Com uma vitória tão merecida quanto categórica por 3-0, sobre a formação russa do Zenit de São Petersburgo, o Benfica confirmou esta terça-feira no Estádio da Luz a sua continuidade nas competições do futebol da UEFA, agora na Liga Europa, atirando o Zenit para fora da Europa do futebol na presente temporada. Pizzi, Cervi e o avançado russo Azmoun na própria baliza, assinaram os três golos do jogo, permitindo que a turma às ordens de Bruno Lage se junte à “armada” de pelos menos mais três equipas lusas — FC Porto, Sporting e Sporting de Braga —, que jogam quinta-feira com todas as condições para seguirem em frente todas elas para os dezasseisavos de final da Liga Europa.

Para este jogo particularmente importante para o Benfica, Bruno Lage deixou de fora por opção Raul De Tomás, mas também Rafa e André Almeida, estes por lesão, optando o treinador da turma das águias pelo mesmo onze inicial que utilizou contra o Boavista onde havia ganho por um esclarecedor resultado de 4-1, reafirmando assim Lage ser este o onze preferido e mais forte que pode escolher no momento presente do Benfica. A turma da Luz tinha que vencer pelo menos por dois golos sem ver a baliza de Vlachodimos batida para depender de si mesma, podendo vencer até pela diferença mínima caso o Lyon perdesse na recepção ao Leipzig. Os franceses, no entanto, acabaram por empatar o seu jogo, pelo que ao Benfica só restava vencer pelos 2-0 ou pela diferença de três golos.

Mostrando determinação e vontade para levar a bom porto os seus intuitos, a equipa do Benfica entrou em campo a todo o gás, criando desde logo algumas oportunidades de perigo para a baliza da formação russa, como por exemplo no pontapé livre batido por Grimaldo aos 19 minutos, com a bola a ir à figura do guarda redes Kerzhakov, ou ainda antes o remate colocado de Pizzi, aos 16 minutos. Será importante referir que a turma do Leipzig não se limitava por esta altura a defender e, apresentando no relvado da Luz um “onze” em 3-5-2, teimava em complicar os contra-ataques dos “encarnados.”

Outro aspeto a destacar na manobra do Leipzig resultava da acção do seu ponta de lança Dzyuba, ele que com 1m97 de altura procurou sempre criar perigo nas alturas no jogo aéreo sobre a grande área encarnada. O intervalo, porém, viria a chegar sem golos e a história do jogo ficaria reservada para a etapa complementar.

Benfica determinado após o intervalo!

O início da segunda parte trouxe ao relvado da Luz uma equipa do Benfica muito mais solta no jogo, com trocas de bola mais rápidas e com isso a desorientar a defesa russa. Fruto disso mesmo,  aos 47 minutos, eis que surgiu o primeiro golo da noite para o Benfica, por Cervi, assistido pelo capitão encarnado Pizzi. A força ofensiva do Benfica não diminuiu, os encarnados mantiveram-se com a posse de bola no meio campo do Zenit, e aos 55 minutos de jogo, na sequência de um cruzamento para Chiquinho dentro da área russa, o brasileiro do Zenit Douglas Santos surge a desviar a bola com a mão na área de rigor, levando a que o árbitro Antonio Mateu assinalasse o castigo máximo mas, também, mostrasse o segundo cartão amarelo ao jogador do Zenit.

Assumindo a transformação da grande penalidade, Pizzi assinou o segundo golo da noite, aquele que, independentemente do resultado do outro jogo do grupo, entre o Lyon e o Leipzig, permitiria sempre a continuidade do Benfica na Liga Europa. O Benfica dominava a história do jogo, Vlachodimos era particamente um assistente, e aos 63 minutos, na sequência de novo remate perigosíssimo de Chiquinho, defendido por Kerzhakov, pudemos observar em Bruno Lage um sorriso de orgulho nos seus pupilos, porventura inspirado na confiança que por aquela altura era sentida por todo o grupo de trabalho do Benfica.

Curiosamente, já com um dois golos sofridos, o Zenit tentou reagir e, aos 77 minutos, Azmoun rematou à baliza de Vlachodimos, num remate que ainda levou a bola a ressaltar no chão, com Vlachodimos a defende com segurança. A bola continuou a rolar, o Benfica partiu em transição para o contra ataque e Carlos Vinicius quase fez o golo, com um remate em que a bola foi desviada pelo guarda redes do Zenit pela linha de fundo, dando origem a um pontapé de canto para o Benfica. O canto foi batido por Grimaldo da esquerda, Smolnikov falha o corte de cabeça e Azmoun, ao tentar desviar a trajectória da bola, acaba por a colocar na própria baliza assinando ele próprio o 3-0 com um auto-golo.

Restava a partir daqui a Bruno Lage gerir a história do jogo e, para manter a vantagem, chamou ao jogo aos 82 minutos Seferovic e Samaris para as saídas de Cervi e Gabriel, respectivamente. A cinco minutos do fim do jogo Carlos Vinicius ainda foi vitima de uma entrada violenta que resultou para os encarnados num livre perigoso para a baliza de Kerzhakov, com Samaris a bater contra a barreira antes de sair pela linha de fundo. Alex Grimaldo pôde assim bater mais um pontapé de canto mas sem consequências, num jogo que se mostrava por esta altura controlado pelo Benfica.

Bruno Lage, aqui já para gerir o tempo e procurar refrescar a sua equipa sem a descompensar, chamou a jogo Caio Lucas para o lugar de Carlos Vinicius, isto numa altura em que um golo do Zenit ainda colocaria o Benfica fora da Liga Europa. Os “encarnados” só tinham que gerir a vantagem, o árbitro deu ainda três minutos de compensação e o Benfica continuou a jogar com o relógio, acabando por vencer com plena justiça por 3-0, afirmando assim a sua entrada nos dezasseisavos de final da Liga Europa. Do lado do Zenit restará lutar por regressar às provas da UEFA na próxima temporada, ficando assim fora das competições Europeias enquanto o futebo português marcou pontos para o ranking dos clubes europeus com Portugal a afastar-me mais do seu perseguidor directo naquela tabela, a Rússia.

O Benfica volta aos relvados no próximo sábado, uma vez mais no Estádio da Luz, então para defrontar o Famalicão em jogo da 14ª jornada da I Liga.

texto: Diogo Reis
fotos: Luís Moreira Duarte

Pin It