Enzo e Neres, mas também Rafa, mostraram sinais de alguma fadiga, e apenas a capacidade de “inventar” um lance de golo da parte do brasileiro David Neres “atenuou” a exibição menos conseguida deste elemento mas também da linha mais adiantada da equipa benfiquista.

Conseguido o golo do empate, o Benfica pôde finalmente assentar o seu jogo no meio-campo defensivo do Vizela, passando a encostar a equipa visitante às cordas. Roger Schmidt recorreu então a alguma frescura a partir do banco de suplentes, com as entradas de Fredrik Aursnes e Peter Musa, ao minuto 67 por troca com os homens do “miolo” Enzo e Florentino, numa altura em que João Mário recuou no meio-campo, e ainda de Bah por troca com Gilberto ao minuto 75.

O Vizela foi a primeira equipa a marcar, aos 20 minutos, e o Benfica teve sempre
enormes dificuldades em chegar com perigo até à baliza da equipa do Minho

O jogo chegou ao minuto 90 com um empate (1-1) no marcador e, por força das muitas paragens ao longo da partida, o árbitro Fábio Veríssimo começou por dar oito minutos de compensação.

E foi nestes minutos finais de compensação que aconteceram os “casos” do jogo que acabaram por ditar o resultado final. Para além da última alteração na equipa do Benfica, com a entrada de Diogo Gonçalves para o lugar de um “esgotado” David Neres, dois lances permitiram que o resultado final se escrevesse direito por linhas tortas, por força de dois erros flagrantes do árbitro Fábio Veríssimo. Primeiro, ao minuto 90'+4', o jovem Gonçalo Ramos foi carregado dentro da grande área do Vizela num lance de clara grande penalidade. Ao invés, e sem que o VAR tivesse qualquer intervenção, o juíz da partida resolveu considerar que houve simulação de Gonçalo Ramos, transformou o castigo máximo numa falta ofensiva e ainda mostrou o segundo cartão amarelo ao jogador do Benfica que passou a jogar com apenas 10 elementos, num duplo que passou a falsear a partir daquela altura o resultado do jogo.

Com o Benfica em desvantagem desde o minuto 20, foi o brasileiro David Neres
quem repôs a igualdade com um golo de grande qualidade

E porque o jogo esteve parado mais de três minutos no lance da expulsão de Gonçalo Ramos, Fábio Veríssimo permitiu “esticar” o jogo para além dos oito minutos de compensação considerados inicialmente, acabando por se verificar um lance determinante já no minuto 90'+9'. Com a bola em zona frontal à baliza do Vizela, Rafa rematou para a baliza levando a bola a bater nas costas de Diego Rosa e a ressaltar para o cotovelo do jogador num salto em que Diego Rosa é apanhado de costas, um ressalto completamente ocasional sem motivo para qualquer paragem do jogo. Só que Fábio Veríssimo, porventura consciente de que havia errado no lance de Gonçalo Ramos, entrou num claro “processo de compensação”, assinalando uma grande penalidade favorável ao Benfica, uma vez mais sem qualquer intervenção por parte do VAR António Nobre, elemento que primou pela completa “ausência” neste jogo nomeadamente quando mais se justificou que intervisse.

Chamado a converter o castigo máximo, já bem para além do minuto 90'+11', João Mário apontou com tranquilidade para o lado esquerdo do guarda-redes, com este a atirar-se para o seu lado direito, colocando o Benfica finalmente em vatagem no marcador. João Mário festejou de forma efusiva e tirou a camisola, o árbitro mostrou-lhe por causa disso o segundo cartão amarelo e o consequente vermelho, ficando por instantes o Benfica reduzido a apenas nove jogadores.

Entre os erros de Fábio Veríssimo esteve um segundo cartão amarelo e consequente vermelho para Gonçalo Ramos
num lance em que ficou por assinalar uma grande penalidade para o Benfica 

O jogo, contudo, terminou logo depois da bola ir ao meio-campo, com a vitória do Benfica e a confirmação da liderança dos encarnados do presente campeonato da I Liga à quinta jornada. Fábio Veríssimo só contribuiu para a polémica que teria sido perfeitamente dispensada, num jogo em que a equipa da casa acabou por justifica a vitória pelo jogo que assinou, mas em que ficou evidente uma vez mais agora frente ao Vizela, tal como já acontecer perante o Casa Pia e depois frente ao Paços de Ferreira, a dificuldade do Benfica em construir perante equipas bem montadas defensivamente e com capacidade criativa em busca de surpreender os pupilos de Roger Schmidt.

O Benfica terá agora pela frente a formação israelita do Maccabi Haifa no primeiro jogo da fase de grupos da Liga dos Campeões na próxima terça-feira, enquanto que o Vizela irá ter mais tempo para recuperar até ao próximo jogo, no dia 12 de Setembro, segunda-feira, na recepção ao conjunto do Estoril Praia.

João Mário bateu a grande penalidade assinalada aos 90'+09'
fazendo o golo que fechou o jogo e o resultado final (2-1)
texto: Jorge Reis
fotos: Luís Moreira Duarte
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