Após uma pré-época em que o Benfica não se poupou a esforços para conseguir os melhores reforços ao novo técnico Jorge Jesus, em qualidade e quantidade, foram os novos jogadores que se mostraram mais influentes no primeiro jogo dos encarnados no campeonato, com uma vitória clara sobre o Famalicão por 5-1, com golos apontados pelos reforços Everton, Waldschmidt (2), e pelos já da casa, Grimaldo e Rafa. Do lado do Famalicão o golo foi apontado por Gonçalo Rodrigues (Guga), curiosamente um jovem formado nas escolas do Benfica.

Curiosamente, Jorge Jesus terá retirado ensinamentos da derrota consentida na passada terça-feira no jogo frente ao PAOK de Abel Ferreira. Assim, depois da pesada derrota na Grécia, onde o Benfica foi eliminado e lhe foi retirada a hipótese de chegar ao play-off que poderia permitir o acesso à fase de grupos da Liga dos Campeões, em Famalicão surgiu um onze diferente, sem Pizzi, Seferovic, Weigl e Pedrinho, deixados de fora por Jorge Jesus, optando por um onze com a linha defensiva do costume, mas alterado no meio campo, com Gabriel no lugar de Weigl, Rafa Silva na ala direita no lugar de Pedrinho e Darwin Nunez e Waldschmidt desta feita no lugar de Seferovic e Pizzi, respetivamente.

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Quanto às estreias no campeonato das novas contratações do Benfica, oa avançados Darwin e Waldschmidt, o extremo Everton e o central Vertonghen estiveram bem no jogo e presentes em diversas situações de golo. Falando de Darwin Nunez, o internacional uruguaio de 21 anos, mesmo sem ter feito qualquer golo, fez as duas assistências para os golos de Waldschmidt, tendo tido também uma presença importante no ataque encarnado, tendo criado situações de perigo para a equipa da casa com bons passes. Deste modo, o jogador com o valor de contratação mais caro da I Liga não desiludiu e ajudou as águias a chegar à vitória.

Sobre a prestação do defesa central Vertonghen, o central belga esteve bem no jogo, apresentando-se como um autêntico muro que impediu a criação de ideias ofensivas por parte do Famalicão, procurando ainda aparecer no ataque benfiquista quando teve oportunidade, nomeadamente no lance do primeiro golo em que, com um passe a rasgar para Darwin, esteve no início do lance que deu origem à assistência do uruguaio para o golo.

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Outro dos reforços que também brilharam foi o brasileiro Everton Cebolinha, ele que deixou o seu nome marcado neste que foi o seu primeiro jogo na I Liga, com um grande golo de primeira que apanhou o antigo guarda redes encarnado Zlobin, agora ao serviço do Famalicão, sem capacidade de reacção. Everton ampliou assim a vantagem do Benfica neste jogo para 2-0 e, para além disso, assumiu-se como um jogador chave na criação de algumas oportunidades pela ala esquerda, tendo realizado vários dribles que terminaram em cruzamentos para situações de perigo para o Famalicão, conseguindo mesmo num desses lances por permitir o golo a golo de Rafa Silva.

Waldschmidt foi o “Homem do Jogo”

Entre os novos jogadores deste Benfica 2020-2021 foi no entanto o alemão Waldschmidt quem mais se evidenciou, curiosamente um jogador que na Grécia, frente ao PAOK, nem sequer chegou a sair do banco de suplentes. Agora, frente ao Famalicão, o antigo jogador da Bundesliga bisou e foi dele o primeiro golo desta I Liga. O internacional alemão nunca desapareceu durante a partida e continuou sempre a todo o gás, tendo sido mesmo uma peça importantissima e determinante na vitória sobre o Famalicão.

