malasA Educação vai manter-se na agenda política na próxima semana. Em causa a colocação de professores nas escolas, que provoca críticas de sindicatos e partidos da oposição mas também no interior da coligação governamental.

Sob a tutela de Nuno Crato, o homem que em 2006 publicou “O Eduquês em Discurso Directo”, a Educação e Ciência conta três anos de polémicas e de contestação dos sindicatos. Nas últimas duas semanas, contudo, as divergências assumiram uma proporção politicamente problemática. Na oposição exige-se a demissão de Crato e no PSD, erro após erro na colocação de professores, o deputado Duarte Marques apontou ao secretário de Estado da Administração Escolar, João Casanova de Almeida (CDS-PP).

No Facebook, o deputado social-democrata escreveu: “Esta situação da colocação de professores assume proporções inaceitáveis. É inconcebível que o Secretário de Estado da Administração Escolar não venha a público esclarecer uma situação pela qual é responsável. Em devido tempo Nuno Crato assumiu a responsabilidade por erros que lhe eram alheios, mas Ministro é assim, tem de assumir a responsabilidade e em último caso ele é o chefe. Mas depois dos erros da colocação através da BCE, muitos professores são induzidos em erro face à deficiente comunicação que foi feita à comunidade escolar. É tempo de, uma vez por todas, dar a cara, explicar a solução e esclarecer devidamente os professores a quem foi dada garantia de colocação e que já alteraram as suas vidas por causa disso. O Ministério da Educação garantiu que nenhum professor seria prejudicado, é isso que vai acontecer, mas não é isso que parece face à informação divulgada pelo Ministério. Pelos vistos não basta substituir directores gerais, é necessário que os responsáveis políticos assumam as suas responsabilidades e venham a público dar a cara pelas áreas que dentro do MEC estão sob a sua responsabilidade. Este governo já nos habituou a dar a cara nos momentos mais difíceis, a assumir responsabilidades e a não ter complexos no momentos de assumir as notícias mais difíceis. Infelizmente nem todos têm a mesma coragem. É incrível como o país não consegue resolver de vez o problema da colocação de professores, nos últimos 15 anos já se torna uma espécie de ritual: problemas na colocação de professores”.

Esta tarde, em Lisboa, mais de dois mil professores desfilaram para contestar a política do Governo para a Educação e a pedir a demissão do ministro Nuno Crato. "Crato rua, a escola não é tua", foi uma das palavras de ordem deste protesto organizado pelos sindicatos.

Os erros informáticos de enervam pais e professores juntam-se aos problemas na Justiça (ainda não há garantias de solução para o CITIUS), mas também, segundo o DN, às divergências no seio da maioria PSD/CDS-PP relativamente a questões fiscais. A próxima semana pode ser politicamente complexa.

O que fica da semana passada:

Acácio Pinto (PS): “Neste momento, em Portugal, não temos professores a mais, o que nós temos é um ministro da Educação que está a mais na Educação”

Rita Rato (PCP): “A vida de milhares de professores contratados está suspensa e as escolas precisam urgentemente destes professores. É chocante o desprezo com que este Governo PSD/CDS trata a vida das pessoas”

Pedro Filipe Soares (BE): "Há professores colocados na primeira lista que fizeram escolhas, alugaram casa, prepararam a sua vida e que agora estão desempregados"

Ministério da Educação e Ciência: “Na sequência das notícias publicadas sobre a revogação das listas iniciais da Bolsa de Contratação de Escola, o Ministério da Educação e Ciência esclarece que, para corrigir as posições atribuídas aos professores, é necessário proceder à revogação das listas publicadas antes da publicação das novas. Caso essa informação não tivesse sido transmitida às escolas, a própria publicação das novas listas implicaria uma revogação tácita daquelas anteriormente divulgadas. O Ministério da Educação e Ciência reitera que as novas listas representam menos de 0,8% dos cerca de 110 mil professores que estão nas escolas desde a abertura do ano letivo. Em mais de metade das colocações (primeiras preferências manifestadas) não houve qualquer alteração, ou seja, mais de metade dos professores ficam na mesma escola onde já estavam a lecionar. Nos casos em que houve alteração, na sua grande maioria essas representaram a colocação de professores noutra escola, dentro das suas preferências, através da nova lista BCE ou da Reserva de Recrutamento divulgada na última sexta-feira”.

http://www.youtube.com/watch?v=nfipkAwXXmo

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