Estoril-FCPorto-01Se havia alguém que ainda duvidava sobre as diferenças de capacidade concretizadora do FC Porto com a sue equipa a alinha com ou sem extremos, ficaram bem evidentes frente ao Estoril num jogo em que a turma portista demorou 83 minutos até chegar ao golo. No relvado do Estádio António Coimbra da Mota, frente ao Estoril Praia, os "dragões" surgiram em campo com uma equipa sem extremos, apostando em André André e Herrera enquanto Brahimi e Corona ficavam no banco de suplentes para uma exibição que tardou em conseguir alguma cor e vivacidade.

Depois de meia hora de jogo em que o FC Porto raramente incomodou o guarda-redes Moreira, Nuno Espírito Santo resolveu mexer na sua equipa ainda no primeiro tempo, chamando a jogo o argelino Brahimi para o lugar de um espantado Diogo Jota, que não estaria de forma nanhuma à espera de sair da partida naquela altura. Brahimi entrou no jogo e o conjunto azul-e-branco melhorou um pouco, mas mantinha ainda assim a ausência de ideias perante um Estoril Praia que continuava a controlar o jogo como lhe interessava, mantendo o nulo no marcador e acreditando que poderia surpreender num lance de contra-ataque. Ao intervalo, porém, "dragões" e "canarinhos" continuavam empatados sem golos e algo mais teria que mudar no jogo para que o resultado pudesse igualmente mudar.

Por falar em mudança, e depois da mudança de campo entre as duas equipas para os segundos quarenta e cinco minutos, foi possível chegar à conclusão de que é necessário que também os adeptos mudem, para que não continuem a repetir-se as cenas a que infelizmente se assistiu no arranque da etapa complementar. O guarda-redes do Estoril, Moreira, antigo guarda-redes do Benfica, estava agora na baliza em frente à claque dos Super Dragões e antes mesmo do reinício do jogo Moreira quase que era atingido por um petardo vindo da bancada, o que levou a algum atraso no retomar da partida. O líder da claque portista foi o primeiro a pedir calma aos adeptos da turma visitante mas as atitudes reprováveis já tinha sido tomadas e porventuras registadas pelos elementos da Liga.

Acalmadas as hostes azuis e brancas, o jogo avançou para o segundo tempo, disputado um pouco ao jeito do que havia sido nos primeiros 45 minutos, pelo menos até ao momento em que Nuno Espírito Sato decidiu finalmente dar maior largura ao ataque dos "dragões" com a entrada de Corona, passando o FC Porto finalmente a jogar com dois verdadeiros extremos: Brahimi e Corona.

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Ao minuto 71 o árbitro anulou um golo do FC Porto apontado pelo jovem Rui Pedro recém-entrado na partida. Brahimi fez o passe para as costas da defesa estorilista, a solicitar Rui Pedro, mas este encontrava-se mesmo adiantado pelo que a decisão do árbitro auxiliar e confirmada pelo chefe de equipa, Manuel Oliveira, que apontou para o fora-de-jogo que realmente existiu. Os adeptos do FC Porto não gostaram, reapareceram mais alguns petardos, mas nem por isso o nulo deixou de prevalecer.

O jogo avançou assim para os últimos dez minutos com as emoções ao rubro, com o FC Porto como a equipa mais dominante, com mais posse de bola e mais iniciativa, frente a um Estoril Praia que no primeiro tempo controlou o jogo, acabando por cair vergado pela insistência dos "dragões". Aos 83 minutos, uma grande penalidade indiscutível cometida pelo guarda-redes Moreira sobre André Silva permitiu que este avançado se encarregasse de transformar o castigo máximo, o que fez sem tremer, colocando finalmente o FC Porto na frente do marcador.

A vencer, o FC Porto ganhou finalmente outra capacidade de execução, e ao 90 minutos era a vez de Corona fazer um excelente golo para a turma visitante, naquilo que parecia ser o carimbar em definitivo do triunfo portista. Ainda assim, o Estoril Praia acreditou que poderia surpreender e antes mesmo do apito final apareceu Dankler a fazer o golo estorilista, numa altura em que o tempo para a turma da Amoreira recuperar da desvantagem era já insuficiente. Pouco depois, Manuel Oliveira apitava para o final da partida, garantindo o FC Porto uma vitória por 2-1 perante um Estoril Praia que somou nova derrota, num ciclo que soma já seis jogos a perder para a Liga NOS.

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Nuno Espírito Santo terá perdido a vontade de inventar ao deixar no banco dos suplentes alguns dos seus elementos mais criativos, enquanto que o técnico do Estoril, Pedro Corona, terá que perceber que jogar o suficiente para dizer que se lutou com galhardia não é o suficiente se não conseguir somar pontos, sob pena de permitir que um clube como o Estoril que ainda há poucos anos chegou à Liga Europa possa mesmo entrar na área de despromoção.

Certo é que, e no que diz respeito a classificação, depois deste triunfo no Estoril, os "dragões" mantém a distância para o líder Benfica, neste momento a um ponto à condição até segunda-feira, altura em que os "encarnados" irão jogar no Estádio do Bonfim frente ao Vitória de Setúbal. Já a turma "canarinha" encosta agora à linha de água, no 16º lugar com 15 pontos, mais dois do que Nacional e Tondela, nos últimos lugares do campeonato ambos com 13 pontos.

texto: Jorge Reis
fotos: reprodução @Twitter 

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