Com uma boa prestação colectiva, nem só os reforços brilharam na equipa do Benfica num conjunto em que alguns dos jogadores já “da casa” assinaram ótimas prestações. Foram eles Adel Taarabt, Gabriel, Rafa e Grimaldo, este último o autor de um golaço. O meio campo foi responsável pela construção de jogo ofensivo durante ambas as partes do jogo, mas também na recuperação de bola, com Taarabt muito bem neste capítulo a estar presente em dois lances importantes nos quais veio atrás recuperar a posse de bola para a sua equipa para logo de seguida criar espaços para jogadas ofensivas que pudessem originar golo para a sua equipa.

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Já o brasileiro Gabriel, ainda que abaixo do nivel do marroquino, também esteve bem no jogo, tendo servido de compensação dos colegas quando estes subiam para o ataque. Gabriel foi assim importante também no conjunto encarnado em que igualmente Rafa se destacou, este com um golo a concluir um bom trabalho de Everton. Rafa Silva, com a sua velocidade a “rasgar” por entre a equipa do Famalicão, foi um jogador importante, com as suas combinações com André Almeida, tendo criado diversos lances ofensivos a levar perigo para a baliza do Famalicão.

Nota ainda para a prestação do espanhol Grimaldo, também ele uma das figuras encarnadas do jogo. O lateral esquerdo fez mesmo o golo da noite, a partir de um livre directo ganho por Taarabt. O espanhol pediu para bater o livre e, de pé esquerdo com primor na colocação fez o golo. Para além disso, Grimaldo, que viria a dar o seu lugar a Nuno Tavares quando estava já esgotado, teve ainda assim um importante papel na defesa encarnada mas também no ataque, tendo estado presente em ambas as situações de uma forma positiva.

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Guga em destaque no Famalicão

Na turma do Famalicão, podemos destacar as duas boas prestações dos jogadores Guga, o autor do golo, e do seu “assistente” Ruben Lameiras. Zlobin, o guarda-redes que na última época foi um dos suplentes do Benfica, começou a nova época do pior modo, ao “encaixar” cinco golos, numa equipa em que também Toni Martínez esteve longe do que sabe e pode, ele de quem se diz que deverá assinar ainda neste período de transferências pelo FC Porto. O espanhol, cuja transferência poderá ter sido adiada de modo propositado antes de ir para os Dragões, foi incapaz de chegar ao golo e esteve muitas vezes ausente do jogo, ficando muito aquém do que conseguiu em outros jogos da última época.

Guga, que já tinha marcado ao Benfica na última época, fez aqui mais um golo contra os encarnados para o Famalicão, ainda que este tenha sido insuficiente para combater o Benfica de Jorge Jesus. Ruben Lameiras, que saltou do banco de suplentes no segundo tempo do jogo, esteve bem nos minutos em que jogou, sempre com um papel ativo, tendo sido dele a assistência para o golo da sua equipa. Depois, o próprio Lameiras só não deixou o nome assinado no marcador porque o poste assim não quis, num remate de longe que levou a bola a bater com estrondo na base do poste esquerdo da baliza de Vlachodimos.

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Arbitragem sem casos

No capítulo da arbitragem, o árbitro Luís godinho assinou um bom trabalho no arranque deste campeonato da I Liga, num jogo sem casos e com as decisões assertivas sem tempos de espera e a criação de quaisquer casos num jogo que decorreu sem incidentes. Com os cartões exibidos sempre justificados e com um critério continuado, o juíz deste jogo esteve bem e mesmo quando teve que recorrer ao auxílio do VAR foi rápido na decisão com análise correcta das situações.

Já no final do segundo tempo, um lance em que os jogadores do Benfica reclamaram de possível mão na bola por parte de um jogador do Famalicão, Luís Godinho nada assinalou depois de consultar o VAR e fez bem já que a bola foi efectivamente ao braço de um defesa famalicense mas sem que este tivesse qualquer intenção. Boa decisão da equipa de arbitragem num jogo com muitos golos e sem casos.

Diogo Reis
LusoGolo

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