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Maior eficácia no desempate através dos pontapés da marca da grande penalidade permitiu ao Sporting garantir a presença na Final da Taça de Portugal, onde irá defrontar o Desportivo das Aves, isto depois de eliminar esta quarta-feira o FC Porto no Estádio de Alvalade. Após uma primeira mão em que os “dragões” garantiram um triunfo por 1-0 com um golo de Tiquinho Soares, o Sporting precisava agora pelo menos de um golo para empatar a eliminatória e, depois disso, voltar a marcar para se superiorizar ao FC Porto. O golo surgiu mesmo, já na fase final d0s 90 minutos, com um golo de Coates conseguido sobre um erro crasso de Marcano, acabando o jogo por seguir para prolongamento e depois para aquilo que muitos apelidam de “lotaria” dos pénaltis.

Curiosamente, o FC Porto até entrou melhor no jogo, porventura consciente de que o tempo jogava a seu favor. Tendo entrado bem no jogo, acabou ainda assim o Sporting por criar algumas oportunidades ainda no primeiro tempo, nomeadamente num lance em que o génio de Gelson Martins, um dos melhores elementos em campo, permitiu um cruzamento a partir do corredor direito do ataque leonino, com a bola a cruzar toda a pequena-área em frente à baliza de Casillas, com Bas Dost a ver a bola passar sem que tivesse esboçado sequer a tentativa de esticar a perna para um golo que se adivinhava fácil. Porventura por ser aparentemente tão fácil é que o avançado holandês não acreditou que o cruzamento de Gelson tivesse sucesso, acabando a bola por atravessar caprichosamente toda a grande área do FC Porto para sair pela linha lateral.

Entre os dois técnicos em campo, Jorge Jesus levou a melhor sobre Sérgio Conceição, com mudanças mais evidentes no esquema táctico no seu "onze". Já no segundo tempo, e depois de Ristovki ter entrado para o lugar de Piccini, o Sporting ganhou definitivamente outro fulgor no jogo pelo corredor direito, com Ristovski e Gelson a causarem enormes dores de cabeça ao sector mair recuado do FC Porto, onde Marcano foi sempre o elo mais fraco. Antes da troca operada por Jorge Jesus de Piccini por Ristovski já o treinador do FC Porto, Sérgio Conceição, havia trocado os homens mais adiantados na sua equipa, apostando em Aboubakar para o lugar de um já cansado Soares, numa troca posicional que em nada mudou o esquema táctico dos “dragões”.

O tempo era de trocas nas equipas e Sérgio Conceição voltou a mudar com a entrada de Sérgio Oliveira para o lugar de Otávio, nova mudança apenas para refrescar e dar maior consistência ao meio-campo. Ainda assim, Sérgio Oliveira passou a jogar em posição mais recuada no terreno, deixando de acontecer as trocas posicionais que vinham a acontecer à frente do meio-campo entre Otávio e Oliver Torres.

O triângulo da linha média portista, com um vértice recuado personalizado por Herrera e dois homens mais adiantados, surgia por esta altura com dois vértices mais recuados — Herrera e Sérgio Oliveira, sobrando Oliver na costas de Aboubakar. Sobre tudo isto, Sérgio Conceição viria a mexer uma derradeira vez na equipa ao minuto 83, porventura confiante de que seria possível manter o “nulo” na partida, apostando assim em Reyes para o lugar exactamente de Oliver, perdendo o FC Porto qualquer médio mais ofensivo.

Só que, a exemplo do que já havíamos visto no clássico do Estádio da Luz que opôs FC Porto e Benfica, uma equipa que joga para garantir o empate corre maiores riscos de vir a sofrer golos, e foi exactamente isso que aconteceu quando, aos 85 minutos, Marcano tentou aliviar uma bola dentro da sua grande-área, acabando por a oferecer a Coates que só teve que armar o remate para o golo. A festa era por esta altura inteiramente do Sporting, Jorge Jesus ainda tinha uma alteração possível para o seu "onze", enquanto que a Sérgio Conceição restava procurar soluções num "onze" que havia perdido alguma velocidade a partir da linha média. Herrera, o mexicano capitão do FC Porto, subiu claramente no terreno, passou a jogar ao lado de Aboubakar, dando conta de um pulmão impressionante, mas não conseguiu desta feita ser tão determinante como o havia sido há poucos dias frente ao Benfica.

O jogo avançou para mais 30 minutos, Jorge Jesus ainda apostou em Doumbia por troca com Bas Dost a quem este jogo não correu tão bem assim, mas Doumbia também não conseguiu fazer a diferença, acabando por serem esgotados os 120 minutos de jogo sem que voltasse a haver qualquer golo. Porque era necessário desempatar a eliminatória, houve então que recorrer aos pontapés a partir da marca da grande penalidade e Marcano, o mesmo que dera o golo a Coates, chamado a converter o primeiro pénalti, procurou colocar a bola longe de Rui Patrício. O guarda-redes caiu para o seu lado direito, a bola foi colocada para junto do poste esquerdo, mas a colocação foi de tal ordem que a bola bateu na base do poste, ficando desde logo o FC Porto em desvantagem. A partir dali mais ninguém falhou os respectivos pénaltis, acabando por ser Montero a marcar a quinta e derradeira grande penalidade para os "leões”, permitindo a festa em Alvalade com os adeptos do Sporting a celebrarem o apuramente para a Final da Taça e, caso funcione a lei do mais forte, a conquista da Taça de Portugal por parte dos "leões" que, nessa Final, irão defrontar o Desportivo das Aves.

A turma da Vila das Aves garantira pouco antes, e também depois de um prolongamento, a vitória na outra meia-final da Taça, frente ao Caldas, num jogo em que até foi a turma das Caldas quem marcou primeiro, empatando a eliminatória e levando o jogo para mais 30 minutos. O certo é que o Desportivo das Aves foi mais forte no tempo complementar e marcou dois golos que ditaram o desfecho da eliminatória. Aves e Sporting estarão assim no jogo do Jamor, uma partida que, independentemente do desfecho em termos de resultado, deverá ditar o inédito apuramento do Aves para a Liga Europa. Já o Sporting terá oportunidade de garantir um título nesta temporada, isto quando ainda tem hipóteses matemáticas de terminar o campeonato na frente da classificação, uma possíbilidade remota que mantém ainda assim os "leões" na corrida pela vitória na Liga NOS. Para tal, porém, terá que vencer já no domingo a formação do Boavista, sendo essas contas de outro rosário que Jesus certamente também as terá já feito. Só que as melhores contas, essas, fazem-se no fim.

reportagem: Jorge Reis
fotografias: Luís Moreira

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