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"Uma coisa que fique clara, o Sporting tem vindo a ser alvo de um ataque sem precedentes mas nós não nos demitimos!" Assim, de forma taxativa e sem lugar a dúvidas, o presidente do Sporting Clube de Portugal, Bruno de Carvalho, acompanhado de elementos do Conselho Directivo e da Comissão Executiva da SAD, bem como um membro do Conselho Fiscal, deixou claro que não tenciona demitir-se, reiterando a intenção de marcar uma Assembleia Geral extraordinária que, segundo BrunoCarvalho, terá sido Jaime Marta Soares que não quis agendar.

Pouco depois das 23h00 desta quinta-feira, no auditório Artur Agostinho, no Estádio José de Alvalade, Bruno Carvalho deu conta de um comunicado em que, a determinada altura, destacou: “O Sporting está a ser, nestes últimos dias, alvo de um ataque interno e externo sem precedentes na sua história. O objetivo é claramente obrigar à nossa demissão. Para que fique claro, desde já, não nos vamos demitir. Sentimos que o novo dever é, a bem do Sporting, ficar.”

Sem se pronunciar directamente sobre o ataque da passada terça-feira de um grupo de encapuzados, alegadamente adeptos ‘leoninos’ na Academia do Sporting, em Alcochete, onde agrediram jogadores, técnicos e funcionários, Bruno de Carvalho preferiu dar conta do que considera ser um ataque à instituição Sporting, incluindo nessa questão abrangente o facto do nome do clube estar envolvido numa investigação sobre viciação de resultados no futebol e no andebol. Segundo Bruno de Carvalho, quando deveria haver tranquilidade, responsabilidade e racionalidade por parte de todos os elementos dos órgãos sociais, o que se vê “são pedidos e ameaças de demissões, pressões tremendas para mais demissões e os superiores interesses do Sporting a serem colocados de lado, tudo para tentar dar corpo a um golpe manobrado desde fora, em conluio, como se tem visto publicamente, com alguns dirigentes dos actuais órgãos sociais”.

“O Sporting joga no domingo a final da Taça de Portugal e temos um empréstimo obrigacionista para lançar nos próximos dias. Depois estaremos à disposição dos sócios e por isso pedimos o agendamento da uma Assembleia Geral Extraordinária para os ouvir sobre tudo o que se tem passado", acrescentou Bruno de Carvalho frisando que os principais ataques ao Sporting estão a ser feitos a partir de dentro da instituição.

Bruno de Carvalho 003

Por seu turno, Fernando Carvalho, o único elemento que integra o Conselho Fiscal e Disciplinar e que se mantém em funções (todos os restantes elementos daquele órgão social apresentaram as respectivas demissões), falou numa “clara falta de sintonia em relação ao Conselho Diretivo do Sporting”, considerando que o órgão a que pertence se constituiu como fator de oposição. “Gostaria de acrescentar que o Conselho Fiscal e Disciplinar não tem até à data qualquer processo, indício ou razão para apresentar a sua renúncia ou até sugerir a renúncia do Conselho Directivo ou de qualquer dos seus membros”, explicou.

Quem afinou pelo mesmo diapasão no seu discurso, falando em ataques ao Sporting a partir do interior do clube foi Carlos Vieira,  responsável pela área financeira do clube, segundo o qual os sócios do Sporting “têm sido bombardeados nos últimos dias com inúmeras especulações sobre a eventual vontade dos jogadores da equipa de futebol profissional rescindirem os seus contratos”, deixando a promessa de que o Conselho Directivo irá “averiguar ao pormenor todas as manobras que estão a ser feitas por forma a noticiar tais ameaças e quais os interesses que se movem por trás”.

No único momento em que se abordou o ataque ao grupo de trabalho do futebol profissional na Academia de Alcochete, Carlos Vieira manifestou a esperança de que seja possível, “conhecer, muito brevemente, os responsáveis pelo acto hediondo de terrorismo que mais uma vez repudiamos e que manchou o nome do Sporting, da SAD e do seu presidente”, e acrescentou: “Se este horrível acontecimento for motivo para rescisão por justa causa, o paradigma do mercado futebolístico, tal qual o conhecemos hoje, ficaria posto em causa”.

Carlos Vieira afirmou mesmo temer que os jogadores “possam estar a ser manobrados e enredados em algo que está a tentar desvirtuar o seu profissionalismo, numa pretensa rixa com o presidente e Comissão Executiva da SAD”.

Quem tomou igualmente a palavra nestas últimas horas de quinta-feira no auditório Artur Agostinho foi Rui Caeiro, também ele elemento do Conselho Directivo do clube leonino, com a tutela da área das modalidades, ele que fez questão de defender que o Sporting foi campeão de andebol respeitando a verdade desportiva: “Em 2016/17 a equipa de andebol do Sporting conquistou um título europeu, a Taça Challenge. Essa mesma equipa foi campeã nacional. Este ano todos puderam assistir à inequívoca superioridade da nossa equipa jogo após jogo. Tanto assim, que o título foi conseguido com três jornadas por disputar.”

A polémica que envolve o Sporting cresceu de tom logo após a derrota do Sporting no Estádio dos Barreiros, no Funchal, frente ao Marítimo, quando o clube de Alvalade perdeu em definitivo o segundo lugar na I Liga para o rival Benfica, sobrando para este o apuramento para a pré-eliminatória e playoff de acesso à Liga dos Campeões, restando ao Sporting o acesso à Liga Europa, que poderá ser directo caso vença a Taça de Portugal no domingo frente ao Desportivo das Aves.

Depois do jogo no Marítimo, uma espera de alegados adeptos do Sporting no interior das garagens do Estádio de Alvalade, ainda uma reunião entre Bruno de Carvalho e todo o plantel em que o presidente leonino terá declarado a suspensão, ou até mesmo o despedimento da equipa técnica liderada por Jorge Jesus, e depois o ataque de que o grupo de trabalho do futebol profissional foi alvo na Academia de Alcochete por cerca de meia centena de alegados adeptos do clube verde-e-branco (a GNR deteve entretanto 23 daqueles indivíduos já presentes a um juíz de instrução no tribunal do Barreiro), tudo isto veio permitir entornar mais um recipiente de gasolina para uma fogueira que estava já bem activa.

Se pensarmos que, ao mesmo tempo que estas situações eram conhecidas, a Polícia Judiciária detinha, na quarta-feira, quatro pessoas na sequência de denúncias de alegada corrupção em jogos de andebol, incluindo o diretor desportivo do futebol, André Geraldes, entretanto libertado sob caução de 60 mil euros e impedido de exercer funções desportivas, estão criadas todas as condições para que a polémica se mantenha em redor do Sporting, ainda mais quando a grande parte dos membros dos órgãos sociais do clube já apresentaram a sua demissão, tendo o presidente da Mesa da Assembleia Geral, Jaime Marta Soares, bem como outras figuras públicas de primeira linha ligadas ao Sporting, solicitado que o presente Bruno de Carvalho apresente a sua demissão, algo que este deixou claro que não irá fazer. Será de aguardar as cenas dos próximos capítulos.

Jorge Reis

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