No jogo de estreia do técnico Bruno Lage como treinador principal do Benfica, após o despedimento de Rui Vitória ditado pela derrota dos "encarnados" em Portimão na passada quarta-feira, a turma benfiquista conseguiu este domingo um triunfo sobre o Rio Ave, por 4-2, num jogo em que a principal novidade imposta por Lage acabou por ser a opção pelo sistema táctico 4x4x2, como Seferovic e João Félix como os dois pontas-de-lança, num jogo em que foram chamados ao banco de suplentes outros dois homens para o ataque, Ferreyra e Castillo, proscritos no tempo de Vitória e que poderão agora ter mais oportunidades, principalmente se o Benfica continuar a jogar neste novo sistema táctico.

Curiosamente, o jogo nem começou bem para o Benfica que, aos 20 minutos estava a perder por 0-2, fruto de golos apontados por Gabrielzinho aos 17 minutos e Bruno Moreira três minutos depois, aos 20'. Os adeptos da equipa da casa assobiavam a sua equipa, a linguagem corporal de Bruno Lage junto ao banco de suplentes assemelhava-se aquela que também Rui Vitória apresentava nos momentos de crise nos jogos dos “encarnados”, e tudo parecia indicar que era Daniel Ramos, ele que estreava também neste jogo como treinador mas do Rio Ave, a conseguir o melhor resultado

João Félix tardava em encontrar o melhor posionacionamento no terreno de jogo, Sálvio era  uma sombra de si mesmo e André Almeida sofria enormes dores de cabeça com Galeno, porventura o melhor elemento em campo da turma de Vila do Conde.

Certo é que, mesmo a perder por dois golos, a equipa do Benfica não baixou os braços e viria a chegar ao golo ao minuto 37, num lance em que Grimaldo cruzou desde o corredor esquerdo, João Félix deixou passar a bola com uma simulação que confundiu a defesa do Rio Ave e Seferovic, depois de um excelente toque de habilidade, ficou com a bola à sua mercê para rematar para o fundo da baliza à guarda de Leo Jardim.

O Benfica chegava assim ao seu primeiro golo, regressava ao golo, e encontrava em Seferovic mas também em João Félix, dois jogadores que ganharam naquele lance uma confiança que não tinham conseguido evidenciar até então, e que seria determinante para novo golo, ainda no primeiro tempo, agora por João Félix, depois de um excelente trabalho de Seferovic que, após ultrapassar três defesas da turma de Vila do Conde, fez a assistência para João Félix que, dentro da pequena área, rematou a contar para o o golo que repôs o empate no jogo, a 2-2 com que se atingiu o intervalo.

Os adeptos do Benfica que antes haviam assobiado os seus jogadores rapidamente voltaram a acreditar, não apenas porque os golos apareceram, mas porque aqueles dois homens colocados na frente de ataque por Bruno Lage, mostravam empenho e capacidade de concretização.

O Benfica estava ainda longe de ser uma equipa perfeita, os erros defensivos continuavam a ser muitos, a apatia da defesa dos “encarnados” que havia permitido os dois golos do Rio Ave continua aqui e ali a fazer-se sentir, Sálvio e André Almeida continuavam a ser elementos com rendimento reduzido, nomeadamente o argentino, claramente a precisar de jogos nas pernas, mas nem por isso Bruno Lage os retirou do jogo no segundo tempo, mantendo inicialmente a aposta no "onze" inicial.

O Rio Ave esteve por duas vezes à beira de voltar a marcar com a diferença de que agora o Benfica conseguiu impedir mais golos na sua baliza, acabando mesmo por conseguir colocar-se em vantagem, ao minuto 64', com o segundo golo de João Félix, a responder na perfeição a um cruzamento venenoso de Zivkovic que entrara minutos antes para o lugar de Franco Cervi.

O Rio Ave não desistiu, esteve mesmo à beira de conseguir o golo em empate, mas na transição de um lance em que Vlackodimos defendeu a soco um remate dos vilacondenses, João Félix, Pizzi e Seferovic levaram a bola até à área de baliza do Rio Ave onde Pizzi assistiu Seferovic com o internacional suíço também ele a bisar na partida, assumindo-se claramente como o melhor jogador em campo.

Com o resultado feito, o Benfica não deixou de controlar a partida que apenas pecou em termos de espectáculo por ter tido alguns espaços em que a picardia entre os jogadores foi porventura levada a situações mais extremas, e certamente menos bonitas.

Bruno Lage ainda teve oportunidade de chamar ao jogo Markovic para o lugar de Sálvio, fazendo passar Zivkovic para a direita permitindo a Markovic ocupar o corredor esquerdo, acabando por entrar ainda em jogo Facundo Ferreyra para o lugar de João Tomás, com este a ser tributado pelo público com um enorme aplauso.

Daniel Ramos, o técnico que deixou o Desportivo de Chaves para abraçar o desafio do Rio Ave, terá ficado agradado, apesar da derrota, com a resposta que a sua nova equipa conseguiu dar em casa do Benfica, e Bruno Lage, numa altura em que se aguarda por uma decisão da Direcção dos "encarnados" sobre se a sua presença à frente ao futebol do Benfica será interina ou irá continuar até ao final da época, concluíu o jogo com a certeza da missão cumprida, porventura a primeira de muitas missões.

texto: Jorge Reis
fotos: Luís Moreira Duarte

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