Com uma exibição assertiva, com uma boa colocação da equipa sobre o terreno de jogo, conseguindo sempre vantagem numérica nos diversos sectores do relvado, o Sporting conseguiu uma goleada sobre o Braga por 5-0 e, porventura mais importante do que isso, um triunfo colectivo sobre uma equipa bracarense que os leões conseguiram facilmente anular no relvado de Alvalade. À partida para este embate entre Sporting e Braga seria difícil apontar um favorito, com as duas equipas a apresentarem as suas equipas mais fortes num jogo de particular importância para os leões e para o campeonato.

Para este jogo em que o capitão leonino Coates recebeu uma camisola alusiva aos seus 350 jogos oficiais pelo Sporting, a turma de Alvalade entrava com o favoritismo conferido pelo facto de jogar em casa, mas com a memória bem fresca do último jogo frente a este mesmo Sporting de Braga, na meia-final da Taça da Liga, quando os guerreiros do Minho venceram por 1-0 com um golo solitário de Abel Ruiz, eliminando a turma de Alvalade da corrida por um lugar na final daquela competição que os bracarenses viriam a vencer frente ao Estoril Praia. O Sporting entrava por isso a querer vingar a derrota anterior, apostado afinal em repetir os resultados da época passada quando, tanto para o campeonato como para a Taça da Liga, os leões venceram em Alvalade sobre este mesmo Sporting de Braga em ambos os casos por 5-0.

Para defrontar o Braga, Rúben Amorim escalou a sua melhor equipa, com Adán entre os postes, uma linha de três centrais formada por Eduardo Quaresma, Coates e Gonçalo Inácio, quatro médios com Catamo e Nuno Santos nas alas sendo o meio-campo preenchido por Hjulmand e Moreira, e na frente Pedro Gonçalves e Trincão no apoio ao sueco Victor Gyokeres. Já do lado do Braga, Artur Jorge chamou a jogo o guarda-redes Matheus, um quarteto defensivo formado por Víctor Gomez, Paulo Oliveira, José Fonte e Cristian Borja, ainda Vítor Carvalho e João Moutinho no meio-campo e um trio formado por Alvaro Djaló, Zalazar e Ricardo Horta atrás de Abel Ruiz, o homem mais adiantado do ataque bracarense.

Sporting imbatível em Alvalade

Refira-se que o Sporting partia para este jogo invicto no seu terreno, com nove jogos e nove triunfos, frente a um Sporting de Braga que jogava de um modo mais descontraído, já que era sobre a formação leonina que recaía a responsabilidade de conquistar os três pontos. E a verdade é que foi o Sporting quem entrou melhor no jogo, com Gyokeres a colocar a defesa bracarense em sobressalto logo ao segundo minuto do jogo. Nada resultou desse lance, mas demorou pouco até ser celebrado em Alvalade um primeiro golo, aos nove minutos, apontado por Francisco Trincão.

Na sequência de um erro crasso de Victor Gomez, que fez um um passe para o homem do Sporting, Trincão chegou rápido sobre a bola em frente à grande-área e, com um pontapé colocado ao poste mais distante da baliza de Matheus, deixou a bola fora do alcance do guarda-redes bracarense e conseguiu o primeiro golo. Francisco Trincão acabou por não festejar, ele que foi formado no conjunto bracarense e que, por via disso, deixou os festejos para os seus companheiros que chegavam assim bem cedo à vantagem.

Já em vantagem, o Sporting manteve sempre o domínio do jogo, frente a um Sporting de Braga que não conseguiu equilibrar o jogo no meio-campo, teve sempre a sua defesa em sobressalto e raramente levou perigo efectivo até junto da baliza de Adán. Ao minuto 13' foi Geny Catamo a puxar para dentro e a rematar para nova situação de perigo para a baliza de Matheus Magalhães. A bola, ainda assim, passou sobre a trave perdendo-se a oportunidade dos leões aumentarem a contagem. Houve por isso que esperar mais cinco minutos até ao minuto 18', altura em que o sporting voltou a faturar, agora por Eduardo Quaresma. Na sequência de um lance do lado direito do ataque leonino, trabalhado por Trincão e Pote, apareceu o miúdo Quaresma já dentro da grande-área bracarense a fazer o segundo golo do jogo e para os leões, o resultado com que se atingiu o intervalo.

Leões colocaram o Braga a correr atrás da bola

Com um jogo muito competente, perante um Braga que durante todo o primeiro tempo não conseguiu encontrar-se no jogo, o Sporting dominou, marcou, teve superioridade numérica nos diversos sectores do terreno, desmontou a equipa do Braga a quem faltaram muitas vezes as linhas de passe a partir do meio-campo defensivo, e aumentou a contagem no segundo tempo com um jogo que continuou sempre superior. Sem ter bola, a equipa do Braga foi quase sempre obrigada a correr atrás da bola e, quando a teve, normalmente através de João Moutinho no meio-campo, ele que foi assobiado pelos adeptos do Sporting sempre que teve a bola, teve também enorme dificuldade em encontrar linhas de passe para os homens mais adiantados do Braga quase sempre “bloqueados” pela defesa leonina.

Foi ainda assim necessário esperar até ao minuto 71' para que o Sporting voltasse a marcar, por Gyokeres, ele que fez o terceiro golo depois de um lance protagonizado por Eduardo Quaresma e Trincão, com este a descobrir Gyökeres com um bom cruzamento levando o sueco a rematar de primeira para o 3-0. Dois minutos depois, quando ainda se festejava o golo de Gyokeres nas bancadas de Alvalade, foi a vez de Daniel Bragança, ele que entrara ao minuto 61' por troca com Morita, a fazer o quarto golo dos leões, resolvendo um jogo em que o triunfo dos leões, na verdade, nunca esteve verdadeiramente em causa, nomeadamente desde o primeiro golo do jogo, tão evidente que era a superioridade do Sporting perante o Braga.

Antes do final houve ainda tempo para mais um golo, apontado pelo homem dos golos bonitos em Alvalade, o lateral Nuno Santos, ao minuto 85', com um remate de trivela a dar origem ao quinto golo da tarde em Alvalade, permitindo a festa nas bancadas de Alvalade que neste jogo foram preenchidas por 39.851 espectadores. O Sporting somou com inteira justiça os três pontos referentes a mais uma vitória, a décima dos leões em dez jogos disputados no relvado do Estádio José de Alvalade na presente temporada.

Já o Sporting de Braga, que voltou a partir esta época com a ambição de poder lutar pelo título, terá ficado arredado de vez desse objectivo, ainda mais difícil se pensarmos que no presente campeonato a turma arsenalista não conseguiu ganhar a nenhum dos ditos três grandes do futebol português. Pior do que isso, o Sporting de Braga terá agora que ter em atenção a prestação do seu eterno rival, o Vitória de Guimarães, isto porque será entre estas duas formações que irá ser discutido agora o quarto lugar do campeonato da I Liga.

Nota final, ainda a propósito deste jogo entre o Sporting e o Braga, para a boa exibição de Francisco Trincão e Eduardo Quaresma, claramente os homens do jogo numa partida em que a principal nota negativa vai para o técnico Artur Jorge, do Sporting de Braga, ele que foi claramente batido em termos estratégicos por Rúben Amorim.

texto: Jorge Reis
fotos: Diogo Faria Reis e Luís Moreira Duarte
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