vendinha.escola5Um milhão e 200 mil alunos regressaram às escolas no arranque de mais um ano letivo. Com normalidade, segundo o Ministério da Educação e Ciência, uma conclusão contestada pelos sindicatos dos professores que preferem falar de problemas acrescidos que afectam o funcionamento dos estabelecimentos de ensino.

Há de tudo um pouco, desde uma escola que pode reabrir à revelia do ministério a um estabelecimento de ensino a estrear que ficou sem alunos. E na aldeia de Vendinha, concelho de Évora, uma escola que figurou na lista de encerramentos abriu para iniciar o ano escolar com normalidade.

“A Escola da Vendinha inicia o ano escolar com normalidade”, disse ao LusoNotícias José Calado, número dois da Junta que resultou da agregação das freguesias de S. Manços/S. Vicente do Pigeiro (Vendinha). Recorde-se que este estabelecimento de ensino chegou a figurar na lista de escolas para encerrar, tendo motivado protestos.

Uma reunião de pais dos alunos da Escola Básica de Vendinha resultou na recusa unânime de integrar as crianças do primeiro ciclo desta aldeia do concelho de Évora no estabelecimento de ensino de S. Manços. Caso se confirmasse o encerramento desta escola, os encarregados de educação admitiram apenas uma possibilidade, a integração no agrupamento de escolas do concelho vizinho de Reguengos de Monsaraz.

A aldeia chegou a ponderar a realização de uma acção de protesto que incluiria a entrega simbólica da “chave da aldeia” a Poiares Maduro, o ministro que tutela o desenvolvimento regional.

No presente ano lectivo encerram perto de três centenas de estabelecimentos de ensino do básico. No Alentejo, por exemplo, realizaram-se várias acções de protesto, casos de Rio de Moinhos, Vila Ruiva e Vila Nova da Baronia.

Em Monsanto, a nova escola primária foi inaugurada há cerca de três meses. A reportagem da RR refere que funcionou apenas uma semana. Para o Ministério da Educação diz que a escola encerra porque só tem 11 alunos (mais 18 crianças estão matriculadas no jardim de infância) e ficam agora obrigadas a viagens de cerca de 50 quilómetros. A requalificação do edifício custou cerca de 100 mil euros.

Em Tropeço, concelho de Arouca, os pais dos alunos não aceitam a decisão de encerramento da escola e recorreram para a Justiça, com uma providência cautelar. Os alunos em vez de se apresentarem na nova escola, foram recebidos, esta manhã, na Junta de Freguesia.

Crato assegura normalidade

No Porto, o ministro Nuno Crato garantiu que o ano escolar foi iniciado com normalidade: «Do meu conhecimento, não há uma única providência cautelar que tenha tido efeito suspensivo. As providências cautelares são uma possibilidade legal que as pessoas podem utilizar. Têm todo o direito de o fazer. Nós apresentámos uma contestação fundamentada e a partir desse momento a providência cautelar cessa o seu efeito imediato.

Questionado sobre a contestação dos professores contratados que alegam terem existido erros informáticos nas colocações, confessou não conhecer em pormenor a contestação dos sindicatos. “Os erros, se existirem, serão corrigidos”, disse.

Prejuízos para os alunos, diz sindicado

Para o Sindicato dos Professores da Zona Sul, o início deste novo ano escolar revela a linha de acção política deste Governo e deste Ministério, que “insiste na continuação de medidas penalizadoras e economicistas”.

“Este ano lectivo é bem revelador do desastre das políticas e das Opções do Governo para a Educação e para a Escola Pública. Opções, que estão a gerar tantos problemas, a causar grande perturbação nas escolas e uma tremenda instabilidade e indignação entre os docentes, com prejuízos evidentes para os milhares de alunos que continuam sem alguns dos seus professores”, acusa o SPZS.

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